domingo, 18 de novembro de 2012

Justiça

A Justiça em Portugal sempre me deixou estupefacto. Mas, desta vez, deixa-me atónito. Falo da acusação a Duarte Lima. 
Pensem comigo: - Há ou houve investigação sistemática, rigorosa, objectiva sobre a pretensa Fraude no BPN? (Falo em pretensa devido à presunção de inocência de todos os suspeitos ou mesmo arguidos).
Se houve ou há já tem resultados? Se tem resultados, estes só chegaram umas horas antes de terminar o prazo para a libertação do suspeito? Ou já havia provas há tempos atrás e a PGR deixou correr o marfim?
Seja de que forma for não deixa de ser bizarro tal comportamento. Quer se olhe sob o ponto de vista mediático quer sob o ponto de vista da Justiça, pura e dura, não deixa de ser curioso que situações destas aconteçam. É que dá a sensação que os poderosos estão cobertos até ao limite e, por vezes para além do limite, pois muitos dos crimes prescrevem. Ao contrário o "pilha galinhas" é imediatamente enclausurado até que o mesmo possa provar a sua inocência. Inverte-se aqui o ónus da prova e, ao contrário, os que podem ir de recurso em recurso até à libertação e inocentação total. Exemplos não faltam: Melancias, Sócrates, Felgueiras, Valentins, Limas, Loureiros, Isaltinos, Varas, Penedos e tantos outros que seria fastidioso enumerar.
Se isto é Justiça, quem nos dera uma Injustiça mais humana.

sábado, 13 de outubro de 2012

Não seria necessário!!!

Não seria necessário lembrar que temos, pela primeira vez, uma mulher na Presidência da Procuradoria Geral da República. Não seria necessário se não fosse, precisamente, a primeira vez. O Sistema de Justiça é tão vetusto que deveria ser normal a substituição de uma personalidade por outra sem que o sexo fosse uma novidade. Mas não é assim. Infelizmente, só agora temos uma Senhora aos comandos da PGR.
Não sei se é bom ou se é mau. Sei que é diferente e, só por isso, merece o meu respeito e a minha esperança num mandato que dignifique a Justiça para todos. As minhas felicitações à Senhora Procuradora Geral da República e a quem teve a coragem de a indicar e nomear. É destes exemplos que Portugal precisa para se erguer, para ter horizontes, para ser audaz.
O tempo fará história do que nos próximos seis anos se passar no Ministério Público, mas eu acredito que será uma história edificante. Espero que o tempo me dê razão. É bom para mim, é bom para ti, é bom para todos, excepto para os criminosos. Melhor, até para os criminosos será bom, pois ver-se-ão confrontados com os seus erros e com a possibilidade de os corrigirem para seu bem e de toda a sociedade.
Do PGR cessante ainda não é o tempo de se fazer uma avaliação exaustiva mas fica a ideia de que muita coisa se passou que não abona a seu favor. Dizia que se sentia a rainha de Inglaterra e, porventura, até podia ser verdade mas, o que passa para a opinião pública, é um certo laxismo, uma certa protecção aos poderosos, uma certa desinformação, fazendo crer que há muitos e escabrosos casos mas que, no fim de muitos anos, tudo ficou na mesma. Pode-se ser injusto com esta apreciação mas é o que parece.
Veremos agora se a nova PGR tem outra postura e não se sente nem mais nem menos do que verdadeiramente é e leva adiante todos os casos por mais incómodos que sejam, por mais tubarões que envolvam, e faça com que a Justiça seja um pilar no qual se acredite sem reservas. Oxalá.

