quarta-feira, 22 de junho de 2022

PENSAMENTO!

 

Pensamento!

 

Em minha opinião, os velhos deviam eximir-se de pensar, porque lhes faz mal, irrita-os.

Porque são velhos, já viram muita coisa e os factos vividos e ou presenciados, fazem deles seres um tanto objectivos que colidem, facilmente, com a narrativa em moda e do pensamento veiculado pela opinião publicada e isso torna-os taciturnos, cépticos e desapontados.

A História, particularmente a História moderna, é a narrativa de factos, sem julgamentos, nem opiniões, sem coloridos diferenciados, consoante os auto-intitulados historiadores da nossa praça.

A História há muito que passou a ser uma ciência, que se baseia em evidências científicas irrefutáveis e não se coadunam com opiniões, por mais abalizadas que elas sejam, nem se compadece com voluntarismos, mais ou menos insensatos, de investigadores proletários que, por força da sua precariedade laboral, se vêem forçados a alinhar no modismo vigente de quem paga os seus serviços.

Se atentarmos no nosso país, fácil será intuir que, em pleno século XX era constituído por um povo, maioritariamente, ruralizado, analfabeto, numa enormíssima dimensão. Que tomou uma posição neutral na segunda guerra mundial e por isso não beneficiou do Plano Marshall, continuando pobre e subdesenvolvido. Que tinha uma polícia política, que era um estado dentro do Estado, que não podia ter umas forças armadas capazes, da mesma maneira que não tinha uma indústria, um comércio e uma agricultura capaz.

O País foi sempre pobre e sem possibilidades de proporcionar ao seu povo as necessidades básicas preconizadas por Maxwell.  Houve, porém, nesse período temporal, um facto importante. A escola passou a ser obrigatória em meados do século e as escolas Normais foram reactivadas para formar docentes mais capacitados.

Vem tudo isto a propósito do Golpe de Estado do 25 de Abril de 1974.

Vejamos: -

No século XV foram os descobrimentos que ajudaram na subsistência da população. Seguiu-se o povoamento de territórios descobertos o que aliviava a pressão no recanto europeu, à beira-mar plantado. Depois uma emigração diversificada, ainda que de reduzida dimensão, para o Brasil e América Latina.

As colónias, nomeadamente Angola, servia para receber os condenados pela justiça que eram designados por degredados. Para os restantes que quisessem demandar aquele território necessitava de obter uma carta de chamada, assinada por um residente com capacidade financeira para assegurar a sobrevivência de quem chamava e, caso fosse necessário, proceder ao seu repatriamento, documento reconhecido notarialmente. Daí a dificuldade da emigração para as colónias ultramarinas, mais tarde designadas por Províncias Ultramarinas.

No final da década de cinquenta e princípio da década de sessenta iniciou-se uma emigração clandestina, mas em massa, para a França, seguindo-se, mais tarde, outros destinos, Alemanha, Luxemburgo, Suíça, entre outros. Também Angola recebeu alguns emigrantes autorizados pelo Governo e dirigidos a colonatos implantados pelo Estado e, a seu reboque, mais alguns que tinham conhecimento com alguém já instalado no território. Porém, o rácio português indígena era bastante baixo para um território tão extenso.

Os europeus, na sua maior parte, tinham colónias em África e, nalguns casos, a exploração do indígena era, deveras chocante, com apartheid, com discriminação, com abusos de poder. Não era o caso de Angola, salvaguardando sempre a possibilidade da existência de alguns casos como os referidos, mas sem a dimensão e a crueldade de outros territórios. Por exemplo, o Congo Belga funcionava como uma coutada do Príncipe Leopoldo II da Bélgica.

A evolução natural é a autodeterminação dos povos. Quanto mais atropelos há em relação aos direitos humanos, mais se acende a fogueira da insatisfação e o incêndio no seio da sociedade pela independência é uma realidade num curto espaço de tempo.

Assim, em 1960 a Bélgica viu-se obrigada a dar a Independência ao Congo Belga, no meio de refregas e terror junto da etnia branca. A França faz o mesmo com a Argélia.

