domingo, 12 de fevereiro de 2023

MULHERES DA FAMÍLIA

 


Já falámos alguma coisa da nossa avó, mas seria imperdoável não referir o papel das mulheres da nossa família de raiz, segunda geração. Nas considerações que iremos produzir apenas vão constar percepções pessoais que, se estiverem erradas, peço desde já desculpa às visadas.

Comecemos então pela mais velha, a Ti Joaquina. Foi uma mulher que desempenhou todos os papéis que são possíveis desempenhar numa família. Foi mãe, chefe de família, mãe e pai, decisora em última análise. Teve um marido excepcional como ser humano, o Ti Manuel Augusto era uma jóia de pessoa, mas quem ditava as leis naquela casa era ela, com o beneplácito do marido e sem qualquer acrimónia.

Por ordem cronológica e, apesar de não vir da mesma raiz fez parte integrante desta família, vem a minha mãe. Franzina, sempre muito doente, apesar de ter um marido que, para o exterior, ser um durão ela é que dava os dias santos lá em casa. Sempre se fez o que ela quis e a sua vontade prevaleceu sempre sobre a vontade do meu pai. Tenho vários episódios que demonstram isso mesmo, mas vou referir o mais significativo. O meu pai e o Ti Zé planearam ir para a França nos finais da década de quarenta, inícios da década de cinquenta do século passado. Iam a salto já se vê. Salazar não deixava ninguém emigrar legalmente. Ainda andaram por terras de Espanha próximo de Cidudad Rodrigo. Viram-se seguido pelos carabineiros e recearam as consequências. O Ti Zé foi o primeiro a dizer para regressarem a casa para evitar a prisão, que era inevitável se fossem apanhados. Falhada essa tentativa de emigração o Ti Zé vai para Angola no ano de 1952 e, lá chegado, escreveu ao irmão para ir ter com ele, sozinho, para preparar a ida da família no caso eu e a minha mãe. De referir que o Ti Zé nessa altura ainda era solteiro. A minha mãe foi peremptória: ou vamos todos ou não vai ninguém e não se vacilou um segundo. Decidiu-se que íamos todos e assim foi.

A Ti Victória, era Maria Cerdeira de seu nome, mas, para todos nós era a Ti Victória, fruto daqueles atropelos que já referimos quanto ao registo das crianças. Veio mais tarde, casou por procuração com o Ti Zé e quem a levou ao altar foi o Ti Chico. Era um doce, mas, enquanto jovem, muito agarrada ao dinheiro e o Ti Zé, também com ar de duro, sempre lhe confiou toda a gestão da casa. Tinha uma frase muito engraçada: uma vez que ela nunca trabalhou fora de casa dizia com orgulho o Zé ganha-o, mas eu poupo-o. Foi também uma boa mãe, boa esposa e tenho a certeza que fez o Ti Zé muito feliz, criou duas filhas extraordinárias, a quem amava incondicionalmente, até se começar a desenvolver a doença que a vitimou.

A Ti Isabel foi sempre a dona do pedaço. Muito amiga do Ti Chico a quem amava, mas mandona. Foi uma boa esposa e muito boa mãe. O Resultado é o Carlos que colheu o melhor dos dois progenitores. A bonomia do pai e a garra da mãe. Entrou na família para fazer parte integrante dela.

A Ti Elisa é aquela mulher de armas. Ainda hoje entre nós, com a bonita idade de quase 91 anos, sendo uma sofredora arranjou sempre forças para lutar e progredir na vida. Na vida profissional atingiu o cargo de 1º Oficial Administrativo da função pública, cargo a que muitos não almejavam, tenda apenas a quarta classe. Na sua carreira profissional teve lugares de muita relevância tanto na Administração como na Câmara Municipal e, com o seu prestígio, ajudou muita gente, a começar pela família, a iniciar carreiras. Nunca casou e, talvez por isso ou nem por isso, sempre se se dedicou aos outros. A Eugénia, viveu em casa dela até se casar. A Ana Bela foi, praticamente, criada por ela e o Luís, um pouco menos, mas também muito seu protegido. Isto não quer dizer que ela não goste dos outros sobrinhos, pelo contrário, mas foram as circunstâncias da vida que mais a aproximaram destes. Eu, tenho a presunção de que sou um dos seus preferidos. Aliás eu tenho a certeza de que tenho um lugar privilegiado no coração de todos os meus tios. Fui encolado por todos. Andei à carapela de todos e cada um deles. Devo-lhes muito e estou-lhes muito grato. A Ti Elisa ainda hoje é um exemplo para todos nós.

