sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

VELHO


SER VELHO!



Sou velho diz o Bilhete de Identidade!

Insistem no mote as articulações.

Mas eu que sou cheio de contradições

Digo não. A velhice não é só a idade.



Há quem diga por aí que é ser idoso

Que velhos são os trapos e coisas tais

Mas prefiro ser um velho como os demais

Do que idoso por pena, isso é doloroso.



Em tempos remotos, velho era sabedoria,

Experiência de vida, siso e prudência.

Opinião avisada que não assenta na ciência

Mas que colhe resultados da vida do dia-a-dia.



Assim não me importo de ser velho ter idade

Porque sou jovem no querer e pensamento

De que ainda posso fazer coisas com alento

Porque o meu espírito mostra-me capacidade.



Às vezes ponho-me a matutar ensimesmado

Que fui sempre um homem contracorrente

Na juventude ficava algo descontente

Por parecer mais velho porque era ajuizado.



Como dizia o jargão de outros tempos

Como a história do velho, criança e burro

Que a opinião do mundo até cheira a esturro

Quando compara os outros pelos seus talentos.


Não quero saber de opinião sem importância

Interessa-me continuar na minha persistência

A fazer coisas, ler, escrever, sorrir, amar, resiliência

De quem está vivo e quer apenas viver sem jactância.



Já agora que estamos no início do Novo Ano

Vou definir como objectivo viver com alegria

Sem queixumes, levar a vida do dia-a-dia

Como se o presente fosse o último quotidiano.



Zé Rainho (03/01/2020)
















segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Para uma memória futura


PARA MEMÓRIA FUTURA®

MEIMOA – PENAMACOR







PRÓLOGO





Iniciamos este trabalho, no âmbito da disciplina de “História Local e Regional do concelho de Penamacor” que faz parte do currículo da Academia Sénior do mesmo concelho, no ano lectivo de 2015/2016, para que os vindouros possam vir a conhecer a vida real, nas suas diferentes variáveis, vivida e sentida por aqueles que nos precederam.

Para não irmos mais longe e, também, porque nos faltam fontes de investigação, mais ainda, porque o que está escrito nem sempre referiu muitos dos que fizeram e fazem a história desta freguesia de Meimoa e concelho de Penamacor, iremos, como auxílio dos anciãos, fazer referências a pessoas, individualidades, instituições e gente anónima que contribuiu, na medida das suas possibilidades e com as suas potencialidades específicas, para a identidade sociológica do Povo que fomos e no que nos tornámos.

Não podemos deixar de referir personalidades que, pelas funções institucionais que desempenharam, merecem o devido destaque o que não invalida que, também façamos alusão, aos que, porventura, no seu anonimato, contribuíram igualmente, para a História deste povo. Assim, referiremos famílias, nomes que englobem todos e ninguém se sinta excluído deste despretensioso relato.

Se, porventura, não se mencionar alguém, penitenciámo-nos desde já, dizendo que não será propositadamente, mas sim desconhecimento e falta de informação.





1º Capítulo



Uma aldeia pobre, rural, que contém no seu território um latifúndio ocupando as suas melhores terras e a maior quantidade de recursos naturais implica, necessariamente, um conjunto significativo de pobres, sem terra e completamente dependente de quem lhe dê trabalho para suprir ao seu sustento e da sua família.

O maior empregador era, há seis décadas atrás, o latifundiário que necessitava de uma enorme quantidade de mão-de-obra para trabalhar todas as terras e plantas que possuía. Depois havia, uns poucos, pequenos agricultores, que também iam necessitando de um jornal ou outro, para tarefas específicas e isso era um complemento na economia da aldeia.

Em meados do século passado ainda havia, nesta localidade, um índice de analfabetismo que rondava os 75% nos homens e cerca de 95% nas mulheres, o que condicionava a vida da generalidade da população à sua fixação à terra de nascimento. Aqui se nascia, crescia, procriava e morria, sem nunca se ver o mar ou outras maravilhas históricas de património edificado que hoje, os mais novos, é com incredulidade que ouvem relatos destes modos de viver.

Sociologicamente este isolamento trazia consigo uma necessidade tão natural que era inquestionável. Casar, muitas vezes, com parentes ainda chegados para juntar os bocados de terreno e, também, porque o contacto com outros povoados e outras gentes era difícil e limitativo ao conhecimento de novas gentes.

Desta forma a freguesia tem pouco mais do que uma dezena de famílias distintas cujo facto é verificável pelos apelidos existentes. Até se costuma dizer que toda a gente é mais ou menos primo de toda a gente.

Na circunstância quem tinha algum objectivo de se livrar do trabalho manual no campo procurava que um filho que fizesse a quarta classe fosse encaminhado para o Seminário para ser Padre. Facto que requeria alguma capacidade intelectual por parte do adolescente mas também algumas arregaças do que havia em casa para obsequiar quem intercedesse pelo seu ingresso.