Estes factos aliados ao, cada vez maior número de jovens angolanos e portugueses, mais politizados que viviam em Angola fez despertar uma consciência que começou a tomar corpo. Entre essa juventude até se dizia jocosamente: “Angola é uma vaca que tem as tetas na Metrópole e os cornos cá. É preciso alterarmos a situação trazendo as tetas para cá e deixando os cornos lá”. Consequentemente organizaram-se Movimentos pró-independência fora do território que, desde logo tiveram apoio das diferentes potências mundiais e o combate aceso das Nações Unidas a Portugal por se recusar a dar a dita independência.

Para abreviar, vamos a mais uns factos. Em 4 de Fevereiro de 1961 um grupo mal-organizado, mas apoiado por alguma cúpula da Igreja Católica e de outras religiões, decidiu atacar a Casa da Reclusão de Luanda e a sétima Esquadra da Polícia de Segurança Pública, na tentativa de obrigar o regime político português a ceder aos interesses dos independentistas e, principalmente, das potências estrangeiras interessadas nas fontes de riqueza existente no território. Houve algumas mortes e alguma barbárie pondo em confronto raças até aí conviventes em alguma harmonia.

Seguiu-se a revolta dos trabalhadores da Baixa do Cassanje onde a barbárie foi mais acentuada, com várias mortes e laivos selváticos praticados pelos dois lados da barricada.

Nessa época Angola tinha, apenas, um simulacro de Forças Armadas e um corpo policial reduzido, sendo que a ordem pública era assegurada por Administradores Distritais e Chefes de Posto Concelhios, com o seu quadro diminuto de sipaios.

A Metrópole não estava muito melhor em termos de Forças Armadas já que não tendo entrado na Guerra e fazendo parte da NATO apenas precisava de algumas forças que não deixassem o país mal na fotografia.

Quando aconteceu o fenómeno apelidado de terrorismo em Angola, que. pouco mais tarde alastrou aos restantes territórios, Salazar teve a tirada junto da Brigada do Reumático (Generais velhos de mente e de corpo) “para Angola, rapidamente e em força”. De facto, foram enviadas alguns, poucos, militares de avião, no início da rebelião e pouco a pouco maiores contingentes de navio, a partir de Maio de 1961. Em qualquer dos casos tratou-se de tropas mal preparadas e muito mal apetrechadas de armamento. A maior parte do armamento era constituído por espingardas Mauser e pistolas Walter. O Comando era, maioritariamente, das patentes menores, Alferes e Furriéis, milicianos, que interromperam os seus estudos em níveis mínimos, respectivamente com o 7º ano do Liceu ou cursos superiores interrompidos, 2º ou 5º anos liceais e as praças com a 4ª classe. Os capitães comandavam companhias que, em geral, estavam ou ficavam aquarteladas em aglomerados populacionais e não entravam em combate.

O, dito, terrorismo, nunca teve grande expressão nas cidades capitais de Distrito e, a partir de 1963 foi reduzido a bolsas pouco significativas em todo o território porque, entretanto, o efectivo militar tinha sido substancialmente aumentado e o armamento muito melhorado, para além dum número significativo de tropas especiais, comandos, paraquedistas, fuzileiros e os reforços dos três ramos das Forças Armadas, exército, armada e força aérea.

Por outro lado, a economia de todo o território teve um desenvolvimento exponencial que mitigava algumas injustiças e trazia mais bem-estar a toda a população, independentemente da raça ou cor da pele.

A guerra colonial, para além de alastrar territorialmente, alastrou no tempo de duração e também foi fazendo estragos na motivação da juventude que via a sua vida condicionada, na maior parte das vezes, por mais de três anos de vida militar obrigatória.

Independentemente da consciencialização política o mal-estar foi fazendo o seu percurso ao longo dos anos, o descontentamento populacional português e angolano foi terreno fértil para a actividade subversiva, que era desenvolvida interna e externamente. No exterior era ainda fomentada pelas grandes potências internacionais e apoiada pelos povos vizinhos dos territórios sob administração portuguesa.

