quinta-feira, 28 de maio de 2026

Está tudo doido?

 

ESTÁ TUDO DOIDO?

O mundo parece que está transformado num gigantesco manicómio, onde os internos são loucos esquizofrénicos, perigosos.  

Olhamos para a América e o que vemos é assustador. Um presidente narcisista, insensato, belicoso, negociante da pior índole, troca-tintas, errático, doido varrido.

Olhamos para a Rússia e a situação piora. O presidente tem todos os defeitos do americano e ainda se pode acrescentar o de assassino implacável.

Vamos a Israel e é a desgraça total. Para além de assassinar crianças inocentes delapida todo o património moral adquirido pelo povo judeu durante séculos.

Mas se formos para a Ásia não vemos melhor, porque o cinismo do presidente chinês só engana os incautos.

Na África então é o caos total. A fome, a corrupção, as doenças, as violações dos direitos humanos, são inenarráveis.

Por cá, também, temos muito com que nos preocupar. Primeiro por assistirmos a discussões estéreis que só desviam as atenções do que é, verdadeiramente, essencial. E há tanto desse essencial que merecia melhor atenção e decisão.

Atentemos na Habitação, ou melhor, na falta dela. O que está a acontecer é intolerável com os custos inalcançáveis, mas, em vez de se discutirem as causas discutem-se as consequências. Desde logo pelo ordenamento do território que é perfeitamente desadequado ao país que somos e que consome o maior quinhão dos recursos públicos em grandes metrópoles, cada vez mais insaciáveis, deixando o resto do território numa desertificação total. Mas também pelo incentivo à concentração e o desincentivo à dispersão. E ainda pela incapacidade pública de regular o mercado, nem que fosse pela oferta de habitação pública, requalificada ou mesmo nova construção.

Na demografia, o primeiro e mais premente problema nacional, merece menos atenção do que os bobis e os tarecos. Valha-nos o Presidente da República que diagnostica a questão.

Se passarmos para a Educação as coisas não vão melhores e, sem educação, a prazo ,só agravará toda a situação social.

Na Saúde nem é bom falar. O maior sorvedouro do orçamento pratica uma resposta inversamente proporcional ao investimento que anualmente recebe.

Na política, e nos carreiristas da mesma, nem vale a pena falar porque é uma tristeza. A falta de qualidade dos actores é confrangedora. A demagogia é deplorável.

E, para agravar a preocupação, um juiz vem para a comunicação social, acusar todo o sistema de justiça. Tenha ou não razão, a televisão não me parece que seja o meio adequado à solução de eventuais problemas. E, perante o que se ouve, o cidadão comum, que tem da justiça a ideia de que é morosa e pouco justa com os pobres, fica ainda com maiores dúvidas e justificadas desconfianças.

As Organizações e Instituições são aquilo que os seus profissionais quiserem que sejam. Se bem geridas e, responsavelmente, cumpridas todas as regras por todos e cada um, funcionam bem e, se for o contrário, funcionam mal.

Um pequeno exemplo que é um facto: Um doente de idade muitíssima avançada queixa-se de algumas dores. Um profissional de apoio social faz diligências junto da saúde 24. Não conhecemos, a fundo, se as diligências foram ou não as mais correctas, porém os resultados são profundamente negativos. O doente é informado que tem uma consulta marcada na urgência de uma unidade hospitalar que dista sessenta quilómetros da sua residência., quando há outra unidade a cerca de quarenta. O doente não tem mobilidade física e também não tem transporte e o que acontece? O profissional social não faz diligências junto do hospital para que mande uma ambulância e a família vê-se obrigada a recorrer-se de amigos para que transporte o doente. Este precisa de ser transportado, quase ao colo, descendo uma escadaria com cerca de dez degraus até a um automóvel, sem condições de o acondicionar comodamente. Mas instalado, precariamente no veículo, lá se dirige à unidade Hospitalar e, quando chega às urgências, um segurança aparece de imediato solícito com uma cadeira de rodas e ajuda a instalar mais comodamente o doente deslocando-o para o serviço médico.

Comparando a atitude do segurança com os restantes intervenientes neste processo, parece-me que fica claro que este último é eficiente e dignifica a instituição onde trabalha e os outros só as denigrem.

Se queremos um mundo mais são temos de mudar muitas coisas, a começar pela cultura de responsabilidade individual. Penso eu que sou um velho jarreta que já não vele a ponta de um chavelho.

28/05/2026

Zé Rainho

 

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