A Tia Alice não é filha de sangue, mas era filha de coração. Porque a infelicidade lhe bateu à porta demasiado cedo, perdeu os pais ainda na infância foi recebida na casa dos avós por volta dos 14 anos, se não estou em erro. Eu já me lembro. Tenho menos 6 anos que ela. Depois e, mais uma vez por circunstâncias da vida casou com o Ti Quim e os laços familiares estreitaram-se ainda mais. Constitui uma família onde, mais uma vez, ela é que dita as leis apesar da pose do Ti Quim. E dita bem porque cria a harmonia num lar que dura há mais de 65 anos. É também uma mulher de armas que conseguiu uma carreira sem preparação prévia, mas com denodo e entusiasmo. Sendo uma mulher independente sempre foi uma esposa, mãe de família.

A Ti Lurdes apareceu na nossa família de forma mais inopinada. Natural de Lisboa foram os caminhos insondáveis que a aproximou do Ti Tó. Foi a JOC o meio que os fez encontrar-se. Uma lutadora. Uma âncora para o Ti Tó. Um incentivo para ele mesmo quando tinha que tratar meses a fio dos três filhos sozinha, porque o tio vinha a Lisboa fazer exames para se licenciar. A força de bloqueio aos desvarios do Ti Tó que sempre foi e é um sonhador. Um homem excepcional de inteligência, sagacidade, mas demasiado utópico. E é nessa utopia que sobressai a vontade e a tenacidade da Ti Lurdes conseguindo o equilíbrio necessário a uma família feliz há 57 anos. Foi, porventura, a que teve mais dificuldades de integração na família, mas, mesmo assim, foi capaz de fazer da nossa a família dela.

Por fim a Tia Paulina. A mais alegre. A mais extrovertida. Aquela a quem a vida deu a maior bofetada, mas, ainda assim, uma guerreira que consegue encarar a vida da forma mais positiva que pode ter. Sempre foi um pilar para a sua família. Sempre foi uma esposa, mãe e avó extraordinária. A sua bonomia e acolhimento que dá aos outros é de uma generosidade fantástica. É mais uma das grandes mulheres da nossa família, como todas, afinal.

20/10/2020

Zé Rainho

 

 

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Dia da Língua Portuguesa!

 DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA! 


Há dias para tudo e mais alguma coisa e, também, há o dia da Língua Portuguesa que hoje se celebra.

A Língua, qualquer Língua, mas a nossa, em particular, não devia necessitar de um dia próprio, porque todos os dias deveriam ser de bem comunicar em português e todos os escreventes deveriam ter o maior respeito e a maior consideração pelo símbolo maior da nossa entidade como povo, a nossa Língua. Este sentimento concreto que nos irmana e nos torna distintos de todos os outros povos.

Nas actuais circunstâncias, em que o (des)acordo ortográfico traz para o quotidiano a maior das confusões e as maiores aberrações, talvez se justifique a celebração de um dia para ver se pensamos no valor da Língua, enquanto património nacional, que é de todos os falantes da Língua e não só dos portugueses e isso faça com que haja mais preocupação com os dizeres orais e, sobretudo, escritos. 

São desculpáveis alguns erros por desconhecimento. São intoleráveis os erros propositados para o abastardamento da Língua. 

Há dias vi uma publicação que anunciava uma parada LGBTI na Covilhã onde se apelava a todas e a todes, assim mesmo, todes, para participarem de modo a mostrar direitos inalienáveis, na opinião dos organizadores. 

Sobre a organização e seus direitos prefiro não me pronunciar, mas sobre a Língua tenho algo a dizer, correndo o risco de me apelidarem de xenófobo. 

Já me irrita, profundamente, esta nova moda do politicamente correcto, quando ouço discursos de responsáveis políticos começarem por “bom dia a todas e a todos” quando se referem a homens e mulheres, imaginem o que sinto com este abastardamento indefinido (todes) de nem uma coisa nem outra. 

Acho este modo de dizer uma aberração. Igualizo-o aos pleonasmos frequentes de “subir para cima ou descer para baixo”, mas estes, felizmente, tais senhores, já não se atrevem a usar com receio de serem apelidados de ignorantes. 

