Este espaço pretende ser um local de comunicação com amigos e outros personagens que o queiram enriquecer com as suas ideias e sugestões.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2020
Era uma vez
Era uma vez…
Qualquer “estoria” que se preze, por princípio, deve começar: “era uma vez”.... Uns dirão que é normal, corriqueiro, antiquado. Outros, pensarão, apenas, que é uma forma prosaica e pouco imaginativa. Não nos ativemos a possíveis adjectivações. Apeteceu-nos e, pronto. Sabem? Às vezes, aos velhos também apetecem coisas. Que se há-de fazer? Cá vai a “estória”:
Nestes, como noutros tempos, numa qualquer floresta, situada numa qualquer localidade deste planeta, gravemente enferma da globalização, obrigatoriamente consumista, exigentemente conhecedora, cerebral mas não emocional, invejosa q.b., exaustivamente competitiva, assumidamente egoísta, os animais que a habitavam já não sabiam que fazer. Andavam atarantados procurando compreender o alcance das medidas, sistematicamente anunciadas, enfaticamente repetidas e supostamente objectivas, com vista a um amanhã risonho, fraterno, plural, solidário, onde todos tivessem o direito de nascer, crescer e viver cercados de amor, ternura, tranquilidade, segurança e com um mínimo de condições que satisfizessem as necessidades básicas, secundárias e até de prestigio, às quais, um sábio lá do sítio gostava de se referir, como direitos de todos e de cada um, sem excepção e/ou exclusão. Enfim, de levar uma vida, da concepção à morte, sem sobressaltos e angústias e terminar os dias com a dignidade devida a qualquer ser vivente, sem que no final se visse “depositado” numa qualquer caverna destinada a coisas imprestáveis.
Apesar das medidas, dos choques, dos sacrifícios de hoje, rotulados como receita para o gozo do amanhã, os animais andavam inquietos: desagradados uns; emproados outros; uns sem um buraco onde se abrigar e sem um trapo para se cobrir, outros rodeados de espaços abertos e cobertos, com aquecimento central, lagos artificiais, campos de diversão e outras coisas mais. Enquanto alguns se viam postergados para as margens do seu habitat transformadas em guetos, mesmo que todos os dias labutassem duramente, do romper do Sol até a noite já ir adiantada. Desde tenra idade até à adultez ou mesmo velhice, num esforço constante e persistente para ser cada vez mais útil, mais capaz, mais competente, mais contribuinte líquido para toda a sociedade, já os outros, por influência dos “padrinhos”, das “cunhas”, dos “magnatas” e dos “nomes família”, mal saíam da adolescência, com uma aprendizagem simplista, sem experiência de vida e de sobrevivência, saltavam para a ribalta da tal globalização como administradores de qualquer coisa, grandes espaços, muitos números, com direito a luxos e mordomias e desta forma, coisas que deveriam ser de todos eram só de uns poucos. Estes poucos não precisavam de suar para ter os tais espaços cobertos, luxuosamente atapetados e adornados, pagos com cartões das empresas que administravam. Às vezes até recebiam prendas, em vez de honorários, para não pagarem o contributo que era devido à manutenção da floresta.
É claro que alguns animais mais reflexivos se questionavam sobre o porquê de tanta disparidade, de tanta injustiça, de tanta desigualdade, de tanta iniquidade e cogitavam sobre a forma de mudar o estado daquela sociedade. Logo pensaram: - e se ouvíssemos os entradotes na idade que de tão viajados já conheciam outros modelos sociais? Se bem o pensaram melhor o fizeram. Pediram aos sábios, conselhos. Estes defenderam teorias, elaboraram leis, apresentaram teses mas os dias e os anos passavam e os resultados quando não se mantinham pioravam. As desigualdades em vez de se esbaterem acentuaram-se. Premiava-se a mediocridade e subalternizava-se a excelência. Enfim, o caos estava instalado e a insatisfação levava constantemente a manifestações quando não, mesmo, a actos de violência, vandalismo, ou coisa pior, racismo, xenofobia, terrorismo ou mesmo fundamentalismo. Porque a necessidade era tanta, num belo dia de Sol resolveram reunir-se, em Assembleia-geral, na vã esperança de comparar competências, capacidades, esforços e verem se podiam mudar o “Status Quo” instalado. Estabeleceram critérios de avaliação para procurarem encontrar quem governasse a floresta de uma forma mais justa e equilibrada. Isto exigia de todos e cada um, uma demonstração inequívoca, quer das capacidades intrínsecas quer das competências adquiridas.
Desta feita foi decidido convocar um referendo para que a todos fosse dada a possibilidade de mostrarem as tais capacidades inatas e as ditas competências adquiridas, para que depois de avaliadas se elegesse o bicho melhor preparado para governar o que já era um desgoverno. É claro que apareceram os elefantes, as baleias, as orcas, os tubarões, os rinocerontes e outros mastodontes que demonstraram que a sua força era insuperável e até se atreveram a lançar OPAS (Outras Potencialidades Assumidas e Subsidiárias) uns sobre os outros. Vieram depois os mais ágeis: felinos, gazelas e outros, que de tão velozes, em maratonas eram imbatíveis. Também não deixaram de aparecer as serpentes, venenosas ou inofensivas, mas sempre rastejantes e viscosas. As águias-reais de olhar agudo penetrante e velocidade na caça à presa. Enfim, todo o tipo de espécies que habitava a floresta e que de uma forma ou de outra mostravam ali a sua sageza, destreza, corrida, força, natação voo, nas tais coisas básicas e indispensáveis à vida e à sobrevivência de que nos falava o tal sábio do início da “estória”.
Analisados os resultados obtidos em função de todos os parâmetros estabelecidos, ao fim de um escrutínio sem truques nem malabarismos, as projecções à boca das urnas falharam todas, e em toda a linha. Porque se uns apontavam o leão como Rei eleito devido ao seu urro aterrorizador, outros diziam que o leopardo ganharia pela sua astúcia e agilidade e outros ainda apostavam no elefante pela sua força descomunal. Engano puro: o leão sendo forte e inteligente, não conseguia voar. Faltavam-lhe requisitos. O leopardo até subia às árvores mas não nadava e muito menos voava, apesar de ser veloz na corrida. Do elefante nem se fala, excepto na força e resistência todos os restantes parâmetros eram prejudicados. Não haveria ninguém que satisfizesse os quesitos? É claro que havia e daí a surpresa. Quem seria? Foi o Pato Bravo. Sim, o Pato. Apesar de não preencher, eficazmente, nenhum dos quesitos conseguia ser medíocre em todos. Voava mal, mas lá dava os seus pequenos voos. Nadava mal, mas não se afogava no lago. Corria pouco, mas lá ensaiava as suas curtíssimas corridas. Conclusão: foi eleito o Pato como o mais apto e mais condizente às necessidades organizativas da floresta. Não sendo bom em nada, não tendo competências para coisa nenhuma, nem sendo excelente em nenhuma tarefa, fazia da sua mediocridade a diferença pretendida. Nesta floresta afinal, não é preciso ser forte, nem inteligente, nem competente, nem ágil, nem eficaz, nem sequer lutador, basta que se seja medíocre. Esta é a condição básica para se chegar ao poder, desfrutar de benesses, ser alguém na vida. Desta feita, ainda que nos custe, lá teremos que aprender e esforçar-nos por sermos Patos, para que um dia qualquer, não nos confrontemos com, o inevitável empurrão, para as valetas da vida.
