segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Sem abrigo

  SEM ABRIGO...


Aproxima-se o frio, o temporal,

O pardalito apressa-se a fazer o ninho,

Para se abrigar mais o seu filhinho,

Dum vento que lhe pode fazer mal.


Mas há humanos que não têm tal ventura,

Não têm espaço, material, para fazer casa,

Onde se possam abrigar, falta-lhe golpe d'asa,

Que lhe permita uma vida sem amargura.


Por isso vivem ao relento, calor ou vento,

Chuva, frio de rachar, o que é injusto,

Se até as aves têm abrigo e conforto,


E os filhos de Deus, tratados como aborto,

Por quem é egoísta, tirano, um susto,

Que não tem atitude para além do lamento.


Zé Rainho.

domingo, 9 de outubro de 2022

Atitudes

 ATITUDES...


Não gosto de generalizações.

Não gosto de generalidades.

Por isso não gosto de banalidades,

Menos, ainda, de falsas opiniões.


Por causa de uns jovens dementes,

Diz-se da juventude barbaridades,

Quando há idosos sem qualidades,

Que julgam todos pelos mesmos pentes.


É verdade que Casa dos Segredos,

Praxes imitando tragédias e mortes,

Não ajudam a melhorar a opinião,


De pessoas doutro tempo que tem medos,

De que todos os males lhes caiam em sortes,

Por falta de princípios morais e Religião.


Zé Rainho

Kosta

 Oh! Costa é urgente!


É urgente! É pungente!

Encontrar a solução

Imprecisa na eleição

De domingo, da gente.


Cenários parecem existir

À esquerda e à Direita

Com o Costa à espreita

De ser o Primeiro, no devir.


Em idênticas situações

Os Líderes demitiram-se

Mas ele precisa do tacho.


Não sabe trabalhar eu acho

E as oportunidades sumiram-se

Então é manter as posições.


Zé Rainho.

Sol

 DIA DE SOL!


Oh! Sol que brilhas e aqueces os campos,

Fazes brotar em força a natureza e tantos

Corações apaixonados por uma vida pujante,

Porque me abandonas e deixas exangue,


Este coração nas trevas mais negras e profundas,

Sem vontade de te olhar e vibrar com a Luz que inundas,

Uma vida sem esperança, oprimida, sofrida, dolorida,

Que não quer mais que a escuridão que apaga toda a vida?


Oh! Sol forte e poderoso que queima o pendor

De um coração triste, sem vontade e sem norte.

Aquece este ser abandonado ao desespero,


Para que revitalize seu querer e seu amor,

Pelo que o rodeia e tudo o que lhe calhou em sorte,

E viva uma vida nova com o calor que não tem desterro.


Zé Rainho

O luxo e o lixo

 O LUXO E O LIXO...


O luxo de quem é intelectual

É poder dissertar sem igual,

Sobre o Homem e a circunstância,

Sem receio de fugir à substância.


O lixo de quem é obtuso, anormal

É a inveja, o despudor, o dizer mal

De quem se superioriza por Valores

Atitudes, pensamentos e até amores.


Quem se pode dar ao luxo de Ser!

Não quer o lixo da comédia politiqueira

E não se mistura com gente corriqueira.


Que da vida apenas quer palco e Ter

Poder efémero, mas útil à maneira,

Para enriquecer à sombra da Bandeira.


Zé Rainho.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Deuses!

 

deuses!

 

Aos deuses das antigas civilizações, grega, romana e egípcia, para referir apenas algumas, tudo era permitido, por serem considerados superiores aos humanos. Viviam no topo do Olimpo, num céu etéreo e por isso intocáveis.

Como todos os ídolos com pés de barro, desmoronaram-se com o tempo, perderam valimento e, consequentemente, o respeito dos que até aí os adoraram. Caíram em desgraça e esquecimento na memória humana. Pelo menos era isso que nós pensávamos, mas enganámo-nos. Os deuses estão de volta e aterraram todos em Portugal e quedaram-se pelos lados de S. Bento.

Só a um deus é permitido ir contra a Lei, torpedeá-la, afrontá-la, incumpri-la e nada acontecer. Qualquer mortal seria severamente castigado, porque o não cumprimento da Lei é crime e nem lhe acode a desculpa de a desconhecer, no acto da condenação. Ao deus não acontece nada e, pior do que isso, até tem toda a razão, segundo a opinião do Zeus cá do burgo.

E, assim, é ver ministros a gerirem empresas privadas, em flagrante conflito de interesses e contra a lei, como é o caso do ministro da saúde, que não só é dono de uma empresa, que agora disse que se vai desfazer, como delega competências num secretário de estado para tratar assuntos, cuja primeira interessada é a sua mulher. Se delega competências quer dizer que as competências são suas e por isso é que tem poder para as delegar. Não acontece nada porque é um deus. O Zeus disse que não é um caso!

Outro ministro entrega milhares de milhões de euros à TAP, para que esta possa ser concorrencial com as suas congéneres e se levantar da falência e esta empresa, em vez de começar um processo de ressarcimento, gradual, aos portugueses, pelos prejuízos causados, renova a frota automóvel, com viaturas de luxo, para os seus deuses se passearem a si e às suas excelsas famílias, à custa dos simples mortais. Questionado o Zeus disse nada saber!

Ainda outro vem a público com uma crónica – publicada num jornal de referência, ocupando espaço, que deveria ser considerado publicidade e, como tal pago – mas que vem referida como opinião que, em nosso modesto entender só é permitido a colaboradores do jornal, dizendo que a mulher de césar é séria. A um simples mortal não era dada esta oportunidade de propagandear a sua seriedade, a um deus tudo é permitido. O Zeus remete-se ao silêncio!

