sexta-feira, 24 de abril de 2026

DEGRADAÇÃO!

 DEGRADAÇÃO!

Nos últimos dias temos assistido a factos que não cabem nem no imaginário mais criativo.
O Governo, através das suas ministras da Presidência e dos Assuntos parlamentares, respectivamente Mariana Vieira da Silva e Ana Catarina Mendes afirma, oralmente e por escrito, que o governo não entrega, à CPI (Comissão Permanente de Inquérito), o parecer que fundamenta o despedimento da CEO da TAP e do Presidente da mesma empresa, porque a sua divulgação pode prejudicar o interesse público. Por sua vez, o ministro das Finanças, Fernando Medina, afirma perante os deputados no Parlamento, que não há parecer nenhum e é essa a razão de não o poder apresentar.
Em que é que ficamos? Há ou não há parecer? Se há, o ministro das finanças mentiu aos representantes do povo, logo mentiu ao povo e a um servidor do povo não lhe é permitido que minta. Se não há parecer o ministro diz a verdade e cumpre assim o seu dever, mas, então, as ministras mentiram. E, se mentiram, têm de ser penalizadas, porque não estão a cumprir com os deveres de lealdade para com o povo português.
Na conjuntura actual em que a pobreza extrema apresenta números muito preocupantes o Estado, todos nós contribuintes, não se pode dar ao luxo de desperdiçar dinheiro com, eventuais, condenações em tribunal que, ao que tudo indica, é o que vai acontecer e que vai fazer ver à populaça, que a indemnização à administradora que foi despedia da TAP, Alexandra Reis, são trocos, comparados com os milhões que vão ter que pagar à CEO despedida na televisão por dois ministros com pouco sentido de Estado, para dizer o mínimo.
O actual governo demonstra-nos, à evidência, que confunde e mistura os interesses do Partido com os interesses do país e, na maioria das vezes, em favor daquele e em detrimento deste.
Já vivemos situação similar em épocas recuadas e o resultado nunca foi bom. Lembremo-nos de Afonso Costa, o homem do chicote de nove rabos, de Salazar, entre outros. Temos exemplos de outras latitudes e doutros tempos em que o rei dizia que o estado sou eu – Luis XIV, L’ Etat c’est moi – numa demonstração de poder absoluto e as coisas também não correram bem.
Numa altura em que celebramos mais tempo de liberdade, conquistada com o 25 de Abril de 1974, do que durou a ditadura do Estado Novo assistimos, com muita desilusão, a esta degradação governativa e presenciamos, cada vez maior, autoritarismo, a todos os títulos reprovável. Vemos um silêncio ensurdecedor do PM. Sentimos um poder musculado para com os contestatários, que são muitos, desde professores a médicos, de agricultores a inquilinos e senhorios, de empresários a trabalhadores dos mais diversos sectores de actividade.
Damos conta do desmantelamento do serviço nacional de saúde, da destruição da escola pública, do desprestigio da justiça, das forças armadas, das forças de segurança, de tudo aquilo que é o alicerce de uma verdadeira e autêntica democracia e não podemos assobiar para o lado.
Quando o 25 de Abril de 1974 faz 49 anos não podemos deixar de questionar a classe dirigente sobre o que é que andam a fazer? O que esperam que aconteça para arrepiarem caminho? E, sobretudo, pedir-lhe que não façam de nós otários. Que não nos mintam. Que respeitem a confiança que depositamos neles quando votamos.
24/04/2023
Zé Rainho

USURPAÇÃO!

 USURPAÇÃO!