Às raparigas, que na época, obtiam a escolaridade mínima com, apenas, o exame da 3ª classe enquanto tal, para os rapazes, só se atingia com a 4ª classe. Desta forma a elas estava reservado o lugar de criada nalguma casa com posses, principalmente nas cidades maiores e, particularmente em Lisboa. Livrando-se do trabalho duro do campo, não se livravam do trabalho, igualmente penoso de uma casa, geralmente com uma prole alargada, a quem era preciso dar comida, lavar a roupa e passá-la, para além dos restantes trabalhos domésticos que iam desde a compra de produtos no mercado, diariamente, até à sua confecção.

Quando esse trabalho era respeitado e pago mensalmente, já era um salto na hierarquia social que permitia, mais tarde, um casamento com um artífice ou agente das forças de segurança. Mas, muitas vezes, essas mesmas moças eram violadas pelos patrões ou seus filhos rapazes, que assim iniciavam a sua vida sexual e, depois, como a culpa era sempre atribuída à mulher, dizendo-se que ela é que provocava e outras coisas do género, o que muitas vezes, atirava com essas pobres raparigas para uma vida ainda mais desgraçada, que era a prostituição.

O estudo oficial para além da 4ª classe era raro para os rapazes e mais escasso ainda para as raparigas. Era necessário que as famílias tivessem algumas propriedades rústicas e delas tirassem rendimento que pudesse arcar com as despesas, que eram muitas, só com o alojamento e a alimentação e o material escolar, já que a propina era relativamente barata.

Mesmo com estas condicionantes a Meimoa pode orgulhar-se de ter na sua sociedade gente com funções relevantes a nível nacional. Juízes, Generais, Oficiais Superiores, das Forças Armadas, Sacerdotes, Professores, Mestres, Investigadores, Quadros Superiores da Função Pública e/ou de Empresas relevantes, Políticos, Médicos, Enfermeiros enfim, todas as profissões que são o esteio de uma sociedade evoluída.

Se atentarmos ao que atrás se disse das condições económicas e geográficas facilmente se entenderá que foi com imenso esforço dos que estudaram e de muitos irmãos desses que não tiveram a possibilidade de estudar, que alcançaram tais patamares de relevo na sociedade portuguesa.





2º Capítulo – Mobilidade Social



Então comecemos pelos Sacerdotes. Uma aldeia tão pequena deu ao Serviço de Deus uma plêiade de sacerdotes dos quais já só estão dois vivos, na altura em que fazemos este relato para memória futura. São eles o Missionário da Consolata Reverendo Padre José Torres Neves que, apesar da sua provecta idade, ainda continua a sua caminhada de Missão por terras do Norte de Moçambique. Homem que fez da sua vida uma total entrega aos mais necessitados nos diferentes continentes, Europa em Portugal e Itália onde se pós gradou nos estudos teológicos que lhes permite ser formador dos novos padres africanos, mas também da América Latina onde passou grande parte da sua vida. É também o Reverendo Padre Manuel Alves que em terras alentejanas fez a sua carreira como Pároco e também Professor no Seminário de Beja. Um estudioso das Línguas Latim e Grego e da História e Teologia contidas nas Sagradas Escrituras.

Dos falecidos é justo falar dos Reverendos Padres: - Joaquim Moiteiro que, depois de exercer as funções de Capelão Militar se radicou no Meimão onde paroquiou até ao seu falecimento;

Os quatro irmãos Fatelas – Padre Manuel Fatela que paroquiou o Pedrógão de São Pedro e Caria, onde veio a falecer; Padre Frederico que paroquiou em Seia e também no Canadá; Padre Joaquim que foi Professor na Universidade Católica e responsável da Obra do Gaiato, no Alentejo e lá faleceu; Padre Augusto, Missionário da Consolata que efectuou a sua Missão em África, nomeadamente no Norte de Moçambique onde construiu uma Igreja em honra de Nossa Senhora da Conceição, como lembrança da Padroeira da Terra que o viu nascer.

O Sobrinho dos referidos Padres acima, Cónego Manuel Soares de Oliveira, Professor dos Seminários Menor do Fundão e Maior da Guarda, tendo sido membro da Cúria Diocesana e seu Vigário Geral;

Padre César Fatela, primo afastado dos acima referidos que foi pároco em várias paróquias do Arciprestado de Penamacor e de outros Arciprestados, Professor no Externato Nossa Senhora do Incesso de Penamacor e Examinador externo nos Liceus Públicos da Guarda e de Castelo Branco tendo terminado a sua carreira de sacerdote nesta nossa Freguesia onde veio a falecer. Para além das suas actividades pastorais e docentes era também o Pregador de Serviço nas Festas e Romarias da Diocese para onde era solicitado pelos seus colegas devido ao seu dom oratório e ao seu empolgamento no momento da Pregação;

Padre Tarrinha que além de Pároco de Manteigas também foi professor e proprietário do Colégio Local que proporcionava aos alunos formação liceal do início ao fim;

Padre Bento, prior do Fundão e seu Arcipreste onde trabalhou toda a sua vida e veio a falecer. Muito respeitado naquela localidade e muito influenciador de que vários rapazes iniciassem a sua formação académica naquele Seminário Menor.

