quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Simbólico

 
Desde tempos imemoriais e desde que o Mundo é Mundo sempre coexistiram duas espécies de seres humanos. Os cumpridores da Lei e os que dela fazem tábua-rasa, atropelando tudo e todos, sem olhar a meios. Talvez por isso tenha havido a necessidade de, em qualquer aglomerado populacional, se erguerem monumentos como o que se apresenta. Reparem que não estamos a falar de Bons e de Maus porque estes adjectivos, muitas vezes, não passam de etiquetas que se colam a pessoas, de forma indistinta, aleatoriamente e sem critério. Falamos de seres sociais que vivem segundo regras que, no seu conjunto, as cumprem ou as ignoram. Depois, já se sabe, existem uns seres nomeados  pelo Poder que se encarregam de fazer cumprir os regulamentos e de punir as infracções.
Noutros tempos a justiça era cega e surda mas regida pelo equilíbrio. Tudo isto simbolizado numa mulher imponente, de olhos vendados, segurando uma balança de pratos. A forca, popularmente designado o Pelourinho apresentado, servia para castigar com a morte o prevaricador. Nos dias de hoje, felizmente, estes símbolos apenas são marcos históricos onde se praticaram muitas injustiças, já que não cabe ao homem retirar a vida ao seu semelhante. Porém é, também, um símbolo pedagógico. Atemoriza e, consequentemente, ajuda a refrear instintos menos humanos e mais bestiais - de besta - está claro.
Pelo que assistimos, no País e no Mundo, este instrumento simbólico já não tem o efeito pedagógico que lhe era subjacente. E porquê? Porque os criminosos são os detentores do Poder e, por isso, não se castigam a si próprios, apesar das enormidades que cometem.
Deixou de haver justiça porque se valorizam os expedientes para adquirir por meios mais ou menos ilícitos tudo o que contribua para o seu bem-estar e opulência.  Enquanto isso, a sociedade vai sofrendo horrores de miséria e de fome. Para os criminosos que ocupam lugar de destaque social nunca houve e nunca haverá justiça porque nunca serão castigados.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Voltei

Minhas amigas e meus amigos, voltei. Digam-me lá, se souberem, por que é que a gente regressa de férias tanto ou mais cansado do que partiu?
Estou para aqui que nem posso. Mas adorei cansar-me pela pérola do Atlântico. Foram dias maravilhosos. Com tempo irei contar o que vi e o que senti.
Hoje é só para dizer: Presente.
Beijos e abraços a toda(o)s.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ausência

Minhas caras e caros amigos
Estou a precisar. Depois de um ano algo agitado, preciso de férias.
É o que vou fazer. A partir de amanhã e até dia 8 de Outubro estarei ausente.
Desejo a todos dias muito felizes.
Beijos e Abraços
Caldeira

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Intemporal

Por não saber poetisar. Por não me atrever a tentar. Vou pedir, emprestado, um poema a Luis Goes para presentear os meus amigo(a)s poetas e poetisas que sigo, com muito interesse e carinho, que me ajudam a pensar positivo.
Espero que gostem:

Romagem à Lapa

 
Se um dia a vida parasse e a gente voltasse,

ao tempo que havia;

E se o Mondego passasse e a todos lavasse,

a lua e o dia.

Talvez a Lapa cantasse e em pedra gravasse,

a nossa alegria;

Talvez a Lapa sorrisse e à pedra se ouvisse,

olá poesia.



Se agora o rio pudesse juntar quem padece,

de tal nostalgia;

E tanta gente viesse, sem sonhos nem preces,

e sem rebeldia.

Talvez a Lapa chorasse e em pedra gravasse,

a nossa agonia;

Talvez a Lapa sofresse e à pedra dissesse,

adeus poesia.

(Luis Goes)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Angústia!