Ora todos, como se aprende na escola primária, é um adjectivo neutro, que serve ambos os géneros, masculino e feminino, porque significa inteiro e não parte de algo, logo sem necessidade da diferenciação que só tem lugar nas cabecinhas de alguns complexados com a paranóia igualitária de género. 

Este afã da igualdade é, em minha modesta opinião, muitas vezes mais prejudicial aos interesses e à diferenciação de género do que o benefício que pretende atingir. Por isso valorizo mais a equidade do que a igualdade. 

Haja equidade, dando a cada um segundo a sua necessidade e a sua potencialidade, e tudo o resto virá por acréscimo. No respeito mútuo. No respeito pela diferença, sem memorização de ninguém, quanto a direitos e deveres de todos. 

Não é desrespeitando a Língua que se consegue mais igualdade de salário, de cargos dirigentes, para as mulheres. É, sim, por uma educação de qualidade acessível a todos, diferenciadora quanto às apetências e capacidades individuais, que conseguimos o tão falado e esperado estatuto igualitário independentemente do género. 

Viva a Língua Portuguesa. 

05/05/2022

Zé Rainho 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

 

O UNIVERSO!

A ciência demonstra, cada vez mais, que o planeta é uma máquina com uma imensidão de peças, umas maiores e outras menores que, em equilíbrio faz acontecer harmoniosamente a interligação e interdependência dos diferentes ecossistemas, que num hino ao Criador, cantam hossanas à vida, a todos os tipos de vida.

Quando alguma das peças se desregula a máquina estrebucha, soluça com choro plangente e os ecossistemas entram em desestabilização quando não, mesmo, em conflito e até confronto.

O Homem, peça muito importante desta máquina complexa, porque tem a capacidade de interferir na arrumação e afinação, ou o contrário, das restantes peças que compõe o sistema, na sua ânsia de poder, não mede as consequências dos seus actos e, muitas vezes, cria o descalabro e a desgraça. No seu afã de acumular dinheiro não olha a meios e fecha os olhos a princípios e valores que deveriam nortear a sua postura e forma de agir.

Assistimos, na Turquia e na Síria a uma demonstração inequívoca de como não se devem fazer determinadas coisas, como construções sem acautelar o risco de sismo, por exemplo. Por esse mundo fora há muitos outros exemplos de desgraças que, com facilitismo, se atribuem à Natureza, mas que tiveram sempre por detrás mão humana. Vê-se nos sismos, mas também nas cheias, nos incêndios e noutros tristes episódios que ceifam vidas inocentes.

 No meio de tanta desgraça, tanta morte e tanta destruição, aparecem imagens que nos elevam a alma a outros patamares. Aquela criança que ainda trazia o cordão umbilical que nos veio a chamar à atenção para o dom da vida, como documenta a fotografia que circula na net. Não podemos deixar de perguntar a nós próprios: - Como é que num cenário de horror e morte se pode nascer?


Haverá muitas explicações. Umas cientificamente sustentadas e outras nem tanto. Porém, para os crentes num Deus Maior será fácil acreditar que, a esse Deus, nada é impossível. Que, como o próprio Deus, feito homem, dizia, “Contudo, nenhum fio de cabelo da vossa cabeça se perderá” (Lucas 21-18). Deus conhece cada um pelo seu nome, sabe tudo sobre cada um mesmo antes de nascer.

Esta imagem da vida a irromper dos escombros e da morte levam-me a questionar: -Será que os supra-sumos da política têm o direito de legislar sobre quem deve morrer ou deve viver?

08/02/2023

Zé Rainho

 

domingo, 29 de janeiro de 2023

VELHO DO RESTELO!

 


Estejam descansados, os meus amigos, que não vamos falar de literatura, não é que esta não seja importante e necessária, nos dias que correm, mas deixamos isso para os mais entendidos.

Este personagem, magistralmente descrita pelo nosso poeta maior, Camões, aparece quase sempre associada a duas formas distintas de ser e estar na vida, consoante o analista.

Para uns, o velho do restelo é um homem prudente, cheio de sabedoria, cauteloso e, sobretudo, parcimonioso na forma de gastar dinheiros públicos. Para outros, é o medricas, o cobarde, o receoso, o invejoso, o conservador, aquele que fica na zona de conforto e que não tem o arrojo de partir à aventura. Para nós é um misto das duas coisas.