Abril de 2006
VELHO
SER VELHO!
Sou velho diz o Bilhete de Identidade!
Insistem no mote as articulações.
Mas eu que sou cheio de contradições
Digo não. A velhice não é só a idade.
Há quem diga por aí que é ser idoso
Que velhos são os trapos e coisas tais
Mas prefiro ser um velho como os demais
Do que idoso por pena, isso é doloroso.
Em tempos remotos, velho era sabedoria,
Experiência de vida, siso e prudência.
Opinião avisada que não assenta na ciência
Mas que colhe resultados da vida do dia-a-dia.
Assim não me importo de ser velho ter idade
Porque sou jovem no querer e pensamento
De que ainda posso fazer coisas com alento
Porque o meu espírito mostra-me capacidade.
Às vezes ponho-me a matutar ensimesmado
Que fui sempre um homem contracorrente
Na juventude ficava algo descontente
Por parecer mais velho porque era ajuizado.
Como dizia o jargão de outros tempos
Como a história do velho, criança e burro
Que a opinião do mundo até cheira a esturro
Quando compara os outros pelos seus talentos.
Não quero saber de opinião sem importância
Interessa-me continuar na minha persistência
A fazer coisas, ler, escrever, sorrir, amar, resiliência
De quem está vivo e quer apenas viver sem jactância.
Já agora que estamos no início do Novo Ano
Vou definir como objectivo viver com alegria
Sem queixumes, levar a vida do dia-a-dia
Como se o presente fosse o último quotidiano.
Zé Rainho (03/01/2020)
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
Para uma memória futura
PARA MEMÓRIA FUTURA®
MEIMOA – PENAMACOR
PRÓLOGO
Iniciamos este trabalho, no âmbito
da disciplina de “História Local e Regional do concelho de Penamacor” que faz
parte do currículo da Academia Sénior do mesmo concelho, no ano lectivo de
2015/2016, para que os vindouros possam vir a conhecer a vida real, nas suas
diferentes variáveis, vivida e sentida por aqueles que nos precederam.
Para não irmos mais longe e,
também, porque nos faltam fontes de investigação, mais ainda, porque o que está
escrito nem sempre referiu muitos dos que fizeram e fazem a história desta
freguesia de Meimoa e concelho de Penamacor, iremos, como auxílio dos anciãos,
fazer referências a pessoas, individualidades, instituições e gente anónima que
contribuiu, na medida das suas possibilidades e com as suas potencialidades
específicas, para a identidade sociológica do Povo que fomos e no que nos
tornámos.
Não podemos deixar de referir
personalidades que, pelas funções institucionais que desempenharam, merecem o
devido destaque o que não invalida que, também façamos alusão, aos que,
porventura, no seu anonimato, contribuíram igualmente, para a História deste
povo. Assim, referiremos famílias, nomes que englobem todos e ninguém se sinta
excluído deste despretensioso relato.
Se, porventura, não se mencionar
alguém, penitenciámo-nos desde já, dizendo que não será propositadamente, mas
sim desconhecimento e falta de informação.
1º Capítulo
Uma aldeia pobre, rural, que contém
no seu território um latifúndio ocupando as suas melhores terras e a maior
quantidade de recursos naturais implica, necessariamente, um conjunto
significativo de pobres, sem terra e completamente dependente de quem lhe dê
trabalho para suprir ao seu sustento e da sua família.
O maior empregador era, há seis
décadas atrás, o latifundiário que necessitava de uma enorme quantidade de
mão-de-obra para trabalhar todas as terras e plantas que possuía. Depois havia,
uns poucos, pequenos agricultores, que também iam necessitando de um jornal ou
outro, para tarefas específicas e isso era um complemento na economia da
aldeia.
Em meados do século passado ainda
havia, nesta localidade, um índice de analfabetismo que rondava os 75% nos
homens e cerca de 95% nas mulheres, o que condicionava a vida da generalidade
da população à sua fixação à terra de nascimento. Aqui se nascia, crescia,
procriava e morria, sem nunca se ver o mar ou outras maravilhas históricas de património
edificado que hoje, os mais novos, é com incredulidade que ouvem relatos destes
modos de viver.
Sociologicamente este isolamento
trazia consigo uma necessidade tão natural que era inquestionável. Casar,
muitas vezes, com parentes ainda chegados para juntar os bocados de terreno e,
também, porque o contacto com outros povoados e outras gentes era difícil e
limitativo ao conhecimento de novas gentes.
Desta forma a freguesia tem pouco
mais do que uma dezena de famílias distintas cujo facto é verificável pelos
apelidos existentes. Até se costuma dizer que toda a gente é mais ou menos
primo de toda a gente.
Na circunstância quem tinha algum
objectivo de se livrar do trabalho manual no campo procurava que um filho que
fizesse a quarta classe fosse encaminhado para o Seminário para ser Padre.
Facto que requeria alguma capacidade intelectual por parte do adolescente mas
também algumas arregaças do que havia em casa para obsequiar quem intercedesse
pelo seu ingresso.
Às raparigas, que na época, obtiam
a escolaridade mínima com, apenas, o exame da 3ª classe enquanto tal, para os
rapazes, só se atingia com a 4ª classe. Desta forma a elas estava reservado o
lugar de criada nalguma casa com posses, principalmente nas cidades maiores e,
particularmente em Lisboa. Livrando-se do trabalho duro do campo, não se livravam
do trabalho, igualmente penoso de uma casa, geralmente com uma prole alargada,
a quem era preciso dar comida, lavar a roupa e passá-la, para além dos
restantes trabalhos domésticos que iam desde a compra de produtos no mercado, diariamente,
até à sua confecção.
