quinta-feira, 28 de maio de 2026

28 de Maio de 1926!

 

28 de Maio de 1926!

Faz hoje cem anos que se deu o Golpe de Estado que derrubou aquela que foi designada pela 1ª República.

Um golpe de estado perpetrado por militares, conjuntamente com civis descontentes, com os atentados bombistas, a queda frequente de governos e o rumo anarco-sindicalista que o país vivia desde finais da 1ª guerra mundial, mais concretamente no início da década de vinte, do século passado.

A queda dos regimes raramente são fruto e consequência de levantamentos de insurrectos, mas de apodrecimento das instituições que compõem os regimes. Somos contemporâneos do golpe do 25 de Abril de 1974 que nos demonstrou isso mesmo.

Há quem aponte esta data e a associe ao regime autoritário que se seguiu à alteração da Constituição em 1933, a mim, que não sou historiador, não me parece que tal seja um facto, da mesma maneira que entenda que, não fora o 25 de Novembro de 1975, a revolução acarinhada por todos em Abril de 1974, se transformaria numa nova ditadura de sinal contrário à que foi derrubada.

De qualquer forma é uma data histórica que convém preservar para que não se cometam os mesmos erros.

Se atentarmos à nossa vivência actual, bem podemos dizer que há muitas instituições que estão a perder credibilidade o que faz com que apareçam os extremos a reivindicar pureza de intenções que, se um dia chegarem ao poder, destruirão toda a esperança em movimentos pouco credíveis.

Era, pois, útil que quem pode e tem poder, se lembre de que o povo só demonstra a sua insatisfação quando já se sente demasiado espezinhado. Quando o copo está cheio e é a gota que o faz transbordar.

Devemos estar atentos, pois a cidadania democrática não se esgota no voto.

28/07/2026

Zé Rainho

Está tudo doido?

 

ESTÁ TUDO DOIDO?

O mundo parece que está transformado num gigantesco manicómio, onde os internos são loucos esquizofrénicos, perigosos.  

Olhamos para a América e o que vemos é assustador. Um presidente narcisista, insensato, belicoso, negociante da pior índole, troca-tintas, errático, doido varrido.

Olhamos para a Rússia e a situação piora. O presidente tem todos os defeitos do americano e ainda se pode acrescentar o de assassino implacável.

Vamos a Israel e é a desgraça total. Para além de assassinar crianças inocentes delapida todo o património moral adquirido pelo povo judeu durante séculos.

Mas se formos para a Ásia não vemos melhor, porque o cinismo do presidente chinês só engana os incautos.

Na África então é o caos total. A fome, a corrupção, as doenças, as violações dos direitos humanos, são inenarráveis.

Por cá, também, temos muito com que nos preocupar. Primeiro por assistirmos a discussões estéreis que só desviam as atenções do que é, verdadeiramente, essencial. E há tanto desse essencial que merecia melhor atenção e decisão.

Atentemos na Habitação, ou melhor, na falta dela. O que está a acontecer é intolerável com os custos inalcançáveis, mas, em vez de se discutirem as causas discutem-se as consequências. Desde logo pelo ordenamento do território que é perfeitamente desadequado ao país que somos e que consome o maior quinhão dos recursos públicos em grandes metrópoles, cada vez mais insaciáveis, deixando o resto do território numa desertificação total. Mas também pelo incentivo à concentração e o desincentivo à dispersão. E ainda pela incapacidade pública de regular o mercado, nem que fosse pela oferta de habitação pública, requalificada ou mesmo nova construção.

Na demografia, o primeiro e mais premente problema nacional, merece menos atenção do que os bobis e os tarecos. Valha-nos o Presidente da República que diagnostica a questão.

Se passarmos para a Educação as coisas não vão melhores e, sem educação, a prazo ,só agravará toda a situação social.

Na Saúde nem é bom falar. O maior sorvedouro do orçamento pratica uma resposta inversamente proporcional ao investimento que anualmente recebe.

Na política, e nos carreiristas da mesma, nem vale a pena falar porque é uma tristeza. A falta de qualidade dos actores é confrangedora. A demagogia é deplorável.