Quando tanto se fala da necessidade de empreendedorismo, para não ficarmos na cauda da Europa; quando tanto precisamos de Vascos da Gama, sem descartarmos a prudência do Velho do Restelo há polémicas que não passam disso mesmo, polémicas.

Cada vez mais precisamos de arrojo, de coragem, de determinação, tudo metido numa dose q.b. prudencial, para que a aventura não se transforme em descalabro, para que o empreendimento não seja ruinoso, para que o passo não seja maior do que a perna.

Vem isto a propósito de um tema que vejo matraqueado, em tudo o que é órgão de comunicação social e, profusa e hipocritamente difundido nas redes sociais, sem consistência, sem conhecimento, sem profundidade e com uma imensa dose de demagogia, a infra-estrutura onde será celebrada missa pelo Papa Francisco nas Jornadas Mundiais da Juventude.  

Numa altura de dificuldades económicas para o país, qualquer desperdício de dinheiros públicos é uma afronta. Afronta, que deveria ser sempre e todos os dias, independentemente do tempo e das circunstâncias. Dinheiro público é dinheiro de todos nós e, enquanto houver uma criança com fome, um sem abrigo, um doente sem assistência médico-hospitalar, não deveria ser gasto um tostão em mais nada que não fosse a satisfação das necessidades básicas de toda a população. Assim, não se deveriam fazer rotundas, jardins, iluminações natalícias, passadiços e outras obras que, embora necessárias e dignas de apreço, não são imprescindíveis à vida. O mesmo se pode dizer para a infra-estrutura que irá receber um dos pontos altos de um evento de nível mundial.

Mas então, se não temos condições económicas para levar a cabo este tipo de eventos, para que é que nos candidatámos a receber o mesmo, num local onde não temos infra-estruturas para que ele se realize, com dignidade?

Então porque é que vimos em 2019, quando do anúncio da localização das JMJ, assistimos aos saltos entusiásticos, de então presidente da Câmara de Lisboa e hoje ministro das Finanças Fernando Medina, do Presidente da República com a voz embargada a dizer “ganhámos” e do regozijo do Primeiro-ministro em tudo o que era televisão?

Não percebendo nada de obras não me pronuncio sobre se é caro ou barato o empreendimento que se está a desenvolver na zona ribeirinha do Tejo, mas posso dizer por conhecimento factual, que a zona determinada e escolhida para o evento era, até há bem poucos meses, um aterro de lixo que ninguém queria ver perpetuado, a começar pelo presidente da Câmara de Loures e por todos os lisboetas e não só, por todos os que amam o rio Tejo e a sua envolvência. E foram as Jornadas Mundiais da Juventude, patrocinadas pelas mais altas individualidades da Igreja Católica nacional e Internacional que produziu já, mesmo antes de se realizar, este milagre de requalificação ambiental de uma zona, lastimavelmente, degradada durante décadas.

Como já referi, não sei se é caro, se é barato, sei que, já que assumimos o compromisso perante o mundo, temos o dever de sairmos com dignidade deste empreendimento.

Sei, também, que todo o dinheiro que se gaste e dou de barato que seja muito, será sempre uma gota de água no oceano dos milhões enterrados na TAP, (3,2 Mil Milhões), na EFACEC (10 Milhões por mês), no BPN (mais de 6.000 milhões), no BES (mais de 5.000 milhões), no Novo Banco (3.000 milhões), nos lesados do BES (2,7 mil milhões), no litígio que o Sá Fernandes promoveu e que obrigou a Câmara de Lisboa a pagar, mais de trinta milhões, pelo boicote que tentou fazer quando da construção do túnel do Marquês e outos similares, sem retorno e sem desígnio. Pelo menos aqui, ganha o meio ambiente e a natureza, se mais não for.

Mas porque não quero parecer o velho do restelo invejoso e me quero parecer mais com o Vasco da Gama tenho de lembrar a controvérsia invejosa sobre a EXPO 98 e o benefício que esta trouxe à cidade de Lisboa e ao país, o Centro Cultural de Belém, que passou a ser a sala de visita das altas individualidades recebidas, em visita de Estado, no nosso País, para referir apenas algumas mais relevantes e mais recentes.