Na vida militar, se recuarmos ao século XIX temos de referir o Capitão Martins que fez parte da Guarnição militar de Angola e nela perdeu a vida ao serviço da Pátria. Também houve alguns soldados que foram para a 1ª Grande Guerra Mundial mas que, felizmente, nenhum deles perdeu a vida, ainda que pela Flandres tenham ficado e abandonado totalmente o torrão natal e respectivas famílias. Mais tarde, na guerra colonial, em Moçambique, perdeu a vida o Alferes Miliciano João Nabais.

Também na vida militar em manobras próprias, da iniciação designada recruta, faleceu o Joaquim Tarrinha ao manobrar uma granada de mão defensiva, que o atingiu em pleno e o destruiu completamente.

É de referir também, pelo seu significado, o Tenente Soares que, na reserva, desempenhou as funções de Presidente da Junta de Freguesia tendo construído a primeira Escola (escola masculina) em terreno cedido por familiares seus e alargado as ruas para poderem circular carros de bois carregados. Tal implicou a demolição de alguns balcões, outras tantas cortelhas de porcos e, num gesto que faria corar de vergonha os políticos de hoje, começou por demolir os pertences da sua própria e directa família, dando exemplo ao povo de que para o bem público deve sacrificar-se o bem privado. Teve uma morte macabra devido a desavenças com a esposa e a enteada – casou com uma viúva que tinha uma filha – que lhe transformaram a vida num inferno que ele quis acabar matando as duas e suicidando-se de seguida.

Na marinha destacaram-se o Almirante Fonseca, filho do Professor João José Fonseca (carchola) e o Comandante Lopes que não sendo natural desta freguesia aqui casou e cá se radicou, todos estes na primeira metade do século XX.

Não deixa de ser curioso referir também o Soldado Manuel Neves que fez parte da guarda de honra ao Presidente da República Sidónio Pais, no dia em que este foi assassinado, na estação ferroviária do Rossio em Lisboa em 1919.

Não pertencendo a esta freguesia por força do nascimento mas fazendo parte dela pelo matrimónio houve dois segundos sargentos que foram aposentados compulsivamente, em finais da 1ª República, por comportamento pouco abonatório e radicaram-se nesta terra onde continuaram a fazer muitas das tropelias que fizeram enquanto militares de carreira, oprimindo e explorando os pobres trabalhadores desta terra, ofendendo as crenças religiosas do povo e afrontando a hierarquia da Igreja Católica. Foram, na circunstância, o Sr. Ferreira e o Sr. Leitão. Pessoas a quem se obedecia por medo de represálias mas, comportando-se como senhores feudais, não cultivaram qualquer tipo de amizade.

Muitos outros militares houve que fizeram a sua vida militar, no tempo do serviço militar obrigatório, até metade do século vinte e que de uma forma ou de outra serviram com brio a Pátria quer servindo nas guarnições dos diferentes quartéis e armas espalhados pelo País, do Porto a Lisboa, Tavira, ou Caldas da Rainha, Tomar, Castelo Branco, Covilhã e Penamacor. Até houve casos de, no princípio da década de quarenta do século passado, praças que depois de terem passado à disponibilidade, foram novamente convocados para prestarem serviço em manobras na OTA com vista à sua integração na força de defesa dos Açores, particularmente da base das Lages que, no auge da 2ª Guerra Mundial e sendo Portugal um país neutro, eram pontos geográficos e estratégicos para todos os contendores e, como tal, apetecíveis a todos. O Estado Novo que se quis manter neutro neste conflito viu-se obrigado a defender aquele espaço nacional já que era frequente a sua violação quer por ar ou por mar. As manobras de preparação do contingente cessaram quando em 1943 o Estado Português estabeleceu um pacto com os Estados Unidos da América e este deu contrapartidas monetárias, em armamento e até na empregabilidade do povo, sendo assim, desconvocados os militares destinados ao referido contingente.

Quando teve início a designada Guerra Colonial, que não fora mais que uma disputa entre as grandes potências mundiais para explorarem os recursos económicos das regiões ultramarinas sob jurisdição portuguesa, apesar do País fazer parte de direito e de jure das Nações Unidas, da Nato e até da EFTA e da OCDE, foram mobilizados para defender as populações civis de diferentes cores e raças, muitos militares de todas as patentes, do simples soldado ao oficial general, Major General, João Afonso Bento Soares, passando pelos furriéis e alferes milicianos, sargentos do quadro, até às patentes de oficiais superiores como o coronel João Sena, por exemplo.

Houve ainda oficiais do quadro que iniciaram a carreira como soldados e chegaram à patente de Capitão e Tenente como foram os casos do Capitão Caldeira e do Tenente António Romão. Primeiros-Sargentos e Sargentos-Chefes também houve alguns, pertencentes ao Exército e à Força Aérea.

Muitos destes militares começaram as suas comissões na Índia Portuguesa onde tivemos um soldado corneteiro, função muito importante no exército, e muitos outros militares de diferentes patentes passando depois pela Guiné, Moçambique, Angola, Timor, numa época em que a maioria da população entendia a sua Pátria com início no Minho e indo até ao longínquo Timor.