E, para agravar a preocupação, um juiz vem para a comunicação social, acusar todo o sistema de justiça. Tenha ou não razão, a televisão não me parece que seja o meio adequado à solução de eventuais problemas. E, perante o que se ouve, o cidadão comum, que tem da justiça a ideia de que é morosa e pouco justa com os pobres, fica ainda com maiores dúvidas e justificadas desconfianças.

As Organizações e Instituições são aquilo que os seus profissionais quiserem que sejam. Se bem geridas e, responsavelmente, cumpridas todas as regras por todos e cada um, funcionam bem e, se for o contrário, funcionam mal.

Um pequeno exemplo que é um facto: Um doente de idade muitíssima avançada queixa-se de algumas dores. Um profissional de apoio social faz diligências junto da saúde 24. Não conhecemos, a fundo, se as diligências foram ou não as mais correctas, porém os resultados são profundamente negativos. O doente é informado que tem uma consulta marcada na urgência de uma unidade hospitalar que dista sessenta quilómetros da sua residência., quando há outra unidade a cerca de quarenta. O doente não tem mobilidade física e também não tem transporte e o que acontece? O profissional social não faz diligências junto do hospital para que mande uma ambulância e a família vê-se obrigada a recorrer-se de amigos para que transporte o doente. Este precisa de ser transportado, quase ao colo, descendo uma escadaria com cerca de dez degraus até a um automóvel, sem condições de o acondicionar comodamente. Mas instalado, precariamente no veículo, lá se dirige à unidade Hospitalar e, quando chega às urgências, um segurança aparece de imediato solícito com uma cadeira de rodas e ajuda a instalar mais comodamente o doente deslocando-o para o serviço médico.

Comparando a atitude do segurança com os restantes intervenientes neste processo, parece-me que fica claro que este último é eficiente e dignifica a instituição onde trabalha e os outros só as denigrem.

Se queremos um mundo mais são temos de mudar muitas coisas, a começar pela cultura de responsabilidade individual. Penso eu que sou um velho jarreta que já não vele a ponta de um chavelho.

28/05/2026

Zé Rainho

 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Era uma vez

 Era uma vez…

Noutros tempos todas as histórias de encantar ou de adormecer começavam assim: era

uma vez…

Um reino com paisagens maravilhosas, com um mar azul celeste e um céu límpido e

brilhante que se espelhava nele, com clima ameno e convidativo, com montanhas

verdejantes, prenhes de vida e regatos que se espraiavam, ora lânguida, ora

raivosamente, pelo declive, rumo à foz, onde iam adormecer nas planícies.

Os seus habitantes labutavam, incansavelmente, para produzir os alimentos necessários

à sustentação arando a terra e a sua vida era pouco menos que miserável.

O reino, sociedade organizada em torno de um regime monárquico tinha um rei que se

pavoneava pelas cidades onde a populaça se acotovelava na esperança de receber do

seu senhor um sinal de esperança para a melhoria da sua vida desgraçada, suplicando

para que não fosse sobrecarregada com impostos, pois o que produzia já não dava para

alimentar os seus e cumprir com as obrigações fiscais.

O rei a todos prometia amanhãs que cantam, que os milhões vão chegar aos bolsos das

famílias e das empresas, que já tem destinado muitos milhões para tratar da saúde de

toda a gente, da educação de todas as crianças e jovens, do emprego de todos os

profissionais com idade e capacidade de produzir e tornar o país um dos mais

desenvolvidos e ricos do universo. Até afirma, com toda a veemência, que o país cresce a

um ritmo maior do que o resto do mundo.

O rei, no seu afã de agradar aos seus súbditos, particularmente aos da sua feição, não se

esquece de dizer que ao mesmo tempo que tem o melhor serviço nacional de saúde e

uma escola pública de qualidade, com médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e

professores bem remunerados e muito felizes nos seus locais de trabalho, também vai

exigir que a justiça funcione com rapidez, eficiência e equidade, para que no reino todos

tenham as mesmas oportunidades e sejam tratados de forma igual.

Mas no concerto das nações o rei também tem de mostrar aos outros reis que respeita as

regras da transição energética, dos direitos humanos, da descarbonização urgente, para

colmatar os efeitos das alterações climáticas, do défice, das contas públicas e por aí

afora.

