ESTÁ TUDO DOIDO?
O mundo parece que está transformado num gigantesco manicómio,
onde os internos são loucos esquizofrénicos, perigosos.
Olhamos para a América e o que vemos é assustador. Um
presidente narcisista, insensato, belicoso, negociante da pior índole, troca-tintas,
errático, doido varrido.
Olhamos para a Rússia e a situação piora. O presidente tem
todos os defeitos do americano e ainda se pode acrescentar o de assassino implacável.
Vamos a Israel e é a desgraça total. Para além de assassinar crianças
inocentes delapida todo o património moral adquirido pelo povo judeu durante
séculos.
Mas se formos para a Ásia não vemos melhor, porque o cinismo
do presidente chinês só engana os incautos.
Na África então é o caos total. A fome, a corrupção, as
doenças, as violações dos direitos humanos, são inenarráveis.
Por cá, também, temos muito com que nos preocupar. Primeiro
por assistirmos a discussões estéreis que só desviam as atenções do que é,
verdadeiramente, essencial. E há tanto desse essencial que merecia melhor
atenção e decisão.
Atentemos na Habitação, ou melhor, na falta dela. O que está
a acontecer é intolerável com os custos inalcançáveis, mas, em vez de se discutirem
as causas discutem-se as consequências. Desde logo pelo ordenamento do
território que é perfeitamente desadequado ao país que somos e que consome o
maior quinhão dos recursos públicos em grandes metrópoles, cada vez mais
insaciáveis, deixando o resto do território numa desertificação total. Mas também
pelo incentivo à concentração e o desincentivo à dispersão. E ainda pela
incapacidade pública de regular o mercado, nem que fosse pela oferta de habitação
pública, requalificada ou mesmo nova construção.
Na demografia, o primeiro e mais premente problema nacional,
merece menos atenção do que os bobis e os tarecos. Valha-nos o Presidente da
República que diagnostica a questão.
Se passarmos para a Educação as coisas não vão melhores e,
sem educação, a prazo ,só agravará toda a situação social.
Na Saúde nem é bom falar. O maior sorvedouro do orçamento
pratica uma resposta inversamente proporcional ao investimento que anualmente
recebe.
Na política, e nos carreiristas da mesma, nem vale a pena
falar porque é uma tristeza. A falta de qualidade dos actores é confrangedora. A
demagogia é deplorável.
E, para agravar a preocupação, um juiz vem para a comunicação
social, acusar todo o sistema de justiça. Tenha ou não razão, a televisão não me
parece que seja o meio adequado à solução de eventuais problemas. E, perante o
que se ouve, o cidadão comum, que tem da justiça a ideia de que é morosa e
pouco justa com os pobres, fica ainda com maiores dúvidas e justificadas
desconfianças.
As Organizações e Instituições são aquilo que os seus
profissionais quiserem que sejam. Se bem geridas e, responsavelmente, cumpridas
todas as regras por todos e cada um, funcionam bem e, se for o contrário,
funcionam mal.
Um pequeno exemplo que é um facto: Um doente de idade
muitíssima avançada queixa-se de algumas dores. Um profissional de apoio social
faz diligências junto da saúde 24. Não conhecemos, a fundo, se as diligências
foram ou não as mais correctas, porém os resultados são profundamente
negativos. O doente é informado que tem uma consulta marcada na urgência de uma
unidade hospitalar que dista sessenta quilómetros da sua residência., quando há
outra unidade a cerca de quarenta. O doente não tem mobilidade física e também
não tem transporte e o que acontece? O profissional social não faz diligências
junto do hospital para que mande uma ambulância e a família vê-se obrigada a
recorrer-se de amigos para que transporte o doente. Este precisa de ser
transportado, quase ao colo, descendo uma escadaria com cerca de dez degraus
até a um automóvel, sem condições de o acondicionar comodamente. Mas instalado,
precariamente no veículo, lá se dirige à unidade Hospitalar e, quando chega às
urgências, um segurança aparece de imediato solícito com uma cadeira de rodas e
ajuda a instalar mais comodamente o doente deslocando-o para o serviço médico.
Comparando a atitude do segurança com os restantes
intervenientes neste processo, parece-me que fica claro que este último é
eficiente e dignifica a instituição onde trabalha e os outros só as denigrem.
Se queremos um mundo mais são temos de mudar muitas coisas, a
começar pela cultura de responsabilidade individual. Penso eu que sou um velho
jarreta que já não vele a ponta de um chavelho.
28/05/2026
Zé Rainho
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