Sendo um período difícil para a maior parte dos rapazes de 20 anos não deixou de lhes marcar o carácter, quer pelo sacrifício e horrores vividos mas também pelos novos horizontes que descobriram. Florestas e Chuvas tropicais marcantes, savanas, pântanos da Guiné e desertos como os do Namibe em Angola, mas tudo muito amplo, muito grande, se comparado com este pequeno rectângulo à beira-mar plantado. Tudo isto foi relevante para a descoberta e o conhecimento de novas formas de vida que deu azo a mudanças na estratificação social e também no desempenho de diferentes funções, até aí, consideradas inacessíveis.

Nas cúpulas do poder Judicial tivemos o Juiz Conselheiro Messias Bento que fez parte do Tribunal Constitucional durante mais de uma década, e no Tribunais criminais o Juiz Desembargador Celestino Cabanas Bento, o Procurador da República Dr. Manuel Caldeira Bento, Juíza Carla Caldeira Bento Carecho e muitos, muitos advogados, com relevância para o Dr. Mário Bento Soares que foi Governador Civil da Guarda, Deputado da Assembleia Nacional no Estado Novo e mais tarde Director de Serviços no Ministério da Justiça.

Mas também como funcionários judiciais muitos foram os meimoenses que, nesta área, fizeram e ainda alguns fazem, a sua carreira. Nesta categoria não nos podemos esquecer dos inpectores da Judiciária com funções de relevo no combate ao crime.

Na Medicina uma palavra de reconhecimento pela competência e capacidade e inovação do Neurocirurgião, Dr. Francisco José Bento Soares, o mais antigo, que teve um papel relevantíssimo como primeiro neurocirurgião no Hospital Pediátrico de Coimbra, onde foi Director de Serviços e Mestre de muitos outros Neurocirurgiões que eram a nata desta especialidade na Europa a fazer intervenções ao nível do cérebro de crianças e de adultos. Durante a sua carreira efectuou mais de 1400 cirurgias ao cérebro. Hoje já deixou assegurada a sucessão no seu filho Dr. Gustavo que segue as pisadas do pai na mesma especialidade médica.

Mas também, outros médicos especialistas de Medicina Familiar como a Dra. Ana Maria Cerdeira Caldeira que exerce as suas funções em Viseu e vários enfermeiros que, de Lisboa, passando por Coimbra, Covilhã e mesmo localmente, exercem com profissionalismo a sua missão insubstituível no campo dos cuidados clínicos tão necessários ao doente. Não nos podemos esquecer de uma significativa quantidade de enfermeiros de diferentes especialidades, uns falecidos, outros aposentados e outros ainda em funções, que com os demais profissionais são o esteio do Serviço Nacional de Saúde.

Na função Pública continuam a destacar-se Quadros Superiores em lugares de muita responsabilidade das funções do Estado, em todos os Ministérios. Das Finanças à Defesa, da Segurança Social à Assembleia da República. Estes funcionários não pertencem às cúpulas porque não estão filiados em Partidos Políticos e é o seu mérito que lhes dá relevo nas funções que desempenham.

De referir, também, uma figura singular, o Dr. Mário Pires Bento que na Arqueologia, por simples e apaixonado hobby fez caminho relevante e, para os vindouros ficam um museu do qual é patrono na nossa freguesia e, também, foi o primeiro a dar os passos indispensáveis para a criação do Museu de Penamacor.

Por força do Poder Político saído do 25 de Abril de 1974, um regime designado democrático – mas pouco, dizemos nós – apareceram algumas figuras que, como marionetas do Poder Político e também com o seu respaldo, atingiram lugares importantes. Temos nesta circunstância um Vereador voluntário da Comissão Administrativa presidida pelo Sr. José Pinto, que era o Sr. José Cameira. Temos, já elegido democraticamente, como Presidente da Câmara de Penamacor, o Dr. Francisco Martins Ribeiro e Vereador da mesma Câmara, Dr. António Conceição Cabanas. Sem lhes retirar mérito não podemos colocar estas personalidades ao nível das já mencionadas, já que foi por escolha do Poder Político Partidário que alcançaram a ribalta. Em abono da verdade deve-se dizer que o Dr. António Cabanas tem uma profissão na ICNF, é sociólogo, e logo que saiu da Câmara regressou ao seu lugar de origem. O Dr. Francisco Ribeiro foi coproprietário do Colégio de Penamacor dada a conjuntura criada com o 25 de Abril de 74 com os designados contratos de associação em que o Ministério da Educação enriqueceu muitos destes proprietários, pelo país fora e, ainda hoje acontece em alguns casos.

Já que referimos estas personalidades do Poder Municipal não podemos esquecer os restantes autarcas, Presidentes, Secretários e Tesoureiros das Juntas de Freguesia que, como órgãos executivos pugnaram pelo bem deste Povo. Mas, porque é de Justiça, temos de diferenciar aqueles Presidentes que desempenharam as suas funções em regime de voluntariado e aqueles que recebem algum pecúlio monetário para fazerem o mesmo serviço. Antes do 25 de Abril eram nomeados pelo Governo e, como tal, quase obrigados a desempenhar as funções. Depois do 25 de Abril foram todos eleitos mas só a partir de 1982 é que passaram a ser remunerados. Há aqui diferenças que são fruto de políticas e não da responsabilidade de cada um mas que têm, necessariamente, de ser relevadas de forma diferenciada.