O povo no seu afã de sobrevivência vai vivendo na esperança de que com este rei a vida

vai ser menos penosa. Que deixam de se ver pessoas deitadas em cartões sujos no meio

das ruas, porque não têm casa para morar. Que vai deixar de ser preciso a solidariedade

de todos para que ninguém passe fome. Que vão ver os seus filhos aceder aos empregos

melhor remunerados porque estudaram muito e são muito competentes nas profissões

para que se prepararam durante muitos anos e não serão ultrapassados pela corte de

bajuladores encartados, ignorantes, incompetentes e desonestos que pululam ao redor do

rei e da corte partidária e parasitária.

Mas os dias e os anos vão passando e a esperança vai esmorecendo porque, apesar de

cada vez se pagarem mais impostos para satisfazer as pretensões do rei o resultado que

se vê é o desbaratar do dinheiro de todos em proveito de, apenas alguns, sempre os

mesmos, que se banqueteiam com opíparos manjares, enquanto os que,

verdadeiramente, trabalham e produzem se vêem esbulhados dos seu parcos haveres.

Assiste-se a um compadrio e nepotismo inusitado com membros do governo e alcaides a

repartirem entre si o esbulho que permanentemente, praticam com o povo.

A corte, principescamente paga, cada vez mais arrecada privilégios como automóveis

topo de gama ou, em alternativa, cheques mensais para utilização da UBER, permite-se

dar emprego a cônjuges de ex-ministros e até de preparador físico, próprio ou conjugal.

Benefícios a empresas privadas que reservam lugares para todos os que deixarem de

mamar no orçamento público.


Os alcaides, em cambalacho com empreiteiros, permitem construções em cima de linhas

de água, desviando o curso normal que depois provocam cheias e derrocadas que todo o

povo tem de pagar e não se passa nada, ninguém é responsável.

Os ajustes directos dos organismos públicos com os amigos e amigos dos amigos para

que nenhum intruso possa aceder, através de concurso, aos recursos públicos é prática

generalizada.

O fartar da vilanagem que rodeia o rei e com o seu beneplácito traz contentes mesmo

aqueles que só recolhem migalhas.

Não há dia ou semana que não apareça mais um escândalo, mais uma vil atitude da

casta que tudo suga e esmifra.

Por assistir à falta de vergonha massiva que grassa nos meandros reais o velho artesão

que toda a sua vida trabalhou, incansavelmente, e que viu os seus filhos, apesar do

esforço de toda a família e de eles próprios, terem obtido diplomas de alto gabarito,

mesmo assim não terem nenhuma oportunidade de singrar na vida e que, por isso

mesmo, tiveram que emigrar para outros reinos mais justos, menos corruptos onde os,

respectivos Reis e cortes são frugais e parcimoniosos na aplicação dos dinheiros

públicos, cada vez se sente mais desanimado e descrente.

O velho morre de saudade dos seu filhos e vê o futuro dos netos cada vez mais sombrio.

Vê perpetuar-se no poder uma casta que não augura nada de bom. Assim, ainda que com

repugnância, passou a dizer aos netos: não façais como os vossos pais que se mataram

a estudar e a aprender para, honestamente, melhorarem a sua vida e só o conseguiram

longe da família, vós juntai-vos à corte partidária do rei, não sejais tão íntegros, porque

isso será o suficiente para terdes uma vida de nababo e a coberto de qualquer

sobressalto.

Os velhos têm poucas coisas de que se orgulhar mas as lições da vida é uma excepção

que lhes faz ver as coisas com maior clarividência. .

Esta é uma história de ficção, qualquer semelhança com a realidade de algum reino é

pura coincidência.

14/01/2023

Zé Rainho

terça-feira, 28 de abril de 2026

Abril de 1974

 É no passado que se alicerça o presente e se projecta o futuro.