A estupefacção não nos liberta o espírito. Assistimos, quase que, como anestesiados, à perda de soberania e não se passa nada. Bruxelas é que diz o que devemos fazer no OE de 2011. Não será o replay do Conde Andeiro?
Desde há anos (muitos) que consigo distinguir entre opinião pública e opinião publicada. O mesmo é dizer que sou capaz de sentir o pulsar de povo anónimo, das notícias que os media nos impingem diária e sistematicamente.
E o que sinto é um misto de incapacidade e de revolta.
Vamos por partes:
Sinto a revolta dos pais que não querem os seus filhos em escolas distantes e, de melhoria duvidosa, porque têm de percorrer,  pelo menos,  40 Km diários. Outros, que não querem, legitimamente, a meu ver, as suas meninas de doze anos junto de jovens adultos, com vícios e experiências de vida, nem sempre dignas das melhores referências, no que à Escola diz respeito, que frequentam o Ensino Profissional. Não se põe em causa este tipo de Ensino, apenas se questiona a coabitação de discentes tão diferenciados. Por oposição vemos um vídeo de uma Responsável da Educação Nacional que, não tendo a noção do ridículo, ou porque se julga engraçadinha, a dizer umas piadas para criancinhas pretensamente, com atraso mental acentuado, e se presta à farsa de ser actriz - em linguagem teatral - um canastrão, que pretende ser didáctica e não passa de uma mulher palhaço, sem ofensa para esta digna profissão.
Poderíamos continuar neste tema até porque ainda hoje me escreveu uma colega onde me diz que, há mais ou menos seis anos deixou de ter vida própria, tal a papelada em que está enredada. Mas mudemos de área e passemos à Saúde:
O Conselho de Ministros aprovou um Decreto-Lei que, no essencial, diz que os medicamentos vão ficar mais baratos e o Estado - que somos todos nós - vai poupar duzentos e tal milhões de Euros.
O Zé pagode - o mais desprotegido e com menos recursos financeiros e mais dependentes, por motivos sociais diversos - queixa-se que, afinal, os medicamentos que ia buscar á farmácia eram de borla e agora têm de pagar, nem que sejam, apenas, 1,70€.
Afinal em que ficamos? Será que esta cambada de idiotas, de ignorantes, de aldrabões nos consideram a nós, povo anónimo, bestas de carga, amorfos e incapazes de pensar e reflectir?
Dir-me-ão que foi o Povo que os lá pôs. Eu direi que não foi para isto. Ou houve mistificação e fomos todos enganados ou, mais grave ainda, houve má fé quando se apresentaram aos eleitores a dizer que vivíamos num mar de rosas.
Mas há mais áreas. O emprego é outro bom exemplo. Quando as estatísticas do IEFP em Agosto vem dizer que a taxa estacionou nos 9,8% de desempregados logo veio um pressuroso Adjunto de Ministro a dizer que o desemprego - chaga nacional - estava sob controle e era sustentável. Depois veio o Eurostat a dizer, precisamente o contrário afirmando que a taxa teria sido de 11% e com tendência para subir e  lá vem o mesmo personagem a dizer que o erro era do Eurostat. Agora vem a OCDE a confirmar os piores cenários nesta matéria. O próprio IEFP veio confirmar o que as instâncias internacionais vinham dizendo e, curiosamente, não aparece ninguém a dizer seja o que for. Ironia, não?
Já é um lugar comum dizer-se que cada Povo tem o Governo que merece. Mas será que nós merecemos tão pouco e tão mau?

terça-feira, 14 de setembro de 2010

44 Anos.

Olhando para trás e parece que foi ontem, já lá vão 44 anos. 14 de Setembro de 1966, dia da celebração do meu matrimónio, numa das capelinhas mais bonitas do meu concelho de origem - a capela de Nossa Senhora do Incenso - cerimónia presidida pelo nosso Arcipreste Padre Manuel Toscano.
Cerimónia simples mas muito empolgante. Primeiro pelas palavras sábias e dotes oratórios do nosso amigo Padre  Dr. Manuel. Homem de muito conhecimento científico e teológico. Depois pela presença dos nossos familiares e amigos. Foi preciso alugar um autocarro para deslocar as pessoas de e para a nossa Terra. Os automóveis particulares também eram consideráveis o que não era muito comum na época. A família é numerosa e é seu apanágio nunca esquecer ninguém em alturas festivas ou de dor e, de igual modo, todos dizem: Presente.
Com 23 anos, quer eu quer a minha mulher, vistas as fotografias, parecíamos dois imberbes imaturos que assumiam, perante tão numerosa assistência e na presença de Deus, um compromisso, por vezes difícil de cumprir, mas também com momentos de sublime felicidade. Afinal, tínhamos maturidade suficiente. Eu era um rapaz enxuto e com a postura de um militar - que era - porventura, até algo arrogante no meu porte e na minha condição. A minha mulher esbelta, bela, como ainda hoje é, apenas com uns quilos a mais, umas rugas aqui e ali e os cabelos brancos que faz questão de nunca pintar, pesava na altura 42 Kg. Nos dias de hoje seria considerada um modelo anoréctico, naquele tempo era apenas uma jovem com um belo corpo de mulher e um rosto de menina.
A vida deu muitas voltas. Passámos 8 anos em Angola, mais 6 anos na nossa terra de nascimento, 25 anos em Coimbra, por motivos de ordem profissional e, já lá vão mais 5, de novo na nossa terra, para ampararmos os nossos progenitores na sua já avançada idade - 90 anos.
Temos duas filhas maravilhosas que fazem a sua vida em Lisboa por imperativos de política de desertificação deste Portugalprofundo. Estou feliz. Muito contente, mesmo. Sinto-me como voltando ao dia que passou, faz hoje 44 anos.
Se tivemos momentos difíceis? É evidente que sim e muitos. Mas parece que todos eles contribuíram para nos unirmos mais e nos amarmos melhor.
Meu amigos e seguidores, não podia deixar de partilhar convosco, que já fazem parte da minha família, este momento de alegria. É o que acabei de fazer com este hino de louvor à família, ao matrimónio, ainda que respeite todos aqueles que, por motivos que só a cada um dizem respeito, não conseguiram atingir este momento FELIZ. 

domingo, 12 de setembro de 2010

Alegoria política local!!!