sábado, 22 de setembro de 2012

Só Ares

Não sei o que se passa com este senhor! Ou talvez saiba e nem queira acreditar. Este espécimen, que já tem longa vida, beneficiou sempre, da indulgência deste infeliz povo. Desde o exílio dourado em S. Tomé e em Paris até hoje em Lisboa. Já alguém viu a C.S. apontar os milhões que gastou e continua a gastar, à nossa custa? Já alguém viu a C. S. apontar o dedo a um indivíduo que nasceu de rabo para a lua e continua a beneficiar do silêncio e, muitas vezes, do elogio bacoco e da cumplicidade para com este tipo de gente que, no seu currículo, apenas tem a pseudo-luta antifascista, que aproveitou sempre e só, em benefício próprio e dos seus? Quem não se lembra do desaforo que teve para com o GNR que o escoltava na sua famosa presidência aberta? Quem não se lembra de que este senhor apenas foi bom em cavalgar a onda? Em apostar no cavalo certo? Saber rodear-se de amigos que lhe aplanaram o caminho?
Quem não vê os seus comentários e a sua verborreia espalhada por alguns jornais que, também, vivem à nossa custa, não lhe vem à memória os seus gastos sumptuosos, a prendas que recebeu e que guarda na sua casa das Cortes de Leiria?
E o que ontem fez quando abandonou uma reunião a que é obrigado a assistir, quer concorde quer não, e que recebe e usufrui de mordomias por pertencer a este clã?
Será que esta gente não aprende e vê, "claramente visto", que esta espécie  é que é responsável pelo estado de coisas que vivemos hoje?
Será que a pseudo-liberdade vale tanto sacrifício? Quando é que teremos coragem de correr com esta parasitagem?
Quem vive de cócoras jamais se livrará da dor de costas. Por mim, prefiro dor de pernas e de cabeça, mas vivo e pretendo morrer de pé.

domingo, 9 de setembro de 2012

A Culpa!

Não sei se a análise que se segue está correcta. Não estudamos Economia. Sabemos o que vemos. E, do que vemos, inferimos:
Pelos vistos só o Trabalho é que se endividou e, consequentemente, tem de pagar as favas. Pelos vistos os que desfalcaram (roubaram) o BPN e o BPP são anjinhos, nós sim, somos culpados.
O estado tem de pagar os erros de governações sucessivas e, como está bem de ver, tem de ir aos bolsos a quem trabalha. De fora ficam os políticos, os patrões, os banqueiros, os especuladores e outros privilegiados deste país.
Isto poderá querer dizer que só o trabalho é que pode salvar este Portugal desgraçado. Isto pode querer dizer que só o trabalho é produtivo. O resto é parasitagem.
O PM não sabe, não quer, tem medo, é incapaz ou é tudo junto e não consegue bater de frente com os poderosos. Não consegue diminuir os salários dos gestores, mesmo os da empresas do Estado, que dão prejuízos sobre prejuízos. Não se atreve a mexer, reduzindo, o número de Juntas de Freguesia, inúteis porque sobrepostas, como é o caso das sedes dos concelhos - apenas um exemplo - não consegue aprovar legislação que diminua o número de deputados, de membros das Autarquias, de Câmaras Municipais, de Empresas do Estado, Fundações, Institutos Públicos, etc., etc., etc.
Anuncia que vai fazer e não faz rigorosamente nada, excepto apertar o cinto a quem trabalha. A estes é lesto em, cada dia que passa, reduzir o poder de compra, reduzir o emprego, e tirar a vida e os haveres de vidas de trabalho e sacrifício.
O homem quer parecer ser simpático, quer parecer que é sensível às dores de quem ele espolia, mas soa a falso. Aquele ar de pessoa normal contrasta com o do Sócrates mas, na essência, não é melhor. Aplica a mesma receita e sobrecarrega sempre os mesmos, por cobardia ou desconhecimento. Não tem força para cortar no desperdício, no supérfluo e arrasa no essencial. É triste.
Há cerca de quatro décadas que deixamos que a Hidra cresça e prospere sem limites, sem pudor e sem vergonha. É tempo demais para um regime tão injusto. Diz-se que é democrático, que é livre, que é avançado e contrasta com o anterior. É mentira, porque é falso, porque é indigno, porque é injusto, porque é, apenas, dos espertos, porque possibilita que se chame gatuno ao PM mas coarta a vida dos jovens e dos velhos.
É, profundamente, antidemocrático quando penaliza apenas, e só, os trabalhadores e os pensionistas. É, antidemocrático, quando retira a esperança aos pobres e permite o desbragado luxo de uma elite parasitária, medíocre e incompetente, mas poderosa desde o berço ou das falcatruas que o dinheiro lhe proporciona. 
É culpa nossa. Vimos, ouvimos e lemos e ignorámos. O nosso laxismo levou-nos a esta podridão.
Mas já basta! É preciso, é premente, é urgente, é imperioso, é patriótico, mudar de regime, de política e de políticos. É preciso apostar na seriedade, na justiça, na concórdia, expurgando da sociedade os tumores que a corrompem e a maltratam.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O tempo passa!!!