Porque a Igreja católica se rege por princípios cristãos de humildade, solidariedade a rondar a pobreza material, é fácil atirar-lhe à cara, hipócrita e farisaicamente, qualquer tipo de extravagância ou espavento, esquecendo que, não fossem as religiões e particularmente a religião católica, nunca nos poderíamos deleitar com a visão monumental e arquitectónica de uma Basílica da Sagrada Família de Barcelona, ou de um Mosteiro da Batalha em Portugal, para dar apenas dois exemplos.

Estamos metidos num processo, deixemos que ele se conclua e, no fim, façamos a avaliação do custo-benefício, já que não fomos capazes de antecipar custos quando pedimos ao Papa que nos concedesse a honra e a ventura de termos entre nós milhões de jovens de todo o mundo que, em muitos casos, vêm acompanhados de familiares.

Deixemos de ser velhos do restelo medricas, cobardes, invejosos, sejamos arrojados e corajosos como foram os nossos intrépidos marinheiros.

28/01/2023

Zé Rainho

 

sábado, 31 de dezembro de 2022

Predisposição mental!

 

PREDISPOSIÇÃO MENTAL!

Não sou psicólogo, pelo que não suporto a minha opinião em bases científicas, mas tenho a convicção que a predisposição mental, condiciona e muito a forma como encaramos as mais diversas situações da vida.

Se estivermos optimistas, alegres, contentes, encaramos os acontecimentos de forma bem diferente daquela se estivermos deprimidos, taciturnos, tristes. Na primeira parece que tudo nos parece colorido, mesmo as coisas menos boas, encaramo-las com certa leveza relativizando os aspectos negativos, podia ser pior e assim por diante. Já, ao contrário, tudo parece negro, escuro, tenebroso, só a mim é que me acontecem destas coisas!

Hoje, a maioria de nós, encara este final de ano com alegria, com optimismo, sobretudo, com esperança de que o novo ano traga o melhor para o mundo e ainda bem que assim é, porque só pode ser mais cheio de cor o que aí vem, apesar das nuvens negras que se adensam sobre as cabeças de todos nós.

O ano que hoje finda foi mais um ano mau, que se seguiu a muitos outros de crise, de pandemia, de isolamento, de incerteza, de condicionamentos, de estados de emergência e de muitos outros atropelos à liberdade individual e colectiva, de trapalhadas governativas, de dissolução do parlamento, de eleições antecipadas e muitas outras diatribes ligadas à governação, mas também à justiça, à saúde, à educação, à segurança. Muitos processos judiciais de violência doméstica e todos os outros tipos de violência, de saques, de roubos, de corrupção e toda a panóplia de circunstâncias que nos transformam num dos países mais pobres da Europa, apesar dos PRR e outros fundos que os europeus despejam nos bolsos de alguns portugueses, que cada vez são mais e estão mais ricos, ainda que a maioria esmagadora seja cada vez mais pobre e cada vez sejam mais os pobres miseráveis.

O ano que finda foi mau, porque trouxe a guerra para as portas da Europa, abanando e deixando atarantados todos nós, os que nos habituámos à paz e à prosperidade, desde meados da década de quarenta do século passado.

A inflação trouxe-nos à mente os dias difíceis da década de noventa, do passado século, em comprávamos algo e o comerciante nos dizia: leve agora porque amanhã será mais caro. Trouxe-nos também um corte, significativo, nos salários de quem trabalha e nas pensões dos reformados, ainda que os nossos “zelosos” governantes nos queiram convencer que nunca estivemos tão bem como agora.

As trapalhadas governativas são o pão nosso de cada dia. Desde as sucessivas demissões de ministros e secretários de estado, até à inoperância das autoridades perante calamidades como os incêndios ou as cheias. Isto para não falar nas empresas públicas sorvedouros de dinheiros públicos sem controle e responsabilização ou para a quantidade de autarcas suspeitos e, alguns já condenados, de práticas lesivas do interesse público que juraram defender.

Não tendo muitas razões para encararmos o novo ano com optimismo é bom que o recebamos com esperança renovada de que tudo será melhor.

Não vamos esquecer todas as maldades que este nos trouxe para estarmos preparados e não nos deixarmos cair nas mesmas patranhas, mas vamos olhar para o que vem de forma descontraída, alegre, com um copo de espumante – a vida não está para champanhe – junto com os nossos familiares e amigos e desejar que todos e cada um faça a sua parte para que o mundo mude para melhor. Se não puder ser de outra forma, com o pensamento e a determinação de que se o mundo cair não seja com o nosso empurrão.

