sexta-feira, 29 de julho de 2022

ESPERA!

 Saber esperar é uma virtude. A espera é paciente, é constante, é serena, é controle emocional, é esperançosa, mas, também, é ansiosa, é desesperante, é depressiva, é desmotivadora. 

Esperamos a vida toda por algo que ambicionamos ou, mesmo, do que precisamos  e essa espera já não pode ser virtuosa porque desiludiu a esperança. 

Penso não estar muito enganado se disser que o povo português já desespera de tanto esperar. 

Esperámos por D. Sebastião. Esperámos pelo liberalismo. Esperámos pela República. Esperámos pela Ordem, a paz e o progresso. Esperámos pelo fim da ditadura. Esperámos pela revolução. Esperámos pela democracia. Esperámos pelo desenvolvimento económico e social. Esperámos, esperámos, esperámos e continuamos a esperar que alguém ponha este país nos eixos. 

Não há forma. Não há vontade. Não há gente capaz. Não há, sequer, povo com crença e com garra para não esperar pelos outros ou para que alguém faça. 

E assim acontece, é tudo para amanhã quando devia ser para ontem. 

Na saúde criam-se estruturas que hão-de resolver o descalabro e a descrença. Na justiça não se mexe porque isso é interferir com órgãos de soberania independentes. Na educação mexe-se no currículo para criar motivos de distracção e, no essencial, mantém-se tudo na mesma, quando não piora.

Na segurança é a falta de recursos humanos e materiais e o avolumar da criminalidade, cada vez mais violenta, a soma de mortes roubos e outros delitos. 

Na segurança social anda-se a apagar fogos tapando a cabeça destapando os pés ou vive-versa. 

Na casa da democracia é a indigência política a começar pelo seu presidente. 

Na mais alta magistratura da Nação é o hiper-activismo para aparecer em todo o lado e constantemente, com afecto, para esconder  a ineficácia da acção. 

Por tudo isto resta-nos esperar e, quem muito espera desespera, por dias melhores ou por algum marciano que venha por ordem na casa.

Por mim vou esperar sentado para ver se não me canso. 


28/07/2022


Zé Rainho 

quinta-feira, 21 de julho de 2022

TRÊS PAÍSES!


Não percebo nada de política e nem quero perceber, mas gostaria de entender a visão dos políticos para o presente e para o futuro deste país, porque o passado já o vivi e senti e muitas coisas não foram por aí além.

Ontem debateu-se o estado da Nação – quando escrevo estado da Nação vem-me logo à memória a célebre frase de Salgueiro Maia onde, entre outras coisas disse, o estado a que isto chegou! – e no muito pouco que vi pareceu-me existirem três países, todos diferente e todos iguais. O País do Costa; o país da oposição, toda, e o meu país.

Para o Costa, este é o País das maravilhas onde toda a gente vive muito bem e vamos no rumo certo para o enriquecimento.

Para a oposição está tudo mal e vamos a caminho do desastre e da tragédia.

Para mim vivemos no país do caos, do desleixo, da impunidade, do empobrecimento acelerado, individual e colectivo, para o definhamento dos valores humanos e patrióticos que, mais cedo do que tarde, se vão revelar catastróficos.

Porventura, nenhum deles é o retrato fiel da realidade, mas tenho a presunção de que o meu é o que mais se aproxima. Atentemos:

O número de pobres está constante e inexoravelmente a aumentar. Se precisássemos de exemplos bastava ver os números do INE, da PORDATA e ouvir os gritos do Banco Alimentar, da Cáritas, da Cruz Vermelha, dos Párocos nas Igrejas e os constantes apelos à boa vontade da população para ajudar a mitigar a fome que grassa pelo país fora;

A tragédia dos incêndios, apesar dos milhões gastos no seu combate, que deixa os pobres, mais pobres, sem o pouco que tinham;

As grávidas, que têm de andar de Hospital em Hospital para terem as suas crianças e, depois deste sufoco, ansiedade e risco de vidas, se verem tratadas pelo primeiro-ministro como números sem importância (0,3%) na sua, dele, opinião;

O número de mortes, sem explicação científica, com desculpas esfarrapadas como onda de calor, covid ou outras, quando se conhecem casos de cancro que não foram diagnosticados por falta de resposta do serviço nacional de saúde, com espera superior a dois anos;