Mas, para existir esta gente tão altamente conhecedora e tão altamente colocada, importa referir uma classe que, sem ela, ninguém chegaria a tais patamares. Os professores primários e de outros graus de ensino que, não só ensinaram as primeiras letras a esta gente ilustre, como os incentivou a prosseguir e lhes deu as bases para continuarem a caminhada de irem mais além. Daí a termos tantas e tão prestigiadas figuras que levaram o nome da Meimoa e do Concelho de Penamacor a muitas partes do Mundo.

Não podemos esquecer tanta gente anónima que desta terra levou nome, educação e valores. Foram aventureiros, empreendedores e vencedores na vida altamente competitiva de países mais avançados. Lembramo-nos dos nossos emigrantes. Primeiro para o Brasil, depois para a África, Angola, Moçambique, que sendo consideradas terras portuguesas, não deixavam de ser locais para onde a emigração era, porventura, mais difícl. Para a França, para o Luxemburgo, Suíça, Alemanha e outros países da Europa Ocidental. Também estes mostraram a têmpera de que são feitos os Homens e Mulheres da Meimoa e merecem todo o nosso respeito. Muitos deles analfabetos, conhecendo mal a Língua Pátria e desconhecendo, em absoluto, as Línguas Estrangeiras aí singraram na vida e deram aos seus filhos ferramentas que lhes possibilitaram fazer vida e melhorar significativamente as suas condições sociais e económicas.





3º Capítulo – Vida Quotidiana



Vida social: - O dia-a-dia foi sempre de trabalho duro do campo. As famílias eram, em regra, muito numerosas.

Não havia nem água, nem Luz eléctrica nem saneamento básico até à década de cinquenta do século passado, data da inauguração da energia eléctrica. Passados mais vinte anos a freguesia foi dotada de água ao domicílio e na década de oitenta foi construído o saneamento básico.

Enquanto não havia nada destas condições a iluminação era à base da candeia de azeite e os serões eram passados à lareira onde se reuniam avós, pais e filhos, sentados em “tropeços” de cortiça e aí eram contadas as histórias e as lendas de moiras encantadas, lobisomens e outras personagens que levavam as crianças ao imaginário das coisas boas e felizes da vida.

De salientar uma peripécia importante nesta freguesia.

De todos é sabido que durante o Estado Novo as eleições eram levadas a cabo em Lista única da União Nacional, única entidade com permissão para apresentar lista para eleições que, como simulacro que eram, queriam aparentar alguma democracia. No entanto, sem que fosse do conhecimento da generalidade do povo, sempre que houve eleições para órgãos nacionais ou locais apareceram mais do que uma lista, sendo, como é óbvio, uma representativa da oposição. Esta oposição difusa, desconhecida, mas sempre presente e, muitas vezes ganhava esta. Na circunstância era necessário recorrer ao Governo Civil e à GNR para de forma abusiva, adulterarem os cadernos eleitorais e assim ganhar a lista da situação e tudo ficar na paz e no bem. Mas, para se chegar a este ponto, muitas vezes havia bordoada de criar bicho, com fogueiros e arrochos, paus de marmeleiro e outros tipos de materiais contundentes que, por vezes, deixavam muitas cabeças partidas ou muitas costelas rachadas.

Não podemos também esquecer que, quando da implantação da República em 5 de Outubro de 1910 a população viveu muitos anos dividida politicamente entre republicanos e monárquicos, que faziam, à vez, as suas manifestações prós e contras, com vinho a granel e muita arrochada pelo meio. Porém, a maior parte das pessoas dava-se bem fora desses períodos conturbados.

Até porque, se nos aprimorarmos, podemos descortinar e descobrir que, até à primeira metade do século XX havia cerca de uma dezena de famílias nesta freguesia, aqui e ali salpicada por algum forasteiro, homem ou mulher, que pelo matrimónio, vinham fazer parte desta população.

Assim, grosso modo, pode-se dizer que na época, pontuavam as famílias Bento, Cabanas, Fatela, Andrade, Caldeira, Pires, Pina, Fonseca, Martins e Soares.

Era entre estas famílias que se consorciavam as novas gerações o que dava origem a uma constatação até aos dias de hoje. Todos os oriundos desta freguesia têm entre si algum grau de parentesco mais ou menos longínquo. Por issso, é comum dizer-se, que na nossa freguesia toda a gente é prima de toda a gente.

COMO UM GRUPO PORTUGUÊS VÊ A UNIÃO EUROPEIA:


Somos e sentimo-nos europeus de corpo inteiro. Temos por princípio pensar que em primeiro lugar somos europeus, a seguir  portugueses e por fim Beirões. O que não invalida que sejamos acérrimos defensores da nossa Língua, Cultura e Tradições.

Entendemos, até, que este deveria ser o novo paradigma da União Europeia do século XXI. E, se assim fosse, todas as reticências, desconfianças, cepticismos ficariam esbatidos, senão, mesmo elimininados.

Gostamos dos princípios orientadores da União de todo o Povo Europeu, nas suas diversidades e especificidades culturais, linguísticas e tradições. Apreciamos, sobretudo, a existência e a actuação do Tribunal Europeu na defesa dos Direitos Humanos, não só Europeus mas de todo o Mundo.

