Desde tempos imemoriais e desde que o Mundo é Mundo sempre coexistiram duas espécies de seres humanos. Os cumpridores da Lei e os que dela fazem tábua-rasa, atropelando tudo e todos, sem olhar a meios. Talvez por isso tenha havido a necessidade de, em qualquer aglomerado populacional, se erguerem monumentos como o que se apresenta. Reparem que não estamos a falar de Bons e de Maus porque estes adjectivos, muitas vezes, não passam de etiquetas que se colam a pessoas, de forma indistinta, aleatoriamente e sem critério. Falamos de seres sociais que vivem segundo regras que, no seu conjunto, as cumprem ou as ignoram. Depois, já se sabe, existem uns seres nomeados pelo Poder que se encarregam de fazer cumprir os regulamentos e de punir as infracções.Noutros tempos a justiça era cega e surda mas regida pelo equilíbrio. Tudo isto simbolizado numa mulher imponente, de olhos vendados, segurando uma balança de pratos. A forca, popularmente designado o Pelourinho apresentado, servia para castigar com a morte o prevaricador. Nos dias de hoje, felizmente, estes símbolos apenas são marcos históricos onde se praticaram muitas injustiças, já que não cabe ao homem retirar a vida ao seu semelhante. Porém é, também, um símbolo pedagógico. Atemoriza e, consequentemente, ajuda a refrear instintos menos humanos e mais bestiais - de besta - está claro.
Pelo que assistimos, no País e no Mundo, este instrumento simbólico já não tem o efeito pedagógico que lhe era subjacente. E porquê? Porque os criminosos são os detentores do Poder e, por isso, não se castigam a si próprios, apesar das enormidades que cometem.
Deixou de haver justiça porque se valorizam os expedientes para adquirir por meios mais ou menos ilícitos tudo o que contribua para o seu bem-estar e opulência. Enquanto isso, a sociedade vai sofrendo horrores de miséria e de fome. Para os criminosos que ocupam lugar de destaque social nunca houve e nunca haverá justiça porque nunca serão castigados.