No Meio Ambiente que nos rodeia vem-nos à memória um Ribeiro pequeno, tortuoso, repleto de silvas e ervas daninhas, sulcado de pedregulhos que ora rolam, ora se fixam nos meandros sinuosos sem profundidade;

Deveria servir para escoamento de águas límpidas e cristalinas mas, por características intrínsecas e hereditárias, tornou-se num serpenteado de sulcos geológicos sem préstimo e sem qualquer tipo de valor ou utilidade.

Alapado a este espécimen pouco abonatória da beleza natural mas que, infelizmente, se insere na Natureza, aparece sempre um Bicho mais ou menos daninho, qual víbora que rasteja e se esconde atrás das obscuras sinuosidades do Ribeiro. Como é dele que se alimenta e vai engordando aproveita a sua posição dominante no local, já que não existem predadores naturais como a Águia-real, por exemplo, e este réptil não deixa o Ribeiro, nem se atreve a descolar dele para se continuar a proteger. Este esconde-o cuidadosamente para receber dele as benesses que a guarda daquele lhe proporciona, já que a sua função principal que seria a de canalizar e escoar a água que nunca tem, porque é um inútil, um incapaz e nunca foi capaz de servir para o seu efeito específico e natural e então suprime a sua ineficácia tentando o suborno e o aproveitamento do Bicho.

A par destas espécies circundam, quer o Ribeiro quer nas proximidades do Bicho outras espécies viscosas e repugnantes existentes no ciclo normal da vida. Pode ser o Saraiva que na linguagem popular quer dizer catástrofe, porque é composta de grânulos, mais ou menos grossos, de água congelada, que danifica tudo por onde passa, deixando os produtores, os que se sacrificam para produzir e ser úteis à Natureza, em situação de desânimo e com vontade de desistir. Este Saraiva, tal como o Ribeiro e o Bicho sãos os principais coveiros do território. Não só porque não produzem nada de útil e necessário ao colectivo ambiental, mas porque são o sorvedouro e parasitismo do território. Nestas circunstâncias, o produtor deixa de acreditar no futuro e cansa-se de contribuir para estes usurpadores do seu sacrifício e do trabalho dos seus, no sentido de tornar o Meio Ambiente mais respirável e menos poluente. Por isso abandona, a pouco e pouco o local que elegeu para viver, mas que o dia-a-dia obriga a desistir.

É claro que associando-se a estas inutilidades e colando-se ao seu poder medíocre, mas que não deixa de ser Poder, lá vão pilhando as migalhas que escorrem da baba nojenta das escâncaras das cloacas que são as bocas destas espécies nojentas e parasitárias da biodiversidade, vão aparecendo os idiotas úteis que, em última análise, ou são cordeiros mansos e burros, ou almejam alcançar mais do que as benesses que actualmente recebem.

É o caso do “benquerido” canalha, sem carácter e dignidade, que se troca por um mísero prato de lentilhas.

Mas não é só este, também é o quebra queixos, que se aproveita da sua posição para ir enchendo a mula, como quem diz, os bolsos com negócios escuros. Isto para não falar no colatreiro-mor da região, que deu cartas, em tempo, e hoje não passa de um receptor de recados que vai pondo em prática em favor de oportunistas, ladrões, e ditadores dos SUV (Soldados unidos Venceremos” que nunca se desligaram das suas ideias totalitárias e da sua aptidão nata para a roubalheira e apropriação indevida do que não é seu. Sempre foi assim desde garoto. Com a idade requinta nestas suas competências e neste apetite por tudo o que é dos outros.

Mas se quisermos ir mais além vemos o “barbas” que é pago para trabalhar na instituição bancária de todos nós e passa os dias a fumar cigarros debaixo do arco e a beber copos no café ao lado. Mas, como é irmão do dono do distrito julga que tudo lhe é permitido. Mas parece que a este lhe saiu a porca mal capada. Dizem-me que está nas últimas e a sofrer fisicamente. É que Deus não dorme e “cá se fazem cá se pagam”.