sexta-feira, 3 de abril de 2026

Semana Santa

 SEMANA SANTA 


Nesta semana Maior,

De dor e de humilhação

De Cristo Nosso Senhor,

Da Sua divina Paixão 

E morte de cruz aviltante,

É para nós o momento 

De reviver o instante 

E com sentido profundo 

Mudarmos o nosso mundo,

Causa porque Jesus morreu. 

Para que também eu

Possa ressuscitar um dia

E alcançar a via 

De me sentar lá no Céu, 

Junto da majestade de Deus 

Gozando em plenitude,

Da eterna virtude

E da felicidade perene,

Por Jesus Cristo prometida

A quem passasse esta vida

Em harmonia com o irmão 

Desvalido, sem teto e sem pão,

Dando agasalho e comida

Ombro solidário e mão amiga

Neste duro vale de lágrimas 

De conflitos e terras áridas. 


Na Páscoa da ressurreição,

A Deus peço, com devoção,

A benção, a paz, a alegria 

De alcançar um dia

A graça de também ressuscitar 

Para no quotidiano imitar

Jesus Cristo Nosso Senhor.

Espalhando apenas amor,

Como S. Francisco d’Assis

Na sua oração magistral 

De oposição a todo o mal

Que este mundo percorre,

Onde o inocente morre,

Sem apelo nem agravo,

Com bombas por todo o lado,

Sem um mínimo de compaixão,

Por quem sofre a situação 

Duma guerra descontrolada,

Pelo ódio e palavra desbragada,

Por quem do mundo se acha dono.

Essas mortes não lhe tiram o sono 

Por falta de consciência

De que em boa obediência

Deixar o ego inflamado

E, assim, espalhar amor

E findar com sofrimento e a dor. 


30/03/2026


Zé Rainho 


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Escrever!

Escrever é terapêutico. Desenvolve o intelecto. Previne a doença mental. Mas, escrever é, também, transpor para o papel emoções, sentimentos, acontecimentos, opiniões, sensações.

Escrever é, também, amar a língua em comunicamos preservando-a.

Eu gosto de escrever, ainda que nem sempre fique satisfeito com o que escrevo, não porque não o faça com verdade, com autenticidade, mas porque não empregue o estilo mais erudito e mais fluido, por falta de inspiração. Por isso hoje ficamos por aqui.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Novo

O novo atemoriza, inibe, faz desconfiar. E o medo paralisa. Mas as coisas só  . acontecem se arriscarmos, se conseguimos dominar o medo. sem aventureirismo inconsciente.

O novo é sonho, é horizonte sem barreiras, é asa alada que suporta o vôo. 

O novo só é novo enquanto não experienciamos, enquanto não o vivenciamos. Por isso, ter medo do novo é ter medo do futuro, do amanhã, do porvir e isso é estagnar e sociedade que não avança recua.

Não podemos ter medo do novo.




segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Neste Natal!

 

Neste Natal!

 

Neste Natal de incertezas.

De guerras, conflitos, asperezas.

Só temos esperança em Jesus.

Quem pode aliviar os filhos seus.

 

Assim, nesta réstia de esperança,

Vamos com toda a confiança

Acreditar num amanhã melhor,

Graças a Deus Nosso Senhor.

 

Neste caminhar sinodal,

Damos aos irmãos um sinal

De que não estão na luta sós,

 

E que numa irmandade fraternal,

Iremos alcançar a paz ideal

Não com armas, mas com a voz.

 

22/12/2025

Zé Rainho

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Educação!

 

EDUCAÇÃO!

Um artigo, no Jornal Público de hoje, de Cristiana Faria Moreira sob o título “é necessária uma estratégia nacional para a formação de adultos” relata um panorama preocupante, no que diz respeito às competências dos adultos portugueses em idade activa para o mercado do trabalho.

É sabido que menos competências educativas correspondem a menos salário, mais precariedade, menos oportunidades de progressão na carreira, numa palavra, mais pobreza intelectual e material.