Quando esse trabalho era respeitado
e pago mensalmente, já era um salto na hierarquia social que permitia, mais
tarde, um casamento com um artífice ou agente das forças de segurança. Mas,
muitas vezes, essas mesmas moças eram violadas pelos patrões ou seus filhos
rapazes, que assim iniciavam a sua vida sexual e, depois, como a culpa era
sempre atribuída à mulher, dizendo-se que ela é que provocava e outras coisas
do género, o que muitas vezes, atirava com essas pobres raparigas para uma vida
ainda mais desgraçada, que era a prostituição.
O estudo oficial para além da 4ª
classe era raro para os rapazes e mais escasso ainda para as raparigas. Era
necessário que as famílias tivessem algumas propriedades rústicas e delas
tirassem rendimento que pudesse arcar com as despesas, que eram muitas, só com
o alojamento e a alimentação e o material escolar, já que a propina era
relativamente barata.
Mesmo com estas condicionantes a
Meimoa pode orgulhar-se de ter na sua sociedade gente com funções relevantes a
nível nacional. Juízes, Generais, Oficiais Superiores, das Forças Armadas,
Sacerdotes, Professores, Mestres, Investigadores, Quadros Superiores da Função
Pública e/ou de Empresas relevantes, Políticos, Médicos, Enfermeiros enfim, todas
as profissões que são o esteio de uma sociedade evoluída.
Se atentarmos ao que atrás se disse
das condições económicas e geográficas facilmente se entenderá que foi com
imenso esforço dos que estudaram e de muitos irmãos desses que não tiveram a possibilidade
de estudar, que alcançaram tais patamares de relevo na sociedade portuguesa.
2º Capítulo – Mobilidade Social
Então comecemos pelos Sacerdotes. Uma aldeia tão pequena deu
ao Serviço de Deus uma plêiade de sacerdotes dos quais já só estão dois vivos,
na altura em que fazemos este relato para memória futura. São eles o
Missionário da Consolata Reverendo Padre José Torres Neves que, apesar da sua
provecta idade, ainda continua a sua caminhada de Missão por terras do Norte de
Moçambique. Homem que fez da sua vida uma total entrega aos mais necessitados
nos diferentes continentes, Europa em Portugal e Itália onde se pós gradou nos
estudos teológicos que lhes permite ser formador dos novos padres africanos,
mas também da América Latina onde passou grande parte da sua vida. É também o
Reverendo Padre Manuel Alves que em terras alentejanas fez a sua carreira como
Pároco e também Professor no Seminário de Beja. Um estudioso das Línguas Latim
e Grego e da História e Teologia contidas nas Sagradas Escrituras.
Dos falecidos é justo falar dos
Reverendos Padres: - Joaquim Moiteiro que, depois de exercer as funções de
Capelão Militar se radicou no Meimão onde paroquiou até ao seu falecimento;
Os quatro irmãos Fatelas – Padre
Manuel Fatela que paroquiou o Pedrógão de São Pedro e Caria, onde veio a
falecer; Padre Frederico que paroquiou em Seia e também no Canadá; Padre
Joaquim que foi Professor na Universidade Católica e responsável da Obra do
Gaiato, no Alentejo e lá faleceu; Padre Augusto, Missionário da Consolata que
efectuou a sua Missão em África, nomeadamente no Norte de Moçambique onde
construiu uma Igreja em honra de Nossa Senhora da Conceição, como lembrança da
Padroeira da Terra que o viu nascer.
O Sobrinho dos referidos Padres
acima, Cónego Manuel Soares de Oliveira, Professor dos Seminários Menor do
Fundão e Maior da Guarda, tendo sido membro da Cúria Diocesana e seu Vigário
Geral;
Padre César Fatela, primo afastado
dos acima referidos que foi pároco em várias paróquias do Arciprestado de
Penamacor e de outros Arciprestados, Professor no Externato Nossa Senhora do
Incesso de Penamacor e Examinador externo nos Liceus Públicos da Guarda e de
Castelo Branco tendo terminado a sua carreira de sacerdote nesta nossa
Freguesia onde veio a falecer. Para além das suas actividades pastorais e
docentes era também o Pregador de Serviço nas Festas e Romarias da Diocese para
onde era solicitado pelos seus colegas devido ao seu dom oratório e ao seu
empolgamento no momento da Pregação;
Padre Tarrinha que além de Pároco
de Manteigas também foi professor e proprietário do Colégio Local que
proporcionava aos alunos formação liceal do início ao fim;
Padre Bento, prior do Fundão e seu
Arcipreste onde trabalhou toda a sua vida e veio a falecer. Muito respeitado
naquela localidade e muito influenciador de que vários rapazes iniciassem a sua
formação académica naquele Seminário Menor.
Na vida militar, se recuarmos ao século XIX temos de referir o
Capitão Martins que fez parte da Guarnição militar de Angola e nela perdeu a
vida ao serviço da Pátria. Também houve alguns soldados que foram para a 1ª
Grande Guerra Mundial mas que, felizmente, nenhum deles perdeu a vida, ainda
que pela Flandres tenham ficado e abandonado totalmente o torrão natal e
respectivas famílias. Mais tarde, na guerra colonial, em Moçambique, perdeu a
vida o Alferes Miliciano João Nabais.
Também na vida militar em manobras
próprias, da iniciação designada recruta, faleceu o Joaquim Tarrinha ao
manobrar uma granada de mão defensiva, que o atingiu em pleno e o destruiu
completamente.
É de referir também, pelo seu
significado, o Tenente Soares que, na reserva, desempenhou as funções de
Presidente da Junta de Freguesia tendo construído a primeira Escola (escola
masculina) em terreno cedido por familiares seus e alargado as ruas para
poderem circular carros de bois carregados. Tal implicou a demolição de alguns
balcões, outras tantas cortelhas de porcos e, num gesto que faria corar de
vergonha os políticos de hoje, começou por demolir os pertences da sua própria
e directa família, dando exemplo ao povo de que para o bem público deve
sacrificar-se o bem privado. Teve uma morte macabra devido a desavenças com a
esposa e a enteada – casou com uma viúva que tinha uma filha – que lhe
transformaram a vida num inferno que ele quis acabar matando as duas e
suicidando-se de seguida.
Na marinha destacaram-se o
Almirante Fonseca, filho do Professor João José Fonseca (carchola) e o
Comandante Lopes que não sendo natural desta freguesia aqui casou e cá se
radicou, todos estes na primeira metade do século XX.
Não deixa de ser curioso referir
também o Soldado Manuel Neves que fez parte da guarda de honra ao Presidente da
República Sidónio Pais, no dia em que este foi assassinado, na estação
ferroviária do Rossio em Lisboa em 1919.