Outro facto foi o afastamento, por doença, incapacitante, de Salazar do lugar de 1º Ministro, sendo substituído no cargo pelo Professor Marcelo Caetano que, sabe-se hoje, nunca conseguiu impor uma política pessoal e foi sendo arrastado para um pântano onde a PIDE, por um lado e as altas patentes das Forças Armadas por outro, o enredaram, frustrando uma expectativa muito promissora que apareceu em 1968.

Ainda outro facto foi o envolvimento de cerca de um milhão de militares em todo o teatro de guerra que estava completa e totalmente ganha, em todos os territórios, com alguma dúvida na Guiné, mas que necessitava de uma cadeia de comando de mais elevada patente, nomeadamente a nível de capitão, e na impossibilidade de uma formação adequada, por Despacho Ministerial foi decidido que os tenentes milicianos poderiam aceder ao posto de capitão, desde que frequentassem um curso intensivo de um ano. Comparando com os cinco de Academia Militar que os Capitães do Quadro tinham que fazer e mais, pelo menos sete anos para chegar ao posto de capitão concluía-se que havia aqui alguma, muita, dose de injustiça.

A guerra que iniciou com milicianos passou também a ser feita por militares dos Quadros logo, uma maior rotatividade e, devido à falta de recursos humanos os capitães foram obrigados a maior número de mobilizações para comissões, com poucos anos, ou mesmo meses, de intervalo, o que gerou muito descontentamento.

A sucessão de factos elencados conduziu ao golpe de Estado corporativo levado a cabo pelos capitães no dia 25 de Abril de 1974.  A adesão popular a este evento transformou o golpe em revolução que, de facto não o foi, por várias razões.

As pessoas estavam sedentas de liberdade o que era deveras compreensível, dado o silenciamento de mais de quatro décadas. Mas, logo a seguir, surgiram os donos da liberdade e do próprio golpe de estado. Na circunstância, tentaram apropriar-se da hipotética revolução o Partido Comunista Português e toda a extrema-esquerda radical existente no país, ainda que rotulada, pelo antigo regime, de comunistas.

Os militares do Conselho da Revolução, mais uns tantos radicais existentes nos quartéis, muito ligados ao PCP, tentaram definir quem eram os portugueses com direito à liberdade e quem eram os que deviam ser presos sem culpa formada e sem qualquer tipo de julgamento.

Álvaro Cunhal, ministro sem pasta, para poder ter as pastas todas, mandou instrumentalizar os trabalhadores, operários, trabalhadores rurais e dos serviços, para que o poder caísse na rua e assim poder avançar para uma nova ditadura, desta vez, comunista de ideologia soviética, com intervenção directa, ainda que sub-reptícia da Rússia que então, ainda era a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Valeram os militares moderados, povo moderado do Norte e do Centro do País e Mário Soares, que frustraram tal ambição.

O 25 de Novembro foi o golpe de misericórdia nas pretensões do PCP que, com a conivência de Otelo Saraiva de Carvalho passou para a luta armada com as, tristemente célebres FP 25, que causou morte e dor muito superior à que foi causada pelo Golpe Militar de 25 de Abril.

Hoje, passados 48 anos, vemos uns rapazinhos e umas rapariguinhas, que não têm noção, nem conhecimento e muito menos experiência, querer ditar quem são os donos do 25 de Abril. Tudo gente captada no alfobre socialista que é o ISCTE.

Não deixaremos que tal aconteça e, nestes quatro anos que agora se iniciam, de comemorações do cinquentenário do 25 de Abril, não deixaremos de levantar a nossa voz contra estes projectos de ditadores e dizer com toda a pujança que o 25 de Abril não tem donos específicos. O 25 de Abril é de todos nós, os portugueses.

21/04/2022

Zé Rainho

 

sábado, 11 de junho de 2022

OEMBUSTE!

 

O EMBUSTE!

Em contacto com pessoas muito respeitáveis, pelos valores éticos e morais que defendem e praticam, vim a saber de viva-voz, que o descontentamento dos trabalhadores da saúde, que prestam serviço no SNS, é total e cada vez mais gritante.