Não sendo assim e, infelizmente não é, temos, óbvias reticências a muitas das medidas tomadas pela União Europeia, a saber:

·         Desde logo com uma certa indefinição de poderes de algumas Instituições Europeias. Por exemplo, a incoerência da existência de uma Comissária dos Negócios Estrangeiros numa Europa sem que haja uma única política Externa Europeia, bem definida e bem delimitada. Damos exemplos: Porque é que foram a Alemanha e a França  os interlocutores com a Rússia e a Ucrânia no, hipotético cessar-fogo, e não foi a Comissária Europeia da Diplomacia a promover o diálogo e a levar uma ideia de política externa única e coesa de toda a União europeia?

·         A multiplicação de Órgãos e Instituições que, em muitos aspectos se atropelam, quando não se contradizem;

·         PARLAMENTO EUROPEU;  CONSELHO EUROPEU; CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA;

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA; COMISSÃO EUROPEIA; TRIBUNAL DE CONTAS EUROPEU; SERVIÇO EUROPEU PARA A ACÇÃO EXTERNA; COMITÉ SOCIAL E ECONÓMICO EUROPEU; COMITÉ DAS REGIÕES; BANCO EUROPEU DE INVESTIMENTO; PROVEDOR DE JUSTIÇA EUROPEU; AUTORIDADE EUROPEIA PARA A PROTECÇÃO DE DADOS; SERVIÇO EUROPEU DE SELECÇÃO DE PESSOAL; AGÊNCIA E ÓRGÃO EURATOM; TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA UNIÃO EUROPEIA; SERVIÇO DAS PUBLICAÇÕES EUROPEIAS; ESCOLA EUROPEIA DA ADMINISTRAÇÃO; AGÊNCIAS E ORGANISMOS ESPECIALIZADOS DESCENTRALIZADOS…

·         Como se podem conjugar tantos Organismos, todos eles com competências próprias? Um exemplo: O Conselho Europeu define as Orientações Políticas Gerais da União Europeia mas não tem poderes para adoptar Legislação;

·         Outro exemplo de sobreposição de poderes: O Parlamento Europeu, único Órgão Eleito, representa os cidadãos da União Europeia; O Conselho da União Europeia representa os Governos Nacionais (então os Governos Nacionais não são eleitos pelos respectivos Povos e não fazem parte dos cidadãos europeus)? A comissão Europeia que vela pelos interesses da União Europeia no seu todo. Então e o que fazem os dois Organismos anterios, não é defender os interesses da União Europeia? Há aqui alguma confusão que bem poderia ser repensada e poupar-se-ia dinheiro dos contribuintes Europeus, que somos todos nós.

·         Outra questão diferente da anterior mas que entronca na disparidade de funções dos Órgãos:

·         Porquê, sendo todos os cidadãos europeus não têm todos, os mesmos direitos e as mesmas possibilidades? Porque é que um Português não pode comprar um automóvel em qualquer País da União Europeia e pagar apenas o imposto no país da aquisição?

·         Porque é que as Políticas Europeias são mais benevolentes para com uns Países do que para outros? Isto é visível na PAC (Política Agrícola Comum) que controlando a agricultura e a pesca da União Europeia é sempre favorável à França, Dinamarca, Noruega, Espanha e promove, ao mesmo tempo,  o desmantelamento desses sectores produtivos em Portugal, por exemplo?

·         Porque se permite que o Luxemburgo, Gibraltar, por exemplo, sejam verdadeiras offshores onde se lava dinheiro da corrupção e negócios menos transparentes.

·         Já que falámos em Gilbraltar, como se compreende que dentro do espaço da União Europeia haja colónias de Estados Membros em território de outros Estados membros. Gibraltar é histórica e geograficamente Espanhol mas é administrado pelo Reino Unido.

·         Porque não há impostos únicos e iguais em todos os países da União evitando, dessa forma, a deslocalização das sedes de grandes empresas para pagarem menos impostos do que no País e Origem? É o caso de algumas das maiores empresas portuguesas do PSI 20 que têm a sua sede contributiva na Holanda, Suiça e outros Países com regime fiscal mais favorável.

·         Porque se sente um certo receio do Federalismo Europeu? Não caberia às Instituições Europeias demonstrar as virtualidades do mesmo? Isto levaria ao já referido conceito: EUROPEU             PORTUGUÊS         BEIRÃO          PENAMACORENSE, ETC.

·         Porque é que os Deputados Europeus e todos os burocratas de apoio ao Parlamento e à Comissão são pagos principescamente, se considerarmos os países de origem? Porque tantas regalias? Qual a necessidade de o Parlamento Europeu ter duas sedes: Bruxelas e Estrasburgo?