Não pertencendo a esta freguesia
por força do nascimento mas fazendo parte dela pelo matrimónio houve dois
segundos sargentos que foram aposentados compulsivamente, em finais da 1ª
República, por comportamento pouco abonatório e radicaram-se nesta terra onde
continuaram a fazer muitas das tropelias que fizeram enquanto militares de
carreira, oprimindo e explorando os pobres trabalhadores desta terra, ofendendo
as crenças religiosas do povo e afrontando a hierarquia da Igreja Católica.
Foram, na circunstância, o Sr. Ferreira e o Sr. Leitão. Pessoas a quem se
obedecia por medo de represálias mas, comportando-se como senhores feudais, não
cultivaram qualquer tipo de amizade.
Muitos outros militares houve que
fizeram a sua vida militar, no tempo do serviço militar obrigatório, até metade
do século vinte e que de uma forma ou de outra serviram com brio a Pátria quer
servindo nas guarnições dos diferentes quartéis e armas espalhados pelo País,
do Porto a Lisboa, Tavira, ou Caldas da Rainha, Tomar, Castelo Branco, Covilhã
e Penamacor. Até houve casos de, no princípio da década de quarenta do século
passado, praças que depois de terem passado à disponibilidade, foram novamente
convocados para prestarem serviço em manobras na OTA com vista à sua integração
na força de defesa dos Açores, particularmente da base das Lages que, no auge
da 2ª Guerra Mundial e sendo Portugal um país neutro, eram pontos geográficos e
estratégicos para todos os contendores e, como tal, apetecíveis a todos. O
Estado Novo que se quis manter neutro neste conflito viu-se obrigado a defender
aquele espaço nacional já que era frequente a sua violação quer por ar ou por
mar. As manobras de preparação do contingente cessaram quando em 1943 o Estado
Português estabeleceu um pacto com os Estados Unidos da América e este deu
contrapartidas monetárias, em armamento e até na empregabilidade do povo, sendo
assim, desconvocados os militares destinados ao referido contingente.
Quando teve início a designada
Guerra Colonial, que não fora mais que uma disputa entre as grandes potências
mundiais para explorarem os recursos económicos das regiões ultramarinas sob
jurisdição portuguesa, apesar do País fazer parte de direito e de jure das Nações Unidas, da Nato e até da EFTA e da
OCDE, foram mobilizados para defender as populações civis de diferentes cores e
raças, muitos militares de todas as patentes, do simples soldado ao oficial
general, Major General, João Afonso Bento Soares, passando pelos furriéis e
alferes milicianos, sargentos do quadro, até às patentes de oficiais superiores
como o coronel João Sena, por exemplo.
Houve ainda oficiais do quadro que
iniciaram a carreira como soldados e chegaram à patente de Capitão e Tenente
como foram os casos do Capitão Caldeira e do Tenente António Romão. Primeiros-Sargentos
e Sargentos-Chefes também houve alguns, pertencentes ao Exército e à Força
Aérea.
Muitos destes militares começaram
as suas comissões na Índia Portuguesa onde tivemos um soldado corneteiro,
função muito importante no exército, e muitos outros militares de diferentes
patentes passando depois pela Guiné, Moçambique, Angola, Timor, numa época em
que a maioria da população entendia a sua Pátria com início no Minho e indo até
ao longínquo Timor.
Sendo um período difícil para a
maior parte dos rapazes de 20 anos não deixou de lhes marcar o carácter, quer
pelo sacrifício e horrores vividos mas também pelos novos horizontes que
descobriram. Florestas e Chuvas tropicais marcantes, savanas, pântanos da Guiné
e desertos como os do Namibe em Angola, mas tudo muito amplo, muito grande, se
comparado com este pequeno rectângulo à beira-mar plantado. Tudo isto foi
relevante para a descoberta e o conhecimento de novas formas de vida que deu
azo a mudanças na estratificação social e também no desempenho de diferentes
funções, até aí, consideradas inacessíveis.
Nas cúpulas do poder Judicial tivemos o Juiz Conselheiro Messias
Bento que fez parte do Tribunal Constitucional durante mais de uma década, e no
Tribunais criminais o Juiz Desembargador Celestino Cabanas Bento, o Procurador
da República Dr. Manuel Caldeira Bento, Juíza Carla Caldeira Bento Carecho e
muitos, muitos advogados, com relevância para o Dr. Mário Bento Soares que foi
Governador Civil da Guarda, Deputado da Assembleia Nacional no Estado Novo e mais
tarde Director de Serviços no Ministério da Justiça.
Mas também como funcionários
judiciais muitos foram os meimoenses que, nesta área, fizeram e ainda alguns
fazem, a sua carreira. Nesta categoria não nos podemos esquecer dos inpectores
da Judiciária com funções de relevo no combate ao crime.
Na Medicina uma palavra de reconhecimento pela competência e
capacidade e inovação do Neurocirurgião, Dr. Francisco José Bento Soares, o
mais antigo, que teve um papel relevantíssimo como primeiro neurocirurgião no
Hospital Pediátrico de Coimbra, onde foi Director de Serviços e Mestre de
muitos outros Neurocirurgiões que eram a nata desta especialidade na Europa a
fazer intervenções ao nível do cérebro de crianças e de adultos. Durante a sua
carreira efectuou mais de 1400 cirurgias ao cérebro. Hoje já deixou assegurada
a sucessão no seu filho Dr. Gustavo que segue as pisadas do pai na mesma
especialidade médica.
Mas também, outros médicos
especialistas de Medicina Familiar como a Dra. Ana Maria Cerdeira Caldeira que
exerce as suas funções em Viseu e vários enfermeiros que, de Lisboa, passando
por Coimbra, Covilhã e mesmo localmente, exercem com profissionalismo a sua
missão insubstituível no campo dos cuidados clínicos tão necessários ao doente.
Não nos podemos esquecer de uma significativa quantidade de enfermeiros de
diferentes especialidades, uns falecidos, outros aposentados e outros ainda em
funções, que com os demais profissionais são o esteio do Serviço Nacional de
Saúde.
Na função Pública continuam a
destacar-se Quadros Superiores em lugares de muita responsabilidade das funções
do Estado, em todos os Ministérios. Das Finanças à Defesa, da Segurança Social
à Assembleia da República. Estes funcionários não pertencem às cúpulas porque
não estão filiados em Partidos Políticos e é o seu mérito que lhes dá relevo
nas funções que desempenham.
De referir, também, uma figura
singular, o Dr. Mário Pires Bento que na Arqueologia, por simples e apaixonado hobby fez caminho relevante e, para os
vindouros ficam um museu do qual é patrono na nossa freguesia e, também, foi o
primeiro a dar os passos indispensáveis para a criação do Museu de Penamacor.