É a falta de condições de trabalho. É a falta de recursos humanos e materiais. É a falta de perspectivas de vida e de carreira. É a miserável remuneração do pessoal mais qualificado, médicos, enfermeiros, técnicos superiores.

A situação é tão grave que um médico a caminho da exaustão total, por exemplo, se vê na necessidade de pedir desculpa aos doentes, pelas horas de espera que se viram obrigados a ter, porque o médico, especialista, é o único da sua especialidade e tem de dar resposta a cirurgias, internamentos, consultas externas de diagnóstico e de manutenção. Para cúmulo esse médico tem uma remuneração de 2.300€, por mês, com um horário de 40 horas semanais.

Alguns virão já dizer que, em contrapartida, há outros médicos que não fazem nada no SNS, para depois poderem ganhar muito dinheiro na medicina privada, particular ou em Clínicas ou Hospitais privados, onde aí dão o litro para cumprir objectivos. Até podem ter razão, mas, enquanto houver situações como as que acima referi o que é que querem? Então a motivação não é meio caminho para a eficiência? Então a remuneração não faz parte dessa motivação? Então o descanso não é fundamental para repor energias para um desempenho mais eficaz?

Se as respostas às perguntas for sim, e parece-me que ninguém de boa-fé possa dar outra, o que é que fazem os dirigentes a montante das organizações? O que é que tem a dizer o primeiro-ministro, a ministra da saúde, a Ordem dos médicos?

Não será altura de rever os critérios de acesso ao curso de medicina onde, paralelamente, ou complementarmente às notas do ensino secundário estejam testes vocacionais, valores éticos e morais, disponibilidade total e sensibilidade fraternal para com quem sofre? Não será altura de acabar com limitações à entrada nos cursos de medicina e esperar que a concorrência faça a selecção natural de quem é competente e esforçado por oposição ao baldas?

Não será tempo de rever o estatuto remuneratório deste pessoal, indispensável ao bem-estar da população e da qualidade de vida até ao términus inevitável?

Francamente estou cada vez mais farto de ouvir demagogos, populistas, a prometer-nos o céu e dar-nos o inferno. Já não posso ouvir os coveiros do SNS, com suas propostas inexequíveis, armados nos seus mais acérrimos defensores e, aqui incluo o Governo e o partido que o suporta, o Bloco de Esquerda, o PCP, o Livre, o PAN e depois não se olha para o caos que está instalado há anos e que só sobrevive à custa do esforço denodado dos seus trabalhadores.

Ninguém vê que não é admissível que Hospitais não possam aceitar doentes urgentes por doença ou acidente e fechem urgências de diferentes especialidades? Como é que um doente com um AVC ou um ataque cardíaco não pode ser atendido na Urgência de Leiria e tenha de ir para Coimbra, ou do Seixal tenha de ir para Lisboa porque o Garcia de Orta não tem médicos especialistas nas urgências?

E se desviamos o olhar para a periferia o problema é muito mais grave e muito mais agudo. O que acontece no Hospital da Guarda que, tantas vezes, tem de mandar doentes, que já se deslocaram de Almeida ou Pinhel, para o Hospital de Viseu. Se descermos no mapa do país podemos ir até ao Algarve e assistirmos a deslocação de doentes para Lisboa, porque Faro e Portimão não têm resposta para casos de gravidade extrema.

E perante este verdadeiro cenário de terror a ministra da saúde não bate com a porta quando o ministro das finanças não lhe dá os recursos mínimos para que estas situações não acontecessem?

E o primeiro-ministro não tem vergonha de vir papaguear para as câmaras de televisão com atoardas de aumentos de 20% nos salários nos próximos quatro anos e na semana de trabalho de quatro dias?

Francamente, um país assim, não passa de uma caricatura se comparado com países, verdadeiramente, evoluídos.

Na véspera do Dia de Portugal gostaria de escrever algo de mais positivo, de mais motivador, mas a realidade sobrepõe-se aos desejos.

9/06/2022

Zé Rainho

 

 

 

domingo, 5 de junho de 2022

OS CLÁSSICOS!

 

OS CLÁSSICOS!

