SER VELHO!
Sou velho diz o Bilhete de Identidade!
Insistem no mote as articulações.
Mas eu que sou cheio de contradições
Digo não. A velhice não é só a idade.
Há quem diga por aí que é ser idoso
Que velhos são os trapos e coisas tais
Mas prefiro ser um velho como os demais
Do que idoso por pena, isso é doloroso.
Em tempos remotos, velho era sabedoria,
Experiência de vida, siso e prudência.
Opinião avisada que não assenta na ciência
Mas que colhe resultados da vida do dia-a-dia.
Assim não me importo de ser velho ter idade
Porque sou jovem no querer e pensamento
De que ainda posso fazer coisas com alento
Porque o meu espírito mostra-me capacidade.
Às vezes ponho-me a matutar ensimesmado
Que fui sempre um homem contracorrente
Na juventude ficava algo descontente
Por parecer mais velho porque era ajuizado.
Como dizia o jargão de outros tempos
Como a história do velho, criança e burro
Que a opinião do mundo até cheira a esturro
Quando compara os outros pelos seus talentos.
Não quero saber de opinião sem importância
Interessa-me continuar na minha persistência
A fazer coisas, ler, escrever, sorrir, amar, resiliência
De quem está vivo e quer apenas viver sem jactância.
Já agora que estamos no início do Novo Ano
Vou definir como objectivo viver com alegria
Sem queixumes, levar a vida do dia-a-dia
Como se o presente fosse o último quotidiano.
Zé Rainho (03/01/2020)
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