·         Para não alongarmos, tendo em conta um novo paradigma que gostaríamos de ver implementado, diremos que:

o   Devia haver mais igualdade entre países da União Europeia, independentemente da sua dimensão;

o   Devia haver mais democracia na União Europeia. O mesmo é dizer que o Parlamento Europeu devia ser o Órgão Máximo a quem todas as restantes Instituições devem esclarecimentos e obediência, já que é o único Órgão Eleito;

o   O Banco Europeu devia emitir moeda de acordo com a riqueza de toda a União e ser um fiscalizador dos outros países que emitem moeda como é o caso dos EUA, do Japão, da China e da Rússia. O Dólar não assenta no ouro mas no petróleo, o que, em si mesmo, não é grave. Mas, a ser assim, a desvalorização do petróleo deveria ter consequências no valor facial do Dólar, ou não?

o   A América domina a Banca, o Mundo Financeiro e faz dele o que bem entende. Basta atentar na crise que se abateu sobre a Europa pela falência de Bancos Americanos, com ondas de choque em todo o Mundo, principalmente na Europa do EURO.  

o   As Instituições deveriam ser mais austeras nas despesas mantendo a dignidade de uma Grande Potência.

o    Ter uma estratégia de política externa que não dependa de nenhum bloco no que respeita à energia e outros produtos básicos aos cidadãos, à defesa do Meio Ambiente, à promoção da Paz e da Concórdia.

o   Todos os dados apontam que só de 50,3% do Europeus que se dizem satisfeitos ou muito satisfeitos com a União Europeia, os restantes 49,7% dizem estar muito insatisfeitos, pouco satisfeitos ou não querem responder o que agrava o sentimento de insatisfação.





Meimoa, 27 de Fevereiro de 2015.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Cidadania

Porque me parece actual aqui vai um texto que escrevi em 2010:

CIDADANIA
A evolução é natureza da condição humana. É claro e evidente, que nem sempre, evolução pressupõe desenvolvimento. Muitas vezes é até, retrocesso.
Se não vejamos: - na antiguidade clássica - Helénica e Espartana - o termo e o conceito de cidadão era aplicado, com rigor, àqueles a quem era reconhecido esse estatuto social, compreendendo nele, todos os direitos e deveres inerentes. Se havia favorecimento no tratamento e nas tarefas cometidas, este comportava a responsabilidade de obedecer a regras, valores e a formalismos correspondentes.
Durante séculos, porque a democracia fora outro sentimento e prática perdidos, o termo e, mais do que o termo o conceito, foram perdendo sentido, significado e importância e, rapidamente entraram em desuso, no quotidiano social.
O ciclo da vida traz destas coisas. Nasce-se, cresce-se e morre-se. O mesmo se passa com as palavras seus significados e significantes. Não admira pois, que também a cidadania tenha sido interpretada, ao longo dos tempos, de acordo com conveniências pessoais ou de grupo, em sintonia com o Poder dominante, conforme as diferentes épocas.
É politicamente correcta, quando serve os interesses do Poder instalado. É detestável, quando discorda ou se opõe a uma certa visão de cidadania submissa e bajuladora.
Isto tem a ver com a cultura dos povos e com o exercício responsável de cada cidadão. Infelizmente para nós, o Povo dos “brandos costumes” da “serenidade”, sempre foi um entrave ao exercício, pleno, da cidadania. Pelo que é frequente assistirmos às injustiças mais clamorosas, quase sempre tendo como protagonistas os mais desfavorecidos, material e culturalmente. Sim, porque os poderosos, é nesta espécie de Limbo, que mais facilmente se apropriam das fragilidades democráticas e coarctam o direito do outro a rebelar-se e a usar o seu direito de cidadão.
Normalmente, esta atitude traz consequências muito graves que, apesar disso, caiem no esquecimento ou na indiferença. E se os ditos poderosos pensam que isso é bom porque não os afecta a eles, como estão enganados. Há sempre um momento de desespero dos oprimidos, que os faz recorrer aos seus instintos mais primários e a partir daí não há muros que segurem a fúria da intempérie que se avizinha.
É por isso que vamos conhecendo a prisão e por vezes a morte dos abusadores da violência. Da retaliação dos gangues dos guetos sobre as autoridades. Da afronta directa ou camuflada à democracia.
Também é no desrespeito pela Natureza que a cidadania se compromete. E como pode ser cruel a sua revolta. São os tufões, as derrocadas, os sismos, os incêndios e tantas outras catástrofes a que assistimos diariamente. O Homem, em vez de respeitar o Ambiente e a Biodiversidade, olha para o seu umbigo e o que lhe importa sãos os seus interesses individuais imediatos, não conseguindo discernir, que tudo o que destruir hoje, alguém pagará a factura amanhã, podendo ser o próprio ou seus descendentes. Serão, com toda a certeza, os seus semelhantes num qualquer lugar ou parte do Mundo.
Por tudo o que se referiu e pelo muito que se omitiu não há nada melhor que, cada um de nós aprofunde, em conhecimento e atitude, este Valor inestimável que é a Cidadania. Hoje não reduzida à dimensão geográfica Nacional mas a um nível mais alargado, que é o Direito e o Dever da Cidadania Europeia.
Se queremos uma Justiça mais célere e mais Justa; uma Educação mais eficaz e mais exigente; uma Cultura mais democrática; uma Saúde mais global e sempre pronta; uma Democracia plena; uma Segurança mais presente e mais próxima; uma Segurança Social mais rigorosa e mais selectiva; uma Fiscalidade mais equitativa; não podemos alijar para os outros a responsabilidade individual que nos cabe a todos e a cada um.
Junho de 2010
José Rainho Caldeira