Por força do Poder Político saído
do 25 de Abril de 1974, um regime designado democrático – mas pouco, dizemos
nós – apareceram algumas figuras que, como marionetas do Poder Político e
também com o seu respaldo, atingiram lugares importantes. Temos nesta
circunstância um Vereador voluntário da Comissão Administrativa presidida pelo
Sr. José Pinto, que era o Sr. José Cameira. Temos, já elegido democraticamente,
como Presidente da Câmara de Penamacor, o Dr. Francisco Martins Ribeiro e
Vereador da mesma Câmara, Dr. António Conceição Cabanas. Sem lhes retirar mérito não podemos colocar estas personalidades ao
nível das já mencionadas, já que foi por escolha do Poder Político Partidário
que alcançaram a ribalta. Em abono da verdade deve-se dizer que o Dr. António
Cabanas tem uma profissão na ICNF, é sociólogo, e logo que saiu da Câmara
regressou ao seu lugar de origem. O Dr. Francisco Ribeiro foi coproprietário do
Colégio de Penamacor dada a conjuntura criada com o 25 de Abril de 74 com os
designados contratos de associação em que o Ministério da Educação enriqueceu
muitos destes proprietários, pelo país fora e, ainda hoje acontece em alguns
casos.
Já que referimos estas
personalidades do Poder Municipal não podemos esquecer os restantes autarcas,
Presidentes, Secretários e Tesoureiros das Juntas de Freguesia que, como órgãos
executivos pugnaram pelo bem deste Povo. Mas, porque é de Justiça, temos de
diferenciar aqueles Presidentes que desempenharam as suas funções em regime de
voluntariado e aqueles que recebem algum pecúlio monetário para fazerem o mesmo
serviço. Antes do 25 de Abril eram nomeados pelo Governo e, como tal, quase
obrigados a desempenhar as funções. Depois do 25 de Abril foram todos eleitos
mas só a partir de 1982 é que passaram a ser remunerados. Há aqui diferenças
que são fruto de políticas e não da responsabilidade de cada um mas que têm,
necessariamente, de ser relevadas de forma diferenciada.
Mas, para existir esta gente tão
altamente conhecedora e tão altamente colocada, importa referir uma classe que,
sem ela, ninguém chegaria a tais patamares. Os professores primários e de outros graus de ensino que, não só
ensinaram as primeiras letras a esta gente ilustre, como os incentivou a
prosseguir e lhes deu as bases para continuarem a caminhada de irem mais além.
Daí a termos tantas e tão prestigiadas figuras que levaram o nome da Meimoa e
do Concelho de Penamacor a muitas partes do Mundo.
Não podemos esquecer tanta gente
anónima que desta terra levou nome, educação e valores. Foram aventureiros,
empreendedores e vencedores na vida altamente competitiva de países mais
avançados. Lembramo-nos dos nossos
emigrantes. Primeiro para o Brasil, depois para a África, Angola,
Moçambique, que sendo consideradas terras portuguesas, não deixavam de ser
locais para onde a emigração era, porventura, mais difícl. Para a França, para
o Luxemburgo, Suíça, Alemanha e outros países da Europa Ocidental. Também estes
mostraram a têmpera de que são feitos os Homens e Mulheres da Meimoa e merecem
todo o nosso respeito. Muitos deles analfabetos, conhecendo mal a Língua Pátria
e desconhecendo, em absoluto, as Línguas Estrangeiras aí singraram na vida e
deram aos seus filhos ferramentas que lhes possibilitaram fazer vida e melhorar
significativamente as suas condições sociais e económicas.
3º Capítulo – Vida Quotidiana
Vida social: - O dia-a-dia foi sempre de trabalho duro do campo.
As famílias eram, em regra, muito numerosas.
Não havia nem água, nem Luz
eléctrica nem saneamento básico até à década de cinquenta do século passado,
data da inauguração da energia eléctrica. Passados mais vinte anos a freguesia
foi dotada de água ao domicílio e na década de oitenta foi construído o
saneamento básico.
Enquanto não havia nada destas
condições a iluminação era à base da candeia de azeite e os serões eram
passados à lareira onde se reuniam avós, pais e filhos, sentados em “tropeços”
de cortiça e aí eram contadas as histórias e as lendas de moiras encantadas,
lobisomens e outras personagens que levavam as crianças ao imaginário das
coisas boas e felizes da vida.
De salientar uma peripécia
importante nesta freguesia.
De todos é sabido que durante o
Estado Novo as eleições eram levadas a cabo em Lista única da União Nacional,
única entidade com permissão para apresentar lista para eleições que, como
simulacro que eram, queriam aparentar alguma democracia. No entanto, sem que
fosse do conhecimento da generalidade do povo, sempre que houve eleições para
órgãos nacionais ou locais apareceram mais do que uma lista, sendo, como é
óbvio, uma representativa da oposição. Esta oposição difusa, desconhecida, mas
sempre presente e, muitas vezes ganhava esta. Na circunstância era necessário
recorrer ao Governo Civil e à GNR para de forma abusiva, adulterarem os
cadernos eleitorais e assim ganhar a lista da situação e tudo ficar na paz e no
bem. Mas, para se chegar a este ponto, muitas vezes havia bordoada de criar
bicho, com fogueiros e arrochos, paus de marmeleiro e outros tipos de materiais
contundentes que, por vezes, deixavam muitas cabeças partidas ou muitas
costelas rachadas.
Não podemos também esquecer que,
quando da implantação da República em 5 de Outubro de 1910 a população viveu
muitos anos dividida politicamente entre republicanos e monárquicos, que
faziam, à vez, as suas manifestações prós e contras, com vinho a granel e muita
arrochada pelo meio. Porém, a maior parte das pessoas dava-se bem fora desses
períodos conturbados.
Até porque, se nos aprimorarmos,
podemos descortinar e descobrir que, até à primeira metade do século XX havia
cerca de uma dezena de famílias nesta freguesia, aqui e ali salpicada por algum
forasteiro, homem ou mulher, que pelo matrimónio, vinham fazer parte desta
população.
Assim, grosso modo, pode-se dizer
que na época, pontuavam as famílias Bento, Cabanas, Fatela, Andrade, Caldeira,
Pires, Pina, Fonseca, Martins e Soares.
Era entre estas famílias que se
consorciavam as novas gerações o que dava origem a uma constatação até aos dias
de hoje. Todos os oriundos desta freguesia têm entre si algum grau de
parentesco mais ou menos longínquo. Por issso, é comum dizer-se, que na nossa
freguesia toda a gente é prima de toda a gente.
COMO UM GRUPO PORTUGUÊS VÊ A UNIÃO EUROPEIA:
Somos e sentimo-nos europeus de
corpo inteiro. Temos por princípio pensar que em primeiro lugar somos europeus,
a seguir portugueses e por fim Beirões.