Faz bem à alma, de vez em quando, revisitar os clássicos. Aprende-se sempre alguma coisa. Recordam-se outras tantas que, porventura, já estavam na prateleira do esquecimento.

Ainda não há muito tempo que reli um grande romance do Alexandre Dumas (pai), o Conde de Monte Cristo, um dos clássicos, publicado em meados do século XIX, que li, pela primeira vez, há mais de sessenta anos.

Há dias comecei a reler os Sermões do Padre António Vieira, publicado no início da segunda metade do século XVII, que também já li há umas boas décadas.

Não é saudosismo é aprendizagem. Tenho consciência que alguns dos meus amigos, que me lêem, cogitarão que estou velho e é essa a razão de eu recuar a um passado tão longínquo. Não os contrario, porque tenho plena consciência de que estou cada vez mais velho, mas também não lhes dou razão, quanto à necessidade de revisitar o passado, pois sou dos que aprendi, ao longo dos anos, que é no passado que se alicerça o presente e se projecta o futuro.

Mas voltemos ao assunto deste arrazoado. Senti-me bem ao relembrar que o Padre António Vieira dizia: “um homem para se ver a si mesmo é preciso três coisas: olhos, espelho e luz”. Como o eminente pregador tinha e continua, nos dias de hoje, a ter total razão. O indivíduo tem de ter olhos de ver e não só de olhar. Tem de ter o espelho do outro, para entender as semelhanças e as diferenças e tem que ter iluminação suficiente, para que as sombras não distorçam a imagem.

Mas ensina muito mais. Ensina que se deve comunicar bem. De forma eficaz, com clareza, com verdade, com autoridade de quem é exemplo na palavra e na acção, porque se não for assim a palavra é descabida e mais valia não ter sido pronunciada.

Como é que se pode entender a retórica balofa de quem não é exemplo? Quem não tem vida? Quem não tem ciência, conhecimento? Quem não tem acções? Quem não fez obra? Não se entende e, muito menos, se pode aceitar.

Por isso é bom ir aos clássicos, mas também ir aos contemporâneos. Aos bons jornalistas. Aos bons escritores. Aos bons políticos. Aos bons cientistas. Aos bons professores. Aos bons mestres em diferentes áreas. É que assim, se limpam teias de aranha que enredam e condicionam a mente. Assim se eliminam, ou pelo menos reduzem, os preconceitos, as ideias feitas, as verdades absolutas. Assim se deixa de dar importância a discursos redondos sem conteúdo, que se ouvem no dia-a-dia, nos órgãos de comunicação social ou se lêem nas redes sociais e, talvez, nos obrigue a pensar em opções tomadas, levianamente. Em decisões inconscientes. Em opções que comprometem, ou podem comprometer, o futuro próprio e do nosso semelhante.

Talvez estes considerandos levassem os povos a valorizar, muito mais, a arma democrática que é o voto. A utilizá-la, não com a carteira individual, mas com o pensamento altruísta, do melhor para todos. Com a vontade de legar um amanhã melhor. Mais fraterno. Mais justo. Mais equitativo.

Não quero dar lições, quero apenas, contar-vos como me faz bem à alma, esta revisita aos clássicos. Como me faz bem comunicar convosco. Como me faz bem desabafar em amena cavaqueira, virtual, com todos os meus amigos.

Fico-vos muito grato pelo tempo que dispensaram a ler estes estados de alma.

4/06/2022

Zé Rainho

sábado, 28 de maio de 2022

QUEIMA DAS FITAS 2022

 

QUEIMA DAS FITAS DE COIMBRA!

 

Coimbra e seus trovadores

Despede-se dos seus doutores

Na festa da Queima das Fitas

Com estudantes e futricas,

Em entusiástica euforia,

Cantando ao som da guitarra

A trova vivida com garra

Duma vida nova, exigente,

Mais do que a sebenta do Lente.

Esvoaçam a capa e a batina

Agitam-se fitas e cartolas

Cruzam-se bengalas coloridas

Ao som do efe é re á

Para satisfação do papá

Que vê o sonho alcançado

Depois do sacrifício magoado.