O problema já vem de longe e, apesar do que se fez nas últimas quatro décadas, a avaliação realizada pela OCDE, revela que “40% dos adultos que vivem no país, apenas é capaz de compreender textos elementares ou de resolver problemas matemáticos muito simples” e, acrescento eu, apesar do dinheiro despejado sobre este problema é um número que não pode deixar de nos interrogarmos.

A Lei de Bases do Sistema Educativo 46/86 instituiu o 9º ano de escolaridade como ensino obrigatório, o que quer dizer que os nascidos em 1980, hoje com 45 anos de idade, já tiveram a oportunidade de uma alfabetização e uma literacia suficientes para obstar a que os resultados apresentados fossem outros e bem melhores. Acresce que desde 2009/2010, o ensino obrigatório é o 12º ano de escolaridade ou os 18 anos de idade o que indicia que, passados quinze anos, teríamos adultos muito mais escolarizados e muito mais conhecedores que não se encaixassem nos referidos 40% referidos pela OCDE.

Acrescento que, na década de setenta do século passado, mais precisamente no seu final, 1979, durante um governo presidido por Sá Carneiro, se iniciou um processo de combate ao analfabetismo literal, que foi sendo desenvolvido durante as últimas duas décadas do século XX, com resultados bastantes significativos. Este projecto teve um maior incremento com o apoio do Fundo Social Europeu durante as negociações com a, então designada CEE que foi sempre aumentando com o PRODEP, depois da adesão do nosso país àquele projecto europeu. Na educação, em geral e na de adultos, em particular, naquele período, não se fez tudo, mas fez-se muito, até se mudar de política educativa.

Seria demasiado exaustivo apresentar aqui todos os malefícios cometidos contra a Educação Pública, desde a indisciplina dos alunos, ao desprestígio dos professores, da permissividade na avaliação, às condições sociais das famílias portuguesas e muitas outras situações potenciadoras de abandono precoce da escola e do nível medíocre de ensino-aprendizagem. Não é o lugar nem o espaço para o fazer, mas pode-se dizer que se podia ter feito mais e melhor.

A mudança era possível. Era, até, necessária. Mas era preciso fazer-se uma avaliação séria sobre o que se fez bem, o que se fez menos bem e o que se fez mal, para definir caminhos que levassem este sector educativo para patamares, que permitissem aos portugueses, que não tiveram oportunidades de aprender na infância e juventude, o fizessem na idade adulta, enquanto desenvolviam a sua actividade profissional e os jovens que tivessem um aproveitamento melhor enquanto passam doze anos da sua vida na Escola.

Não foi assim. Neste país não se planifica e, muito menos, se monitoriza e avalia o que quer que seja e a educação tem sido um laboratório de experiências nunca avaliado. O que não invalidou que, no final do século XX, fosse criada uma agência para levar a cabo uma Educação de Adultos que nos colocasse ao nível dos nossos parceiros europeus. O que se fez?

Acabaram com o ensino recorrente, as unidades capitalizáveis, e engendraram um esquema de certificação de competências, as célebres RVCC, que são as mais procuradas pelos adultos que necessitam de certificação, vá se lá saber porquê?

Qual o resultado? O mínimo que se pode dizer é que é medíocre. Melhoraram as estatísticas, as certificações, mas pioraram os conhecimentos. E isto tem responsáveis.

Desde logo os responsáveis pela alteração, e falta de monitorização do novo modelo, mas também todos aqueles que continuaram a alimentar um modelo que não mostra resultados satisfatórios em todo o sistema educativo público, escola regular e escola recuperativa.

Neste país chora-se sobre o leite derramado, nunca se exige responsabilidade e por isso, assim estamos.

9/12/2025

Zé Rainho

domingo, 9 de novembro de 2025

 

AO AMOR DA MINHA VIDA!

 

Queria oferecer-te um ramo de rosas

Brancas, ornado de bonitas palavras,

Onde cada pétala te falasse de amor

De dedicação, medos, preocupação,

Mas também de alegria e felicidade

De sintonia e total cumplicidade.