O tempo passa, já vamos para lá do meio do ano e todos os dias ouvimos notícias de arrasar. 
Não há boa nova que nos valhe. 
São os mortos na estrada. É o défice que não se cumpre, apesar de nos roubarem o subsídio de férias e de natal. São as falcatruas denunciadas mas nunca penalizadas.
Isto já não é crise é um inferno.
Quem dera que passe o ano, ou passe o governo, ou passe a Merkel, ou passem todos os cretinos deste país que se vê explorado por uma infinidade de oportunistas e ladrões.
Para quando uma vassourada nesta cambada?
Temos de fazer alguma coisa. A vida assim é insuportável. Nem é tanto pela falta de dinheiro, que é muita e muito preocupante, mas é mais pela falta de esperança num amanhã melhor, diferente.
Não há paciência.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Ismo (1)

É dos dicionários que o capitalismo é um regime económico e social em que os meios de produção são propriedade privada e em que os preços são fixados livremente, apenas regulados pelas leis da concorrência, da oferta e da procura.
Da sociologia, segundo um dos seus mais antigos e conceituados cientistas, Max Weber, o capitalismo é um modelo social que procura rentabilizar, o mais possível, a produtividade do trabalho, realizando a tarefa o mais perfeitamente possível no mais curto espaço de tempo. 
Assim se pode concluir que, do ponto de vista dos trabalhadores, não será bem assim porque estes entendem que a sua força de trabalho é tão ou mais importante que o capital investido pelo burguês e, como tal, também querem ter regalias que são apanágio da burguesia.
Em época de crise internacional pode ver-se que os governos, venerandos e atentos, só pródigos em diminuir salários, pensões e prestações sociais aos trabalhadores, na proporção directa que dão benefícios aos banqueiros e respectivos bancos, injectando milhões dos contribuintes para que o sistema não colapse, dizem eles.
Atente-se ao que se está a passar na Grécia, na Irlanda, em Portugal e na Espanha e verificar-se-á que a receita é semelhante. Em Portugal ainda se faz mais: instituiu-se uma amnistia a todos aqueles que, criminosamente, fugiram com os capitais, milhões, biliões, triliões de Euros, que fazem parte da riqueza nacional para paraísos fiscais e, em vez de prenderem os criminosos - sim porque se trata de um crime punível pelo código de processo penal, para além de ser um crime de Lesa-Pátria - proporciona-se a possibilidade de "lavarem" o crime com uma contribuição fiscal de 7,5% enquanto que um depósito a prazo de 1.000€ tem de pagar um imposto de 22,5%. Veja-se a disparidade de critérios! Verifique-se o que pode e faz o Capitalismo!
Daí a inferir-se que um capitalismo desenfreado e sem preocupações humanistas só pode ser um regime que ultrapassa a dignidade política, a dignidade social e apenas visa o lucro pelo lucro, sem mais-valias para a sociedade que, supostamente, deveria servir.
Será, pois, um regime para esquecer se não, mesmo, para repudiar. É evidente que há muitas formas de capitalismo encapotado que se mistura bem nas democracias ocidentais, mas estas também deixam algo a desejar, nos dias que correm.
Sendo assim talvez seja altura de aprofundarmos conhecimentos e subordinar o nosso voto e a nossa participação cívica e de cidadania, de acordo com ética de valores que tragam à sociedade mais bem-estar e mais felicidade.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Ismos

Os ismos são, em nossa modesta opinião, todos eles, pouco recomendáveis. O  capitalismo, o socialismo, o comunismo, o fascismo, o religiosismo, o fundamentalismo, e outros ismos de semelhante quilate, são conceitos, significantes, significados, ideologias, formas de vida e sociedades a olhar com reservas porque, quase sempre, servem-se dos cidadãos e não servem as pessoas para as quais, supostamente, deveriam trabalhar e ser úteis.
Não sendo assim e nunca é assim, não têm razão de existir. 
Por isso não gosto destes modelos. Não tenho por eles qualquer respeito, consideração ou estima. Sendo mais directo e para a melhor hermenêutica deste sentimento, digo mesmo, que os abomino. O que não invalida que falemos deles para melhor nos consciencializarmos dos seus malefícios e das suas incongruências, também de eventuais virtudes ou benefícios. 
Aborda-los-emos para que se entendam posturas, atitudes e demagogias com que muito boa gente é atraída para todos eles e com o seu amorfismo lhes dão cobertura.
Cá estaremos para fazer o alerta. Cada um tirará as conclusões que melhor lhe aprouver.