Como dizia o saudoso Raul Solnado, façam o favor de ser felizes. Um Ano Cheio de prosperidade, de coisas boas para todos.

31/12/2022

Zé Rainho

 

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

25 de Novembro

 

25 DE NOVEMBRO DE 1975

Um povo sem memória é um povo sem futuro. Porque desejo um futuro melhor para o meu povo, hoje quero falar para os mais novos e, também para os professores, de todos os níveis e graus de ensino. Não com moralismos nem como se fosse dono da verdade, ma como modesto contributo de um cidadão com memória.

Talvez por falta de informação, nas escolas e universidades, não é raro ouvirmos jovens dizer que não sabem o que representam muitos dos feriados nacionais. Se estiverem atentos às entrevistas que, às vezes, as televisões fazem ao público, em geral, verificarão que o próximo dia 1 de Dezembro é um desses feriados desconhecidos, o mesmo se passando com o 5 de Outubro e outros. Parece haver uma certa alienação colectiva. O que importa é que nesses dias não se trabalha, o motivo, não interessa.  

Os feriados são determinados pelos órgãos máximos do Estado. Mas há dias que não são feriados, que são tão ou mais importantes do que aqueles que o são, por determinação política.

Hoje é um desses dias. Não é feriado, mas é de uma relevância fulcral no nosso País e para a esmagadora maioria do nosso povo.

Em 25 de Novembro de 1975, se não fossem uns militares patrióticos e uns civis esclarecidos, poderíamos ser um satélite soviético como é o caso de Cuba, por exemplo. Ou podíamos ter entrado numa guerra civil de proporções inimagináveis, mas com muito sangue derramado.

Por isso devemos lembrar quem foi importante e quem arriscou a vida e o bem-estar pessoal, em benefício da pátria e do seu povo. Desde logo o Coronel Jaime Neves, General Ramalho Eanes, coronel Melo Antunes e muitos outros militares, honrados e patrióticos que, dando o corpo às balas, conseguiram travar a deriva revolucionário/comunista das Forças Armadas. Mas também civis, como Mário Soares, Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa e muitos outros que não se acomodaram com a situação.

Dos traidores à Pátria, que tinham na sua agenda a conquista do poder, para benefício próprio ou do seu grupo, quer civis, quer militares, não vale a pena falar. Conhecemos os seus nomes, mas são gente menor, que não merece ficar na História, por isso não vale a pena lembrarmo-nos deles.

Hoje, em minha modesta opinião, devia ser feriado nacional e os meios de comunicação social e a Escola, no seu todo, deviam fazer a apologia deste dia, como um dos mais importantes da democracia portuguesa. Não o fazem e é pena.

Nós estamos aqui a fazer a parte que nos cabe. Honra aos heróis vivos ou falecidos, desprezo total e absoluto pelos traidores que ainda por cá andam ou já entregaram a alma ao Criador.

25/11/2022

Zé Rainho

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Credibilidade

 

CREDIBILIDADE!

A ciência política é, em primeiro lugar, uma ciência. Merece o nosso respeito, a nossa consideração, porque se baseia no estudo, utiliza o método científico, analisa dados, faz experimentação e demonstração. Na vertente política a ciência é muito relevante por estudar a organização social e governativa, a ideologia, os sistemas, os direitos das pessoas, entre outros assuntos relevantes para a vida em sociedade.

Neste contexto a política é nobre, é credível, é indispensável à democracia, à paz, à igualdade de direitos e de deveres.

Como elementos de uma qualquer sociedade somos, todos, aos mesmo tempo, somos agentes e beneficiários da política. Com a nossa atitude individual fazemos, diariamente, política, por acção ou omissão.

Posto isto surge uma pergunta: Por que é que há tantas pessoas a não acreditar na política e nos seus agentes mais representativos?

Há várias respostas possíveis, mas, de forma simples, pode dizer-se que esses agentes representativos dão maus exemplos.

Desde logo, porque a maioria é incompetente no exercício das suas funções. Depois porque uma significativa parte desses agentes não servem o serviço público, mas serve-se do público para seu serviço. Isto para não falar do aproveitamento pessoal, da família e dos amigos, dos bens públicos, quer se trate de empregos ou de dinheiro.

Falta credibilidade à política porque falta verticalidade aos seus agentes mais destacados.

 

16/11/2022

 

Zé Rainho