quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Percepções!

 

PERCEPÇÕES!

Percepções é um dos vocábulos mais em voga na opinião publicada. São estudos, são gráficos, são rankings, que a indicam. Um desses índices apresenta-nos Portugal a piorar no que concerne à percepção da corrupção, num mundo cada vez mais corrupto e mais venal.

Percepções são sensações baseadas em factos individuais que, facilmente, entram no domínio da generalização por parte das pessoas. Isto tudo acontece porque, de facto, tem um fundo de verdade. Não cai do céu aos trambolhões, mas baseia-se em acontecimentos sentidos por alguém em algum lugar.

E de quem é a culpa? Se calhar é de todos nós que não nos incomodamos com as pequenas ou as grandes cunhas, com as pequenas ou grandes gorjetas dadas aos servidores públicos para safar uma multa ou para engendrar uma solução para o nosso problema, sem que nos importemos se isso atropela alguém que estava à nossa frente na fila.

Mas, certamente, a culpa é da política e dos políticos, da justiça e dos seus agentes que, com maiores responsabilidades, não acautelam a equidade entre todos os cidadãos, protegem a impunidade de alguns e não punem, exemplarmente e em tempo útil, os prevaricadores.

Quando deputados e membros de órgãos do Estado aparecem, em catadupa, a ser investigados por crimes cometidos, particularmente contra o bem público, demonstram que a política é frequentada por gente sem escrúpulos, o que torna uma nobre actividade num chiqueiro nauseabundo.

Quando a justiça demora eternidades a apurar responsabilidades criminais e deixa prescrever muitos dos crimes por ultrapassar os prazos previstos na Lei demonstra que não é justiça e que não é justa, principalmente, para os mais frágeis e os mais desprotegidos. Basta atentar na última prescrição que aconteceu com o cartel da Banca que deixou de pagar muitos milhões de euros que foram surripiados aos clientes numa atitude, comprovadamente, criminosa.

Assim, não admira que o País, a Nação, não fique bem na fotografia que aprecia os níveis de corrupção e nos coloque ao nível de países do terceiro mundo, deixando, deste modo, de ser percepções e passam a ser factos reais.

Isto leva-nos a intuir que os corruptos são, na maioria, políticos e, como os políticos são eleitos e filhos do povo é fácil aduzir que o povo é corrupto, na sua essência. É duro constatar isto, mas não há como evitar.

Como é que todo este imbróglio se pode resolver? Com educação, com formação permanente e ao longo da vida, com sentido ético e valores morais, com censura permanente do chico-espertismo popular, do oportunismo, da cunha, do egoísmo, bem ilustrado pelo ditado popular que diz: “em cama estreita nós na frente”.

Se queremos ombrear com os países mais transparentes com níveis de vida mais arejado e mais limpo temos de mudar muita coisa logo a partir da infância. Mas um país membro da União Europeia não pode, ou não deve, ficar conhecido como um lugar frequentado por gente desonesta e corrupta.

12/02/2025

Zé Rainho

 

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