Outro queria contratar um antigo patrocinador, empregador e protector, como seu assessor, pagando-lhe o favor privado, com dinheiros públicos. Não se consumou porque a opinião pública fez estardalhaço. O deus mantém-se impávido e sereno no lugar, dizendo que o amigo era indispensável, mas agora pode esperar, porque afinal o cargo não é assim tão premente. O Zeus diz que não se mete nos assuntos dos ministros!

Poderíamos continuar, mas o cheiro é tão nauseabundo que mais vale ficar por aqui, tirando apenas uma conclusão: “aos deuses tudo é permitido e o melhor lugar para desenvolverem a sua actividade é Portugal e pela baixa lisboeta”.

6/1072022

Zé Rainho

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Parcimónia

 

PARCIMÓNIA…

Parcimónia precisa-se, exige-se, em tudo na vida, porque é discreta, é simples, não é ostensiva nem ofensiva. Mas, também, é esquecida por causa da vaidade, de protagonismo, de espalhafato. muito procurados por um povo que gosta e aparências, de dar nas vistas e pouco se importa com a sobriedade, com a simplicidade, com a dignidade.

O exemplo deste desregramento vem de cima e o papalvo engole tudo sem mastigar. É pena, porque este comportamento não traz respeito, não conduz à consideração e. muito menos, à admiração por parte dos outros.

Há acontecimentos que nos deveriam fazer pensar, criticar ou aplaudir, conforme os casos. É, neste contexto, que quero partilhar convosco a minha reflexão, o meu sentir.

Comecemos por cima, pelo alto, pelo mais visível e, por isso, mais responsável.

Sua Excelência o Presidente da República, no seu constante e permanente vai e vem, de um país para outro, de um lugar para outro, de opinar sobre tudo e sobre nada, é pouco parcimonioso e há situações em que não sai bem na fotografia, como Presidente e representante máximo de todo o povo português. As viagens que fez ao Brasil e Angola, são disso prova bastante, saiu delas sempre diminuído, pessoalmente e, a nação portuguesa, ficou mal reputada pela opinião pública alheia. Não quero entrar em todos os dislates, mas refiro aqueles que foram mais notórios e mais infelizes, devido à pouca parcimónia.

Na primeira viagem não foi recebido pelo Presidente do Brasil e, pior, foi desconvidado para um almoço previamente acordado. Na segunda, deu respaldo a um aproveitamento político, miserável, em plena campanha presidencial daquele país.

Na viagem a Angola não se saiu melhor. Na primeira viagem ao funeral do ex-presidente, em plena campanha eleitoral, prestou-se ao aproveitamento político asqueroso, por parte do MPLA. Na tomada de posse do novo (velho) presidente, Portugal não mereceu menção, nem relevância particular, por tudo quanto fez e faz pelo povo angolano, sofredor. Faltou-lhe, em todas as circunstâncias, parcimónia.

Mas não fica por aqui esta falta de comedimento. A pressa com que promulgou o pacote governamental de apoio às famílias, sem ter acautelado o escrutínio que deveria ter feito a um diploma que viola a Lei, no caso concreto das pensões é bem um exemplo de falta de parcimónia. Agora quer emendar o erro dizendo que o Governo deve explicar as contas. Vem tarde. Tivesse sido parcimonioso em devido tempo.

Deixemos o Presidente e vamos aos governantes.

Quando, na mesma semana, dois ministros dizem aos deputados, em pleno Parlamento, que não aceitam lições não é só falta de parcimónia, é falta de discernimento, é arrogância, é atrevimento da ignorância, é pouca-vergonha, é desprezo pelos outros. Ninguém sabe tudo e só se é, verdadeiramente inteligente, se se for capaz de aceitar o saber e o conhecimento do outro. Neste caso não é só falta de parcimónia, ou é burrice ou querem fazer de nós parvos e, em qualquer dos casos, é, no mínimo, um descaramento e um desrespeito pelos eleitos do povo e, simultaneamente, pelo próprio povo. É uma desfaçatez inqualificável. É um abuso de poder muito próximo da “bota cardada”.

A Comunicação Social não fica melhor nesta falta de parcimónia.

Há mais de uma semana que temos assistido a uma overdose, macabra, sobre a morte e funeral da Rainha Isabel de Inglaterra. É a toda a hora e momento. É a repetição da repetição da repetição, do directo do que foi directo e do que será directo, um enjoo.

De um momento para o outro parece que desapareceu a Guerra na Ucrânia. Os crimes de guerra perpetrados pela Rússia. Desapareceu a pandemia, a violência doméstica, a criminalidade violenta na noite dos grandes centros urbanos. O roubo e a violência sobre idosos e crianças, a pedofilia, o saque fiscal, energético e bancário.

Enquanto isso esquece-se de falar sobre os números vindos a público divulgados pelo INE. Inflação galopante com a respectiva perda do poder de compra de toda a gente. Dois milhões e trezentos mil pobres no nosso país, um em cada quatro portugueses. Falta de médicos de família. Carência de habitação para estudantes do ensino superior deslocados. Número de mortes excessivas, segundo o Eurostat e tantos outros assuntos de verdadeiro interesse nacional e de serviço público obrigatório.

Em contraponto ouço um seleccionador nacional de futsal dizer aos seus jugadores: “que orgulho em todos vós! Cabeça levantada, aconteça o que acontecer, porque eu tenho muito orgulho em tudo o que já fizestes”. Falou só quando foi necessário. Disse, apenas, o suficiente. Os jogadores corresponderam ganhando a finalíssima contra a Espanha.

Parcimónia precisa-se e exige-se, porque não se pode aceitar o esquecimento das coisas verdadeiramente importantes.  

19/09/2022

Zé Rainho