Na noite de 24 de Abril, madrugada e dia 25 de Abril de 1974, um capitão honrado e patriota, Salgueiro Maia, entrou de peito feito, em Lisboa, vindo de Santarém, com a sua tropa, disposto a tudo e este tudo era dar a própria vida, pela causa em que acreditava.
Profissional, organizado, competente, dialogante, assertivo, determinado, apostado no bem comum e não no seu umbigo, chegou ao Centro do Poder vigente e, franca, honradamente e com probidade, disse ao Primeiro-ministro que estava preso em nome do povo e da revolução que ele ali representava. Que era bom que se rendesse e entregasse o Poder para evitar derramamento de sangue.
O Primeiro-ministro de então, Professor Marcelo Caetano, com semelhante honradez, dignidade e educação disse que se rendia desde que passasse o poder para as mãos de um oficial general e não o faria a um simples capitão. Que mandasse chamar o General Spínola, um general desalinhado consigo e com o seu programa político, mas que considerava um Homem de Estado e assim entregaria o poder sem reservas.
O capitão Salgueiro Maia, dignamente, com o mesmo sentido de responsabilidade, mandou recado a Spínola para se encontrar com Caetano e os três definiram os termos da rendição sem violência nem caos.
Por estas razões objectivas, o 25 de Abril de 1974 foi uma transição pacífica de regime e uma festa apoiada pelo povo e, por isso e só por isso, não houve revolta nem tiroteio, usual em muitos golpes de estado.
Consequentemente, o 25 de Abril é um dia da liberdade total, sem peias ou condicionamento. A liberdade é de todos e para todos, sem restrições, mesmo para os inimigos da liberdade e, por isso mesmo, não é propriedade de ninguém, mas património de todos.
Talvez, tenha sido esta a dimensão de liberdade que permite que, passados 48 anos, ande por aí uma tribo, diminuta mas ruidosa, a querer, ilegitimamente, apoderar-se de um património que é de toda uma pátria, uma nação, um povo, apresentando-se perante a opinião publicada com uma superioridade moral, que não possui, nem merece, por todo um historial de atitudes antidemocráticas que é a sua práxis. Até se arroga o direito de influenciar a decisão do político legitimamente eleito, sobre quem deve ou não condecorar com a Ordem da Liberdade ao reivindicar que Spínola não deve ser condecorado. Eu também não concordo com a decisão de atribuir esta Ordem a Rosa Coutinho e Vasco Gonçalves, mas sinto que não tenho o direito de mandar recado ao Presidente da República para aceitar, como bom, este meu pensamento.
Serenidade e bom senso é uma lição do 25 de Abril, não os defraudemos.
24 de Abril de 2022
Zé Rainho

SAUDADES!

 Há quarenta anos, faz hoje, precisamente,

Vivia num fulgor de juventude, contente.
Com projecto de futuro onde docemente,
Com calor físico e humano pungente,
De uma terra promissora para toda a gente.
Hoje estou na Guarda a tratar dos ossos,
Com frio na alma e o coração em destroços.
Neste contraste com que a vida nos contempla,
Sem que fossemos ouvidos ou achados,
Mas no qual há, com toda a certeza, culpados.
Que vivem impunes, sem castigo, abastados
De coisas e haveres materiais mal arranjados,
Com a consciência pesada de bastardos,
Se ainda lhes restar alguma lucidez de javardos,
Ao recordarem atitudes e actos malfadados.
Alguns já morreram, que Deus lhes perdoe
Outros vegetarão na sua senilidade e demência
Esperando, porventura, dos outros benevolência
Para tanta tirania e maldade da qual foram mentores,
Em toda a sua ignóbil e miserável existência.
Deus todo Misericordioso os julgará e punirá
Já que os homens com poder não o fizeram.
Então talvez tenham tempo na agonia de cá,
De olhar para trás e terem vergonha do que disseram.
Das atitudes e actos que protagonizaram por cá.
Por nós estamos de consciência em paz
Porque fomos e somos portugueses de honra
De trabalho, de solidariedade, amizade capaz
De tornar esta Nação exemplo e nunca,
Perante outros povos se envergonha.
O mês não tem culpa mas sempre que houve,
Abrilada em séculos próximos ou remotos,
Este Pais demorou anos a erguer-se dos destroços,
Das ruínas que os traidores à pátria foram devotos,
E o povo humilde e patriótico viveu anos a pão e couve.
Zé Rainho.

terça-feira, 14 de abril de 2026

SEXO/GÉNERO!

 SEXO/GÉNERO!