O que não invalida que sejamos acérrimos defensores da nossa Língua, Cultura e
Tradições.
Entendemos, até, que este deveria
ser o novo paradigma da União Europeia do século XXI. E, se assim fosse, todas
as reticências, desconfianças, cepticismos ficariam esbatidos, senão, mesmo
elimininados.
Gostamos dos princípios
orientadores da União de todo o Povo Europeu, nas suas diversidades e
especificidades culturais, linguísticas e tradições. Apreciamos, sobretudo, a
existência e a actuação do Tribunal Europeu na defesa dos Direitos Humanos, não
só Europeus mas de todo o Mundo.
Não sendo assim e, infelizmente
não é, temos, óbvias reticências a muitas das medidas tomadas pela União
Europeia, a saber:
·
Desde logo com uma certa indefinição de poderes
de algumas Instituições Europeias. Por exemplo, a incoerência da existência de
uma Comissária dos Negócios Estrangeiros numa Europa sem que haja uma única
política Externa Europeia, bem definida e bem delimitada. Damos exemplos:
Porque é que foram a Alemanha e a França
os interlocutores com a Rússia e a Ucrânia no, hipotético cessar-fogo, e
não foi a Comissária Europeia da Diplomacia a promover o diálogo e a levar uma ideia
de política externa única e coesa de toda a União europeia?
·
A multiplicação de Órgãos e Instituições que, em
muitos aspectos se atropelam, quando não se contradizem;
·
PARLAMENTO
EUROPEU; CONSELHO EUROPEU; CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA;
PRESIDÊNCIA
DO CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA; COMISSÃO
EUROPEIA; TRIBUNAL DE CONTAS EUROPEU; SERVIÇO EUROPEU PARA A ACÇÃO EXTERNA; COMITÉ SOCIAL E ECONÓMICO EUROPEU;
COMITÉ DAS REGIÕES; BANCO
EUROPEU DE INVESTIMENTO; PROVEDOR
DE JUSTIÇA EUROPEU; AUTORIDADE EUROPEIA PARA A PROTECÇÃO DE
DADOS; SERVIÇO EUROPEU DE
SELECÇÃO DE PESSOAL; AGÊNCIA E ÓRGÃO EURATOM; TRIBUNAL
DE JUSTIÇA DA UNIÃO EUROPEIA; SERVIÇO DAS PUBLICAÇÕES EUROPEIAS; ESCOLA EUROPEIA DA ADMINISTRAÇÃO; AGÊNCIAS
E ORGANISMOS ESPECIALIZADOS DESCENTRALIZADOS…
·
Como se podem conjugar tantos Organismos, todos
eles com competências próprias? Um exemplo: O Conselho Europeu define as
Orientações Políticas Gerais da União Europeia mas não tem poderes para adoptar
Legislação;
·
Outro exemplo de sobreposição de poderes: O
Parlamento Europeu, único Órgão Eleito, representa os cidadãos da União
Europeia; O Conselho da União Europeia representa os Governos Nacionais (então
os Governos Nacionais não são eleitos pelos respectivos Povos e não fazem parte
dos cidadãos europeus)? A comissão Europeia que vela pelos interesses da União
Europeia no seu todo. Então e o que fazem os dois Organismos anterios, não é
defender os interesses da União Europeia? Há aqui alguma confusão que bem
poderia ser repensada e poupar-se-ia dinheiro dos contribuintes Europeus, que
somos todos nós.
·
Outra questão diferente da anterior mas que
entronca na disparidade de funções dos Órgãos:
·
Porquê, sendo todos os cidadãos europeus não têm
todos, os mesmos direitos e as mesmas possibilidades? Porque é que um Português
não pode comprar um automóvel em qualquer País da União Europeia e pagar apenas
o imposto no país da aquisição?
·
Porque é que as Políticas Europeias são mais
benevolentes para com uns Países do que para outros? Isto é visível na PAC
(Política Agrícola Comum) que controlando a agricultura e a pesca da União
Europeia é sempre favorável à França, Dinamarca, Noruega, Espanha e promove, ao
mesmo tempo, o desmantelamento desses
sectores produtivos em Portugal, por exemplo?
·
Porque se permite que o Luxemburgo, Gibraltar,
por exemplo, sejam verdadeiras offshores onde se lava dinheiro da corrupção e
negócios menos transparentes.
·
Já que falámos em Gilbraltar, como se compreende
que dentro do espaço da União Europeia haja colónias de Estados Membros em
território de outros Estados membros. Gibraltar é histórica e geograficamente
Espanhol mas é administrado pelo Reino Unido.
·
Porque não há impostos únicos e iguais em todos
os países da União evitando, dessa forma, a deslocalização das sedes de grandes
empresas para pagarem menos impostos do que no País e Origem? É o caso de
algumas das maiores empresas portuguesas do PSI 20 que têm a sua sede
contributiva na Holanda, Suiça e outros Países com regime fiscal mais
favorável.
·


Porque se sente um certo receio do
Federalismo Europeu? Não caberia às Instituições Europeias demonstrar as
virtualidades do mesmo? Isto levaria ao já referido conceito: EUROPEU PORTUGUÊS BEIRÃO PENAMACORENSE, ETC.
·
Porque é que os Deputados Europeus e todos os
burocratas de apoio ao Parlamento e à Comissão são pagos principescamente, se
considerarmos os países de origem? Porque tantas regalias? Qual a necessidade
de o Parlamento Europeu ter duas sedes: Bruxelas e Estrasburgo?
·
Para não alongarmos, tendo em conta um novo paradigma
que gostaríamos de ver implementado, diremos que:
o
Devia haver mais igualdade entre países da União
Europeia, independentemente da sua dimensão;
o
Devia haver mais democracia na União Europeia. O
mesmo é dizer que o Parlamento Europeu devia ser o Órgão Máximo a quem todas as
restantes Instituições devem esclarecimentos e obediência, já que é o único
Órgão Eleito;
o
O Banco Europeu devia emitir moeda de acordo com
a riqueza de toda a União e ser um fiscalizador dos outros países que emitem
moeda como é o caso dos EUA, do Japão, da China e da Rússia. O Dólar não
assenta no ouro mas no petróleo, o que, em si mesmo, não é grave. Mas, a ser
assim, a desvalorização do petróleo deveria ter consequências no valor facial
do Dólar, ou não?
o
A América domina a Banca, o Mundo Financeiro e
faz dele o que bem entende. Basta atentar na crise que se abateu sobre a Europa
pela falência de Bancos Americanos, com ondas de choque em todo o Mundo,
principalmente na Europa do EURO.
o
As Instituições deveriam ser mais austeras nas
despesas mantendo a dignidade de uma Grande Potência.
o
Ter uma
estratégia de política externa que não dependa de nenhum bloco no que respeita
à energia e outros produtos básicos aos cidadãos, à defesa do Meio Ambiente, à
promoção da Paz e da Concórdia.
o
Todos os dados apontam que só de 50,3% do
Europeus que se dizem satisfeitos ou muito satisfeitos com a União Europeia, os
restantes 49,7% dizem estar muito insatisfeitos, pouco satisfeitos ou não
querem responder o que agrava o sentimento de insatisfação.