A vida num de repente

Tal como é a mocidade

Só a velha Universidade

Continua igual e presente.

Fica a saudade da noitada

Passada junto ao Mondego

No Choupal posto em sossego

Cantando aos etéreos amores

O canto que só os doutores

Sabem tão bem imortalizar

Em estrofes dolentes cantar

À beleza ímpar das tricanas

Garridas sensuais bacanas

Que na hora da despedida

Deixa Coimbra perdida

Num silêncio sepulcral

Na solidão da Lapa e do Choupal.

Querer ser toda a vida estudante,

Queimar as pestanas ser amante

É ambição desmedida

Duma juventude bem vivida.

Lembrar as tascas do quebra-costas

Serenatas na Sé Velha.

Nas escadas monumentais.

Nas Repúblicas principais

Duma Coimbra muito amada

Por quem nela fez estrada.

 

20/05/2022

 

Zé Rainho

 

 

 

TONTICES!

 

TONTICES!

Os tontos, os diminuídos mentais, mereceram, ao longo dos tempos e continuam a merecer, a comiseração dos outros porque não têm culpa de terem sido contemplados com algumas limitações.

Os idiotas, com manias de espertos, sempre colheram o desprezo, e continuarão a colher o ostracismo, ou até mesmo, o achincalhamento da sociedade, porque têm toda a responsabilidade de se comportarem da forma como se comportam.

Quando as duas características são incorporadas na mesma pessoa deixa de haver pena ou indulgência que valha para passar a ser estimulada a aversão.

Esta semana foi pródiga em tontices e idiotices por parte da nossa “elite” política. Desde logo a ideia peregrina da deputada do PAN de querer uns dias de férias menstruais para as mulheres trabalhadoras. Maior serviço prestado ao machismo e maior discriminação e prejuízo para a mulher não poderia ter sido alcançado com esta tirada abstrusa duma tonta que é simultaneamente uma idiota. Cada argumento é pior que o anterior. Lembram-se de no ano passado ela justificar as estufas de produção intensiva de frutos vermelhos, com recurso a químicos, do marido, ela vir com a ideia de que aquilo não eram estufas, mas eram túneis?

Mas centremo-nos agora na MULHER autêntica e não nas aberrações. A mulher tem tido ao longos dos tempos muita dificuldade em se impor no mundo em que os homens dominam. Atente-se nos lugares de topo de uma qualquer empresa e, facilmente, se constatará que a maioria esmagadora dos lugares são ocupados por homens, há poucas excepções que só confirmam a regra. Então esta discriminação não será mais um obstáculo para que muitíssimas mulheres mais competentes do que os homens alcancem esses patamares de liderança? Uma tontice e uma idiotice. Para culminar, num país com um milhão e trezentas mil pessoas sem médico de família, onde falta coisas básicas à maioria da população. Que têm um índice de pobreza assustador. Mesmo assim quer os que pagam impostos suportem hospitais gratuitos para os cãezinhos e os gatinhos. Para além da tontice, da burrice, da idiotice é mesmo o limite da esquizofrenia da tonta surreal, como lhe chama o MST.

Mas os grupelhos que têm tempo de antena não se cansam de arranjar umas ideias para que a comunicação social fale neles. O Livre, outro partido que, não fosse a concentração de votos de um grupelho urbano medíocre e nunca seria reconhecido, não quis ficar atrás do PAN e vai daí, vai de proibir o trânsito aos domingos e feriados num dos locais da cidade de Lisboa que tem os melhores hotéis, a maior quantidade de teatros para não falar do comércio rentável. O mesmo é dizer que se um Inglês, ou qualquer outro estrangeiro que tenha ideia de gastar uns cobres em Lisboa e aterre no aeroporto da Portela terá de calcorrear de mala às costas a Avenida da Liberdade, que tem uns quilómetros de comprimento. Só ideias de jerico. Pior que tontices autênticas burrices.

Podíamos continuar com o candidato a Juiz do Tribunal Constitucional que entende que se deve punir a liberdade de imprensa, mais uma sandice. Podíamos falar nas tiradas do ministro da finanças ou no Brilhante (poucos dias) no encerramento do debate sobre o Orçamento de Estado, mas fiquemos por aqui.