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Congresso

Hoje terminou o 37º congresso do PSD onde foi eleito Rui Rio para presidente. Apesar da comunicação social esquerdista apontar apenas e só, divergências, divisões e outras putativas dificuldades, gostei de ver a unidade do Partido, a união de algumas glórias, a convergência de posições políticas consentâneas com a matriz ideológica do PSD de Sá Carneiro.
Espero que seja tudo verdade e que a intuição que tive e o discurso do Líder sejam confirmados pela realidade futura.
Não tenho dúvidas que o Passos Coelho deixou o Partido e o País em mísero estado. Prejudicou gravemente a classe média portuguesa enquanto deixou os lambões dos banqueiros e empresários usurários se locupletarem com as poupanças e os sacrifícios dos pobres. Tantos portugueses que ficaram sem casa e sem poupanças continuam a suportar com os seus impostos a opção errática do incompetente Passos. Todos os portugueses pagantes continuam a suportar, agora com alguma bonomia, a factura de tal incompetência, já que a dita incapacidade até deu lugar à impunidade de uma propaganda reles e fraudulenta da Geringonça.
Espero, francamente, que o país disponha, a partir de hoje uma oposição capaz e uma alternativa de governo para minimizar os prejuízos que este PS esquerdizado está a fazer ao país.
Demos tempo ao tempo.

Reflexão

Quando estava a fazer a minha higiene pessoal dei por mim a pensar: para que servirá um acessório existente nos lavatórios das casas de banho? A tampinha existente para permitir que a água não se esgote imediatamente não se utiliza no dia-a-dia. Então para que lá está? O mesmo para um copo que era suposto servir para lavar os dentes que está inactivo há anos?
São utensílios que há menos de cinquenta anos era de uso diário e permanente, hoje nem tanto.
São estas as variáveis que me levaram a questionar a mudança tão radical e em tão pouco tempo.
É que há menos de cinco décadas não havia água canalizada e, para uso diário, nas mais diversas situações era preciso ir à fonte mais próxima buscar o precioso líquido. Talvez por isso se lavava os dentes utilizando o copo com água. Lavava-se a cara com água depositada no lavatório e que não era mais de dois litros. O mesmo para a louça. Ainda semelhante para a roupa.
E vamos lá a ver, andávamos sujos? Não. Havia menos higiene? Não. Poupava-se água por sensibilidade para com o meio-ambiente? Não. Custava muito e gastava-se muito tempo no abastecimento deste líquido ao lar.
Hoje tudo são facilidades e, mesmo vendo que a seca e a falta de água no planeta é uma realidade, ninguém se preocupa e poucas são as pessoas que decidem ser parcimoniosas no uso deste bem essencial. Falo por mim, já se vê.
Posto isto não será altura de mudarmos o nosso comportamento? É que quem é da minha geração certamente se lembra da penúria da água em casa e até nos campos e, desta forma, não será difícil retroceder neste comportamento desbragado de desperdício deste bem escasso.
Que tal pensar nisto?

domingo, 28 de janeiro de 2018

RECORDAÇÕES

Hoje fomos até à sala de visitas da nossa terra, a zona de lazer da Meimoa. Eram para ai 15 horas, mais coisa menos coisa. Ainda não tínhamos aquecido a cadeira e já chegavam os nossos amigos João Alves e mulher. Enquanto bebíamos um chá fomos desfiando recordações. Aos velhos - é o nosso caso e não o dos nossos amigos - resta pouco mais do que viver de recordações. Chegaram pouco tempo depois os nossos primos Fajé e Mariazinha que chegaram depois de terem ido visitar a feira das varas nas Aranhas. Tecemos elogios e críticas ao evento, como não podia deixar de ser. Elogios merecidos por se dar visibilidade aos enchidos regionais. Ao bom tempero e à qualidade da carne.
As críticas também são muito merecidas. Em primeiro lugar porque os porcos são de raça bísara nada consentânea com a nossa região. Depois porque a Câmara Municipal gasta cerca de 30.000€ com este evento, sem qualquer tipo de retorno. Há mais gente é verdade mas não dá para se vislumbrar qualquer tipo de futuro para este evento por não ser sustentável. Quando a Câmara deixar de subsidiar na totalidade, com a oferta dos leitões, da lenha, do comes e bebes não haverá festa. Por outro lado não há, mesmo com estes apoios, quem arrisque produzir para vender. Fora do evento não se consegue comprar nada porque, na prática, não há ninguém que queira produzir carne para esse efeito. Por tanto este evento, sendo engraçado, não deixa de ser um embuste. É para pagode ver e para umas jantaradas para os amigos e os políticos no poder.
Depois passamos para a nossa terra e as recordações de coisas passadas. O Fajé ofereceu ao João - presidente da Junta de Freguesia - documentos que tem em seu poder que são relíquias históricas caso houvesse um lugar para os expor. O João disse que vai tentar arranjar um espaço para uma exposição temporária já que não tem espaço disponível para se tornar permanente.
Foi uma tarde bem passada. Vamos repetir. Abraço a todos.