Salvo raras excepções – malformações congénitas - que nem a medicina consegue explicar, o ser humano nasce com sexo e não nasce com género. Nasce-se macho ou fêmea e ponto final. Toda a discussão que não tenha em conta este princípio basilar assenta numa falácia, numa catequização, numa manipulação ideológica sem fundamento e sem sentido.
A classe política censória existente, até há pouco tempo, no nosso parlamento, capitaneada pelo BE e por algumas “inteligências” do PS impôs, com força de Lei – Lei 15/2024, que revoga alguns artigos da iníqua Lei 38/2018 - um verdadeiro atentado à vida e dignidade humanas, agravando as proibições e penas aos progenitores, tutores, professores e profissionais clínicos que, no âmbito estrito das suas inestimáveis funções, desempenhem com suporte científico e bom senso, a sua missão de informar, esclarecer, ajudar a tomar decisões ponderadas e a proceder a actos médicos, a maior parte das vezes irreversíveis, com consequências que podem ser traumáticas e de sofrimento físico e psicológico inimaginável e perfeitamente desnecessário.
A classe jornalística amestrada, amplia e difunde a mensagem de que, qualquer opinião contrária ao poder do estado sobre o individuo é xenófoba, é reaccionária, é fascista. Simultaneamente diaboliza as redes sociais como meios difusores de notícias falsas, porque a verdade só é transmitida pelos meios tradicionais da comunicação social, nomeadamente os jornais e as televisões de orientação esquerdista, mais concretamente da esquerda radical e estalinista, com colunistas de opinião desonestos intelectualmente.
Vem isto a propósito de um livro publicado na semana passada que foi apresentado pelo ex-primeiro ministro Passos Coelho. Pelo que vi, ouvi e li, toda a força manipuladora da informação caiu em cima das declarações do Passos Coelho, que na minha opinião não têm nenhuma relevância, e pouco ou nada se falou do livro, do seu conteúdo, da sua substância. Porque o livro fala de um tipo de família que protege e defende a sanidade mental da criança e do jovem, a minoria LGBTQ+ e seus apêndices vêm demonizar e ostracizar as opiniões de pessoas probas e honestas, pertencentes a diferentes quadrantes políticos, que tiveram a veleidade de, na sua, deles “douta” opinião, expressarem, livremente, como é seu direito, a sua visão sobre o que está a acontecer nas famílias portuguesas e nas consequências que se vislumbram a curto prazo. Há estudos e dados estatísticos de países desenvolvidos, como o Reino Unido, a Suíça, a Suécia e alguns países nórdicos que demonstram, que as consequências de actos tomados de forma pouco ponderada, estão a ser demasiado gravosas ao ponto de reverterem as leis que as permitiram em tempos mais recuados.
O conceito de vida democrática desta gentinha é enviesado e, pior do que isso, é extremamente perigoso, porque tem laivos ditatoriais de todo inaceitáveis, que há muito já não estávamos a habituados e aos quais o 25 de Abril veio por cobro.
Quem quiser pode consultar as leis que acima refiro e poderão, por si próprio, avaliar da sua iniquidade e do poder discricionário que o Estado se arroga sobre o individuo e suas legítimas opções.
Por mim continuo a desconfiar muito da opinião publicada, que me querem impingir como opinião pública, e a pensar pela própria cabeça, sem tabus ou reserva mental sobre que assunto seja e também não me inibo de dar a minha opinião, não estando à espera da consensualidade.
Sejam felizes.
14/04/2024
Zé Rainho

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Semana Santa

 SEMANA SANTA 


Nesta semana Maior,

De dor e de humilhação

De Cristo Nosso Senhor,

Da Sua divina Paixão 

E morte de cruz aviltante,

É para nós o momento 

De reviver o instante 

E com sentido profundo 

Mudarmos o nosso mundo,

Causa porque Jesus morreu. 

Para que também eu

Possa ressuscitar um dia

E alcançar a via 

De me sentar lá no Céu, 

Junto da majestade de Deus 

Gozando em plenitude,

Da eterna virtude

E da felicidade perene,

Por Jesus Cristo prometida

A quem passasse esta vida

Em harmonia com o irmão 

Desvalido, sem teto e sem pão,

Dando agasalho e comida

Ombro solidário e mão amiga

Neste duro vale de lágrimas 

De conflitos e terras áridas. 


Na Páscoa da ressurreição,

A Deus peço, com devoção,

A benção, a paz, a alegria 

De alcançar um dia

A graça de também ressuscitar 

Para no quotidiano imitar

Jesus Cristo Nosso Senhor.

Espalhando apenas amor,

Como S. Francisco d’Assis

Na sua oração magistral 

De oposição a todo o mal

Que este mundo percorre,

Onde o inocente morre,

Sem apelo nem agravo,

Com bombas por todo o lado,

Sem um mínimo de compaixão,

Por quem sofre a situação 

Duma guerra descontrolada,

Pelo ódio e palavra desbragada,

Por quem do mundo se acha dono.

Essas mortes não lhe tiram o sono 

Por falta de consciência

De que em boa obediência

Deixar o ego inflamado

E, assim, espalhar amor

E findar com sofrimento e a dor. 


30/03/2026


Zé Rainho 


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Escrever!

Escrever é terapêutico. Desenvolve o intelecto. Previne a doença mental. Mas, escrever é, também, transpor para o papel emoções, sentimentos, acontecimentos, opiniões, sensações.

Escrever é, também, amar a língua em comunicamos preservando-a.

Eu gosto de escrever, ainda que nem sempre fique satisfeito com o que escrevo, não porque não o faça com verdade, com autenticidade, mas porque não empregue o estilo mais erudito e mais fluido, por falta de inspiração. Por isso hoje ficamos por aqui.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Novo

O novo atemoriza, inibe, faz desconfiar. E o medo paralisa. Mas as coisas só  . acontecem se arriscarmos, se conseguimos dominar o medo. sem aventureirismo inconsciente.

O novo é sonho, é horizonte sem barreiras, é asa alada que suporta o vôo. 

O novo só é novo enquanto não experienciamos, enquanto não o vivenciamos. Por isso, ter medo do novo é ter medo do futuro, do amanhã, do porvir e isso é estagnar e sociedade que não avança recua.

Não podemos ter medo do novo.