28/05/2022

Zé Rainho

 

 

quinta-feira, 5 de maio de 2022

 DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA! 


Há dias para tudo e mais alguma coisa e, também, há o dia da Língua Portuguesa que hoje se celebra.

A Língua, qualquer Língua, mas a nossa, em particular, não devia necessitar de um dia próprio, porque todos os dias deveriam ser de bem comunicar em português e todos os escreventes deveriam ter o maior respeito e a maior consideração pelo símbolo maior da nossa entidade como povo, a nossa Língua. Este sentimento concreto que nos irmana e nos torna distintos de todos os outros povos.

Nas actuais circunstâncias, em que o (des)acordo ortográfico traz para o quotidiano a maior das confusões e as maiores aberrações, talvez se justifique a celebração de um dia para ver se pensamos no valor da Língua, enquanto património nacional, que é de todos os falantes da Língua e não só dos portugueses e isso faça com que haja mais preocupação com os dizeres orais e, sobretudo, escritos. 

São desculpáveis alguns erros por desconhecimento. São intoleráveis os erros propositados para o abastardamento da Língua. 

Há dias vi uma publicação que anunciava uma parada LGBTI na Covilhã onde se apelava a todas e a todes, assim mesmo, todes, para participarem de modo a mostrar direitos inalienáveis, na opinião dos organizadores. 

Sobre a organização e seus direitos prefiro não me pronunciar, mas sobre a Língua tenho algo a dizer, correndo o risco de me apelidarem de xenófobo. 

Já me irrita, profundamente, esta nova moda do politicamente correto, quando ouço discursos de responsáveis políticos começarem por “bom dia a todas e a todos” quando se referem a homens e mulheres, imaginem o que sinto com este abastardamento indefinido (todes) de nem uma coisa nem outra. 

Acho este modo de dizer uma aberração. Igualizo-o aos pleonasmos frequentes de “subir para cima ou descer para baixo”, mas estes, felizmente, tais senhores, já não se atrevem a usar com receio de serem apelidados de ignorantes. 

Ora todos, como se aprende na escola primária, é um adjectivo neutro, que serve ambos os géneros, masculino e feminino, porque significa inteiro e não parte de algo, logo sem necessidade da diferenciação que só tem lugar nas cabecinhas de alguns complexados com a paranóia igualitária de género. 

Este afã da igualdade é, em minha modesta opinião, muitas vezes mais prejudicial aos interesses e à diferenciação de género do que o benefício que pretende atingir. Por isso valorizo mais a equidade do que a igualdade. 

Haja equidade, dando a cada um segundo a sua necessidade e a sua potencialidade, e tudo o resto virá por acréscimo. No respeito mútuo. No respeito pela diferença, sem memorização de ninguém, quanto a direitos e deveres de todos. 

Não é desrespeitando a Língua que se consegue mais igualdade de salário, de cargos dirigentes, para as mulheres. É, sim, por uma educação de qualidade acessível a todos, diferenciadora quanto às apetências e capacidades individuais, que conseguimos o tão falado e esperado estatuto igualitário independentemente do género. 

Viva a Língua Portuguesa. 

05/05/2022

Zé Rainho 

quinta-feira, 28 de abril de 2022

SONHAR ACORDADO

 SONHAR ACORDADO!


Perscruto para lá do horizonte até ao infinito,

Vogando nas ondas do mar imenso, encapelado.

Ouvindo os uivos e o silvo do vento zangado,

Por eu querer conhecer o que me está interdito.


Mas eu quero chegar à etérea e suave Luz,

Onde a paz, a felicidade suprema, será constante,

E a eternidade não será mais que um instante,

Que me atrai, me convida, alicia e me seduz.


Voo neste sonhar acordado que me incentiva,

A encarar a vida como uma etapa a transpor,

Na bonomia de uma inigualável felicidade,


Que se quer de alegria da permanente mocidade,

Ansiosa por viver todas as aventuras de amor,

A mais sublime forma de sentido de vida vivida.


Zé Rainho