Meimoa, 27 de Fevereiro de
2015.
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
Cidadania
Porque me parece actual aqui vai um texto que escrevi em 2010:
CIDADANIA
A evolução é natureza da condição humana. É claro e evidente, que nem sempre, evolução pressupõe desenvolvimento. Muitas vezes é até, retrocesso.
Se não vejamos: - na antiguidade clássica - Helénica e Espartana - o termo e o conceito de cidadão era aplicado, com rigor, àqueles a quem era reconhecido esse estatuto social, compreendendo nele, todos os direitos e deveres inerentes. Se havia favorecimento no tratamento e nas tarefas cometidas, este comportava a responsabilidade de obedecer a regras, valores e a formalismos correspondentes.
Durante séculos, porque a democracia fora outro sentimento e prática perdidos, o termo e, mais do que o termo o conceito, foram perdendo sentido, significado e importância e, rapidamente entraram em desuso, no quotidiano social.
O ciclo da vida traz destas coisas. Nasce-se, cresce-se e morre-se. O mesmo se passa com as palavras seus significados e significantes. Não admira pois, que também a cidadania tenha sido interpretada, ao longo dos tempos, de acordo com conveniências pessoais ou de grupo, em sintonia com o Poder dominante, conforme as diferentes épocas.
É politicamente correcta, quando serve os interesses do Poder instalado. É detestável, quando discorda ou se opõe a uma certa visão de cidadania submissa e bajuladora.
Isto tem a ver com a cultura dos povos e com o exercício responsável de cada cidadão. Infelizmente para nós, o Povo dos “brandos costumes” da “serenidade”, sempre foi um entrave ao exercício, pleno, da cidadania. Pelo que é frequente assistirmos às injustiças mais clamorosas, quase sempre tendo como protagonistas os mais desfavorecidos, material e culturalmente. Sim, porque os poderosos, é nesta espécie de Limbo, que mais facilmente se apropriam das fragilidades democráticas e coarctam o direito do outro a rebelar-se e a usar o seu direito de cidadão.
Normalmente, esta atitude traz consequências muito graves que, apesar disso, caiem no esquecimento ou na indiferença. E se os ditos poderosos pensam que isso é bom porque não os afecta a eles, como estão enganados. Há sempre um momento de desespero dos oprimidos, que os faz recorrer aos seus instintos mais primários e a partir daí não há muros que segurem a fúria da intempérie que se avizinha.
É por isso que vamos conhecendo a prisão e por vezes a morte dos abusadores da violência. Da retaliação dos gangues dos guetos sobre as autoridades. Da afronta directa ou camuflada à democracia.
Também é no desrespeito pela Natureza que a cidadania se compromete. E como pode ser cruel a sua revolta. São os tufões, as derrocadas, os sismos, os incêndios e tantas outras catástrofes a que assistimos diariamente. O Homem, em vez de respeitar o Ambiente e a Biodiversidade, olha para o seu umbigo e o que lhe importa sãos os seus interesses individuais imediatos, não conseguindo discernir, que tudo o que destruir hoje, alguém pagará a factura amanhã, podendo ser o próprio ou seus descendentes. Serão, com toda a certeza, os seus semelhantes num qualquer lugar ou parte do Mundo.
Por tudo o que se referiu e pelo muito que se omitiu não há nada melhor que, cada um de nós aprofunde, em conhecimento e atitude, este Valor inestimável que é a Cidadania. Hoje não reduzida à dimensão geográfica Nacional mas a um nível mais alargado, que é o Direito e o Dever da Cidadania Europeia.
Se queremos uma Justiça mais célere e mais Justa; uma Educação mais eficaz e mais exigente; uma Cultura mais democrática; uma Saúde mais global e sempre pronta; uma Democracia plena; uma Segurança mais presente e mais próxima; uma Segurança Social mais rigorosa e mais selectiva; uma Fiscalidade mais equitativa; não podemos alijar para os outros a responsabilidade individual que nos cabe a todos e a cada um.
Junho de 2010
José Rainho Caldeira
Se não vejamos: - na antiguidade clássica - Helénica e Espartana - o termo e o conceito de cidadão era aplicado, com rigor, àqueles a quem era reconhecido esse estatuto social, compreendendo nele, todos os direitos e deveres inerentes. Se havia favorecimento no tratamento e nas tarefas cometidas, este comportava a responsabilidade de obedecer a regras, valores e a formalismos correspondentes.
Durante séculos, porque a democracia fora outro sentimento e prática perdidos, o termo e, mais do que o termo o conceito, foram perdendo sentido, significado e importância e, rapidamente entraram em desuso, no quotidiano social.
O ciclo da vida traz destas coisas. Nasce-se, cresce-se e morre-se. O mesmo se passa com as palavras seus significados e significantes. Não admira pois, que também a cidadania tenha sido interpretada, ao longo dos tempos, de acordo com conveniências pessoais ou de grupo, em sintonia com o Poder dominante, conforme as diferentes épocas.
É politicamente correcta, quando serve os interesses do Poder instalado. É detestável, quando discorda ou se opõe a uma certa visão de cidadania submissa e bajuladora.
Isto tem a ver com a cultura dos povos e com o exercício responsável de cada cidadão. Infelizmente para nós, o Povo dos “brandos costumes” da “serenidade”, sempre foi um entrave ao exercício, pleno, da cidadania. Pelo que é frequente assistirmos às injustiças mais clamorosas, quase sempre tendo como protagonistas os mais desfavorecidos, material e culturalmente. Sim, porque os poderosos, é nesta espécie de Limbo, que mais facilmente se apropriam das fragilidades democráticas e coarctam o direito do outro a rebelar-se e a usar o seu direito de cidadão.
Normalmente, esta atitude traz consequências muito graves que, apesar disso, caiem no esquecimento ou na indiferença. E se os ditos poderosos pensam que isso é bom porque não os afecta a eles, como estão enganados. Há sempre um momento de desespero dos oprimidos, que os faz recorrer aos seus instintos mais primários e a partir daí não há muros que segurem a fúria da intempérie que se avizinha.
É por isso que vamos conhecendo a prisão e por vezes a morte dos abusadores da violência. Da retaliação dos gangues dos guetos sobre as autoridades. Da afronta directa ou camuflada à democracia.