 

Queria que fosse em verso ou prosa

Que fosse com elevada sabedoria

Mas a tanto não chega a erudição

Deste humilde e gasto coração.

 

As palavras perderam densidade

Já não referem o amor autêntico

Falam de amor volúvel, efémero

Paixão, sexo, relação ou curtição

E não referem fidelidade, devoção,

Bem-querer, quase adoração.

 

Por isso, meu amor, neste dia

Só te posso oferecer a imensa alegria

De contigo partilhar a ambição

Da total e completa comunhão.

Nestas dezoito invertidas Primaveras

Agradeço ao nosso Deus, deveras,

A graça de ter como minha companhia

Pedindo-lhe que te dê vida e alegria,

Num sentimento de incauto egoísmo

Desejar que te livre de sofrido abismo.

 

Queria dizer-te o sentir do meu coração

Não sou capaz, não tenho condição

Para expressar todo o sentimento

E por isso mesmo lamento

Dizendo-te, apenas, que te amo.

 

21/08/2024

 

Zé Rainho

 

 

 

 

 

sábado, 8 de novembro de 2025

TRALHA!

 

TRALHA!

Passamos a vida a guardar coisas. São papéis, são objectos com maior ou residual valor material, são peças de vestuário, de decoração ou, simplesmente, coisas banais repletas de inutilidade e, de um momento para o outro, vemos que temos a casa, o quarto, a sala, ou qualquer outra dependência, atulhada de tralha. Tralha que é preciso descartar porque deixa de haver espaço para coisas novas, mais ou menos necessárias, mas que a renovação e o mundo consumista exige.

E, de repente, questionámo-nos: para quê tanta coisa?

Quando somos velhos levamos a pergunta mais longe: Porquê e para quem vai servir esta tralha quando eu morrer?

Uns dirão que serão para os filhos. Outros para os netos. Porém, poucos ou nenhuns se questionarão sobre a mesma questão quando, por vicissitudes da vida, não houver descendentes directos, ou mesmo indirectos, que venham a usufruir de tanta acumulação de coisas materiais.

Temos, para nós, que há muito boa gente que passa a vida inteira a privar-se do que a faria feliz para aferrolhar, para acumular para o futuro. Não, que tal atitude seja por nós criticável, mas a efemeridade das coisas materiais, na perecibilidade do mundano nos parecia mais adequado, mais ajustado. Que tal apostar mais em si mesmo, nos seus, no quotidiano, na comunidade, nas pessoas em geral, de forma a aproveitar melhor os bens que podem trazer mais felicidade a todos?

Preocupamo-nos, demasiado, com a matéria perecível e negligenciamos o que é perene, o que nunca morre. Valorizamos a imanência e esquecemos a transcendência.

 Muitas vezes esquecemo-nos de que não levamos nada para a nova dimensão e que, mais importante de tudo não será deixar bens, mas será deixar memórias do que fomos, do bem que fizemos, das amizades que construímos e preservámos, das relações afectivas que estabelecemos e que serão lembranças prazerosas.  

Santo Agostinho, um homem sábio, culto, que teve a sorte, mas também a lucidez, de aprender com os próprios erros, é um bom exemplo para arrepiarmos caminho, com a certeza de que nunca é tarde para o fazer porque, como diz o Evangelho, haverá mais regozijo no Céu por um pecador arrependido do que por cem justos que não necessitam de arrependimento.

Não se pretende dar conselhos e muito menos lições a quem quer que seja, mas pensando na tralha que mais dia menos dia temos de nos desfazer, talvez fosse avisado encher o nosso coração de amor, de tolerância, de compaixão, particularmente para com aqueles que nos estão mais próximos e mais frágeis.

Porventura uma escuta mais atenta, uma palavra de apreço, consolo, no momento de dor, seriam jóias a coleccionar.

Como Santo Agostinho, eu pecador me confesso: preciso de mudar muito a minha forma de estar na vida para cumular tesouros no Céu. Libertar-me da muita tralha que tenho espalhada pelos diversos cantos da casa e, quiçá, no meu coração.

07/11/2025

Zé Rainho