Dito isto, de forma tão peremptória, importa salientar que, não se esquecendo o passado, o mais importante para a vida em comunidade, para a sociedade como um todo, é projectar o futuro.
Se os meus pais viveram melhor que os meus avós e eu vivo melhor do que os meus pais, eu seria um néscio se não almejasse e lutasse para que as minhas filhas vivam melhor do que eu. Estamos de acordo?
Então porque é que numa data tão importante como foi o 25 de Abril quase só se fale do passado, se endeusem as múmias, e não se alerte para o futuro e não se exija que o poder se esforce para projectar um futuro melhor, mais digno, mais fraterno, mais auspicioso?
Faça-se justiça ao Presidente da República que não se esqueceu de incentivar os jovens para a exigência, para a luta diária e permanente na defesa das conquistas, mas também, para a responsabilidade de as melhorar, de as aperfeiçoar.
Lembrar o passado não pode, sob pena de estagnação, deixar de apontar as deficiências que podem hipotecar o futuro.
Lembrar o passado não pode ser culpar sem apontar alternativas, mais e melhores práticas.
Passados 52 anos do 25 de Abril de 1974 já é tempo de mudar o figurino folclórico, arcaico, conservador, para uma festa moderna de rasgar horizontes e olhar para as sociedades mais desenvolvidas para as imitarmos nos seus aspectos mais relevantes.
Acho eu, que não percebo nada de nada.
26/04/2026
Zé Rainho

sábado, 25 de abril de 2026

COISAS DA VIDA!

 Coisas da vida!

As coisas da vida, pelo menos para mim, não se reduzem a preto e branco, nem nunca se ficaram por aí. Gosto de matizes, de arco-íris rompendo as nuvens.
Os acontecimentos seguem o mesmo pragmatismo. Gosto de os ver coloridos, nem que seja para lhes descobrir o contraste.
Hoje celebra-se um Dia que, como é óbvio, é repleto de cores. Para uns o vermelho dos cravos muitas vezes numa mistura indelével com o vermelho da bandeira da foice e do martelo importada da União Soviética. Para outros o Rosa de um socialismo nem carne nem peixe, onde cabem todos e onde ninguém se sente, verdadeiramente integrado e representado. Para outros um laranja cada vez mais desmaiado, por querer ter um pé nas duas margens do rio que conduz ao Poder. Não é de esquerda, nem de direita, antes pelo contrário. O amarelo de uma Democracia Cristã, sempre muito minoritária, cuja postura lhe permite estar de bem com Deus e com o diabo e lá vai, num jogo de cintura complexo, equilibrando-se e matizando ora o rosa, ora o laranja. Não ganha tudo mas apara umas migalhas que caem do prato profundo que é o Orçamento.
Há outras cores que, não merecem referência, pela insignificância da luz que transmitem.
Tudo isto para falar do 25 de Abril de 1974. Teve coisas boas, menos boas e muito, muito más.
Não nos detendo em muitas delas porque a História se encarregará de as escalpelizar, importa reflectir sobre aquilo que consideramos mais importante recordarmos hoje, quarenta anos depois. Reparem que é um número redondo, o que não é despiciendo, para este tipo de análise. Quarenta anos é, simultaneamente, muito e pouco tempo. É muito tempo para quem sofre com o poder instalado, cheio de vícios, de desperdícios, mordomias de uns, poucos, e a desgraça, a dor e o sofrimento de muitos que acreditaram que o 25 de Abril era para todos e não só para alguns.
É pouco tempo para se fazerem todas as mudanças que são necessárias à transformação de uma sociedade, anquilosada durante outras tantas décadas.
Celebramos hoje a restauração da Democracia no 25 de Abril de 1974. Para muitos esta afirmação faz pouco sentido, porque pensam que o País viveu sempre em ditadura, é um erro.
Democracia, vocábulo que deriva do Grego, que significa, grosso modo, o governo do povo. Ora o que nós temos assistido nestes quarenta anos é que o povo nunca governou, senão tê-lo-ia feito em seu proveito mas foram uns privilegiados burgueses que se auto-intitularam representantes do povo e têm-se governado a si e aos seus apaniguados esquecendo-se do povo e da soberania que lhe pertence por direito e por justiça, num regime democrático.
Os militares que, com um Golpe de Estado Corporativo, derrubaram o anterior regime político tinham, no seu programa, três objectivos muito concretos. "Democratizar, Descolonizar e Desenvolver". Todos este objectivos ainda hoje estão por concretizar.
Vivemos numa democracia plena? Não. Um País que é considerado o 3º mais corrupto da Europa a que pertencemos e onde não há corruptos encarcerados, não é um País Democrático; Um País onde se privilegia o individual, o privado, em detrimento do colectivo, não é uma Democracia.
Descolonizar. Sim descolonizou-se da forma mais aberrante, não só pelo que aconteceu às pessoas que representavam o poder colonial mas, e principalmente, pelas ditaduras que deixaram instalar nos países descolonizados, com as consequências de miséria, fome, doença, insalubridade, injustiças para a maioria dos povos, incluindo nestes os ex-combatentes contra o poder colonial e promoveu uma oligarquia de ladrões que se tornaram, em muitos casos, colonizadores do anterior País colonial.
Desenvolver nem vale a pena falar. Temos auto-estradas para quê? Para enriquecer mais os mais ricos e desertificar o País. Temos Escolas Públicas que não conseguem concorrer com as privadas porque estas são subsidiadas pelo Estado e pelos pais das crianças e jovens e aquelas apenas são, mal, subsidiadas pelo Estado.
Vale a pena referir mais dois sectores. Destruíram a agricultura nacional, as pescas, a indústria. Não somos auto-suficientes em nada. Logo, não há desenvolvimento.
Apostou-se na prestação de serviços que não produz valor acrescentado, na maior parte das situações, e penalizou-se tudo aquilo que poderia ser uma mais-valia do Povo.
Para culminar e para não maçar, porque muito mais haveria para dizer, entretém-se o mesmo povo com festas, foguetório, fanfarras e comes e bebes à custa do Erário Público, para que este esqueça os problemas com que se debate no dia a dia e não se lembre de que muitos dos sacrifícios porque passa são causados por este tipo de desperdícios e outros similares. No anterior regime dizia-se que "com papas e bolos se enganam os tolos" e apostava-se na trilogia "futebol, fado e Fátima" hoje aposta-se nas papazanas para manter o povo na ignorância de que, bem no fim das contas, é ele que paga aquilo que julga comer de borla.
Tenho pena que seja assim. Mas com esta visão das coisas que ou são pretas ou são brancas, ou são por nós ou contra nós, não iremos longe e não conseguiremos assistir a um País verdadeiramente Democrático, verdadeiramente Desenvolvido e quanto à descolonização corremos o risco inverso. Hoje, dia 25 de Abril de 2014 estamos sob resgate de credores usurários que não nos deixam respirar a nós e, com certeza, não deixarão nascer novos portugueses de raça.
Zé Rainho