Também é no desrespeito pela Natureza que a cidadania se compromete. E como pode ser cruel a sua revolta. São os tufões, as derrocadas, os sismos, os incêndios e tantas outras catástrofes a que assistimos diariamente. O Homem, em vez de respeitar o Ambiente e a Biodiversidade, olha para o seu umbigo e o que lhe importa sãos os seus interesses individuais imediatos, não conseguindo discernir, que tudo o que destruir hoje, alguém pagará a factura amanhã, podendo ser o próprio ou seus descendentes. Serão, com toda a certeza, os seus semelhantes num qualquer lugar ou parte do Mundo.
Por tudo o que se referiu e pelo muito que se omitiu não há nada melhor que, cada um de nós aprofunde, em conhecimento e atitude, este Valor inestimável que é a Cidadania. Hoje não reduzida à dimensão geográfica Nacional mas a um nível mais alargado, que é o Direito e o Dever da Cidadania Europeia.
Se queremos uma Justiça mais célere e mais Justa; uma Educação mais eficaz e mais exigente; uma Cultura mais democrática; uma Saúde mais global e sempre pronta; uma Democracia plena; uma Segurança mais presente e mais próxima; uma Segurança Social mais rigorosa e mais selectiva; uma Fiscalidade mais equitativa; não podemos alijar para os outros a responsabilidade individual que nos cabe a todos e a cada um.
Junho de 2010
José Rainho Caldeira
domingo, 18 de fevereiro de 2018
Congresso
Hoje terminou o 37º congresso do PSD onde foi eleito Rui Rio para presidente. Apesar da comunicação social esquerdista apontar apenas e só, divergências, divisões e outras putativas dificuldades, gostei de ver a unidade do Partido, a união de algumas glórias, a convergência de posições políticas consentâneas com a matriz ideológica do PSD de Sá Carneiro.
Espero que seja tudo verdade e que a intuição que tive e o discurso do Líder sejam confirmados pela realidade futura.
Não tenho dúvidas que o Passos Coelho deixou o Partido e o País em mísero estado. Prejudicou gravemente a classe média portuguesa enquanto deixou os lambões dos banqueiros e empresários usurários se locupletarem com as poupanças e os sacrifícios dos pobres. Tantos portugueses que ficaram sem casa e sem poupanças continuam a suportar com os seus impostos a opção errática do incompetente Passos. Todos os portugueses pagantes continuam a suportar, agora com alguma bonomia, a factura de tal incompetência, já que a dita incapacidade até deu lugar à impunidade de uma propaganda reles e fraudulenta da Geringonça.
Espero, francamente, que o país disponha, a partir de hoje uma oposição capaz e uma alternativa de governo para minimizar os prejuízos que este PS esquerdizado está a fazer ao país.
Demos tempo ao tempo.
Espero que seja tudo verdade e que a intuição que tive e o discurso do Líder sejam confirmados pela realidade futura.
Não tenho dúvidas que o Passos Coelho deixou o Partido e o País em mísero estado. Prejudicou gravemente a classe média portuguesa enquanto deixou os lambões dos banqueiros e empresários usurários se locupletarem com as poupanças e os sacrifícios dos pobres. Tantos portugueses que ficaram sem casa e sem poupanças continuam a suportar com os seus impostos a opção errática do incompetente Passos. Todos os portugueses pagantes continuam a suportar, agora com alguma bonomia, a factura de tal incompetência, já que a dita incapacidade até deu lugar à impunidade de uma propaganda reles e fraudulenta da Geringonça.
Espero, francamente, que o país disponha, a partir de hoje uma oposição capaz e uma alternativa de governo para minimizar os prejuízos que este PS esquerdizado está a fazer ao país.
Demos tempo ao tempo.
Reflexão
Quando estava a fazer a minha higiene pessoal dei por mim a pensar: para que servirá um acessório existente nos lavatórios das casas de banho? A tampinha existente para permitir que a água não se esgote imediatamente não se utiliza no dia-a-dia. Então para que lá está? O mesmo para um copo que era suposto servir para lavar os dentes que está inactivo há anos?
São utensílios que há menos de cinquenta anos era de uso diário e permanente, hoje nem tanto.
São estas as variáveis que me levaram a questionar a mudança tão radical e em tão pouco tempo.
É que há menos de cinco décadas não havia água canalizada e, para uso diário, nas mais diversas situações era preciso ir à fonte mais próxima buscar o precioso líquido. Talvez por isso se lavava os dentes utilizando o copo com água. Lavava-se a cara com água depositada no lavatório e que não era mais de dois litros. O mesmo para a louça. Ainda semelhante para a roupa.
E vamos lá a ver, andávamos sujos? Não. Havia menos higiene? Não. Poupava-se água por sensibilidade para com o meio-ambiente? Não. Custava muito e gastava-se muito tempo no abastecimento deste líquido ao lar.
Hoje tudo são facilidades e, mesmo vendo que a seca e a falta de água no planeta é uma realidade, ninguém se preocupa e poucas são as pessoas que decidem ser parcimoniosas no uso deste bem essencial. Falo por mim, já se vê.
Posto isto não será altura de mudarmos o nosso comportamento? É que quem é da minha geração certamente se lembra da penúria da água em casa e até nos campos e, desta forma, não será difícil retroceder neste comportamento desbragado de desperdício deste bem escasso.
Que tal pensar nisto?
São utensílios que há menos de cinquenta anos era de uso diário e permanente, hoje nem tanto.
São estas as variáveis que me levaram a questionar a mudança tão radical e em tão pouco tempo.
É que há menos de cinco décadas não havia água canalizada e, para uso diário, nas mais diversas situações era preciso ir à fonte mais próxima buscar o precioso líquido. Talvez por isso se lavava os dentes utilizando o copo com água. Lavava-se a cara com água depositada no lavatório e que não era mais de dois litros. O mesmo para a louça. Ainda semelhante para a roupa.
E vamos lá a ver, andávamos sujos? Não. Havia menos higiene? Não. Poupava-se água por sensibilidade para com o meio-ambiente? Não. Custava muito e gastava-se muito tempo no abastecimento deste líquido ao lar.
Hoje tudo são facilidades e, mesmo vendo que a seca e a falta de água no planeta é uma realidade, ninguém se preocupa e poucas são as pessoas que decidem ser parcimoniosas no uso deste bem essencial. Falo por mim, já se vê.
Posto isto não será altura de mudarmos o nosso comportamento? É que quem é da minha geração certamente se lembra da penúria da água em casa e até nos campos e, desta forma, não será difícil retroceder neste comportamento desbragado de desperdício deste bem escasso.
Que tal pensar nisto?
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