sexta-feira, 24 de abril de 2026

DEGRADAÇÃO!

 DEGRADAÇÃO!

Nos últimos dias temos assistido a factos que não cabem nem no imaginário mais criativo.
O Governo, através das suas ministras da Presidência e dos Assuntos parlamentares, respectivamente Mariana Vieira da Silva e Ana Catarina Mendes afirma, oralmente e por escrito, que o governo não entrega, à CPI (Comissão Permanente de Inquérito), o parecer que fundamenta o despedimento da CEO da TAP e do Presidente da mesma empresa, porque a sua divulgação pode prejudicar o interesse público. Por sua vez, o ministro das Finanças, Fernando Medina, afirma perante os deputados no Parlamento, que não há parecer nenhum e é essa a razão de não o poder apresentar.
Em que é que ficamos? Há ou não há parecer? Se há, o ministro das finanças mentiu aos representantes do povo, logo mentiu ao povo e a um servidor do povo não lhe é permitido que minta. Se não há parecer o ministro diz a verdade e cumpre assim o seu dever, mas, então, as ministras mentiram. E, se mentiram, têm de ser penalizadas, porque não estão a cumprir com os deveres de lealdade para com o povo português.
Na conjuntura actual em que a pobreza extrema apresenta números muito preocupantes o Estado, todos nós contribuintes, não se pode dar ao luxo de desperdiçar dinheiro com, eventuais, condenações em tribunal que, ao que tudo indica, é o que vai acontecer e que vai fazer ver à populaça, que a indemnização à administradora que foi despedia da TAP, Alexandra Reis, são trocos, comparados com os milhões que vão ter que pagar à CEO despedida na televisão por dois ministros com pouco sentido de Estado, para dizer o mínimo.
O actual governo demonstra-nos, à evidência, que confunde e mistura os interesses do Partido com os interesses do país e, na maioria das vezes, em favor daquele e em detrimento deste.
Já vivemos situação similar em épocas recuadas e o resultado nunca foi bom. Lembremo-nos de Afonso Costa, o homem do chicote de nove rabos, de Salazar, entre outros. Temos exemplos de outras latitudes e doutros tempos em que o rei dizia que o estado sou eu – Luis XIV, L’ Etat c’est moi – numa demonstração de poder absoluto e as coisas também não correram bem.
Numa altura em que celebramos mais tempo de liberdade, conquistada com o 25 de Abril de 1974, do que durou a ditadura do Estado Novo assistimos, com muita desilusão, a esta degradação governativa e presenciamos, cada vez maior, autoritarismo, a todos os títulos reprovável. Vemos um silêncio ensurdecedor do PM. Sentimos um poder musculado para com os contestatários, que são muitos, desde professores a médicos, de agricultores a inquilinos e senhorios, de empresários a trabalhadores dos mais diversos sectores de actividade.
Damos conta do desmantelamento do serviço nacional de saúde, da destruição da escola pública, do desprestigio da justiça, das forças armadas, das forças de segurança, de tudo aquilo que é o alicerce de uma verdadeira e autêntica democracia e não podemos assobiar para o lado.
Quando o 25 de Abril de 1974 faz 49 anos não podemos deixar de questionar a classe dirigente sobre o que é que andam a fazer? O que esperam que aconteça para arrepiarem caminho? E, sobretudo, pedir-lhe que não façam de nós otários. Que não nos mintam. Que respeitem a confiança que depositamos neles quando votamos.
24/04/2023
Zé Rainho

USURPAÇÃO!

 USURPAÇÃO!

Na noite de 24 de Abril, madrugada e dia 25 de Abril de 1974, um capitão honrado e patriota, Salgueiro Maia, entrou de peito feito, em Lisboa, vindo de Santarém, com a sua tropa, disposto a tudo e este tudo era dar a própria vida, pela causa em que acreditava.
Profissional, organizado, competente, dialogante, assertivo, determinado, apostado no bem comum e não no seu umbigo, chegou ao Centro do Poder vigente e, franca, honradamente e com probidade, disse ao Primeiro-ministro que estava preso em nome do povo e da revolução que ele ali representava. Que era bom que se rendesse e entregasse o Poder para evitar derramamento de sangue.
O Primeiro-ministro de então, Professor Marcelo Caetano, com semelhante honradez, dignidade e educação disse que se rendia desde que passasse o poder para as mãos de um oficial general e não o faria a um simples capitão. Que mandasse chamar o General Spínola, um general desalinhado consigo e com o seu programa político, mas que considerava um Homem de Estado e assim entregaria o poder sem reservas.
O capitão Salgueiro Maia, dignamente, com o mesmo sentido de responsabilidade, mandou recado a Spínola para se encontrar com Caetano e os três definiram os termos da rendição sem violência nem caos.
Por estas razões objectivas, o 25 de Abril de 1974 foi uma transição pacífica de regime e uma festa apoiada pelo povo e, por isso e só por isso, não houve revolta nem tiroteio, usual em muitos golpes de estado.
Consequentemente, o 25 de Abril é um dia da liberdade total, sem peias ou condicionamento. A liberdade é de todos e para todos, sem restrições, mesmo para os inimigos da liberdade e, por isso mesmo, não é propriedade de ninguém, mas património de todos.
Talvez, tenha sido esta a dimensão de liberdade que permite que, passados 48 anos, ande por aí uma tribo, diminuta mas ruidosa, a querer, ilegitimamente, apoderar-se de um património que é de toda uma pátria, uma nação, um povo, apresentando-se perante a opinião publicada com uma superioridade moral, que não possui, nem merece, por todo um historial de atitudes antidemocráticas que é a sua práxis. Até se arroga o direito de influenciar a decisão do político legitimamente eleito, sobre quem deve ou não condecorar com a Ordem da Liberdade ao reivindicar que Spínola não deve ser condecorado. Eu também não concordo com a decisão de atribuir esta Ordem a Rosa Coutinho e Vasco Gonçalves, mas sinto que não tenho o direito de mandar recado ao Presidente da República para aceitar, como bom, este meu pensamento.
Serenidade e bom senso é uma lição do 25 de Abril, não os defraudemos.
24 de Abril de 2022
Zé Rainho