A inflação, que já comeu um mês de salário, a quem já tinha imensas dificuldades em gerir um orçamento para chegar ao fim do mês;

Os combustíveis, mais caros da Europa Comunitária e os salários mais baixos desta comunidade de países;

A violência sobre idosos e mulheres, praticada por bandidos que, às vezes, até são familiares das vítimas, por falta de recursos humanos de segurança nos Organismos policiais;

Os aeroportos, atulhados de gente e malas abandonadas, com manifesta responsabilidade da TAP, empresa onde metemos dinheiro às pazadas;

Alunos sem professores meses e, nalguns casos, um ano lectivo inteiro, um currículo desajustado e com entorses ao ensino verdadeiramente democrático;

Avisos do Tribunal de Contas de que há vários casos de má aplicação dos dinheiros públicos sem que haja a competente responsabilização e penalização;

Da Justiça, sua morosidade e injustiça perante os mais desfavorecidos e os que não podem pagar os Trutas dos Advogados, nem vale a pena falar;

As portas giratórias por onde os responsáveis políticos se pavoneiam depois de saírem da governação, para não falar na promiscuidade e no conflito de interesses que os mesmos nem se preocupam em esconder, o último caso conhecido é o do Presidente do IEFP;

Os apoios dados a empresários amigos do regime e dos detentores de cargos políticos relevantes, com referência ao último escândalo com o dono da TVI, quando a maioria das empresas não tem acesso a pequenas ajudas para a retoma da sua economia empresarial;

Podíamos continuar, mas acho que já basta para analisarem estes três países diferentes, mas que queremos que continue a ser o nosso, o de todos nós, nem do Costa e seus muchachos, nem da oposição e seus demagogos.

21/07/2022

Zé Rainho

 

sábado, 16 de julho de 2022

A MODA!

 

A MODA!

A moda é o substrato do esquecimento. Aquilo que hoje esquecemos foi ontem o nosso encantamento. Aquilo que hoje é o nosso enlevo, amanhã não passará de recordação. É efémera. Quase me atrevia a dizer que é inútil, embora aceite que o ser humano é um constante insaciável e, como tal, necessite da ilusão para se sentir feliz. Mas, a moda entra na nossa vida, sem bater à porta nem permissão e acomoda-se no sofá da nossa permissividade, o que no mínimo é alienável e pode configurar total obscurantismo.

Quando falamos de moda não nos estamos a referir, como é óbvio, apenas, ao vestuário, ao calçado, ao penteado ou outros adereços que compõem a nossa aparência. A moda é muito mais do que isso e enxameia todos os sectores da vida nacional só que, umas vezes é mais discreta e outras mais atrevida e provocatória.

Comecemos pelo futebol. A moda hoje não é jogar bem à bola é, antes, comentar lances, hipotéticas faltas, estratégica e tácticas de jogadores e treinadores. Quem tem o palco não são os intervenientes no terreno, são os comentadores, os especialistas. A moda é, pois, os especialistas. Estes é que têm tempo de antena. Um jogo demora noventa e poucos minutos, o comentário, por diversos especialistas, demora quatro horas.

Por aqui vemos, também, que hoje há a moda dos especialistas. Há-os para todos os gostos e feitios, ainda que a maioria deles nunca tenha experienciado fazer o que comenta. E, como não sabe fazer, comenta, fala, manda bitaites, dá palpites.

Se isto é verdade no futebol, também o é nos incêndios, só para dar um exemplo da actualidade. Ninguém ouve um bombeiro, um comandante de bombeiros, que anda dias e noites, horas sem fim, no meio de um braseiro infernal, esgotado, física e psicologicamente, sobre o que está a viver. As suas angústias e da sua família. As perdas próprias para defender as perdas alheias, mas aparecem, aos magotes os especialistas estrelados a dizer coisas, muitas delas sem nexo. E são mais que as mães. Transportados em carros de luxo, tudo sofisticado, enquanto o bombeiro se deslocou para a tragédia – agora não se designa assim, porque os estrelados entendem que se deve chamar teatro das operações - num carro de combate, muitas vezes a cair de podre. São modas.

Mas também os políticos, os que têm as maiores responsabilidades, que se arrogam o direito de ser especialistas e dizerem que a culpa é das pessoas que trabalham a terra. Que são descuidados. Que não registam os terrenos. Que não os limpam. Esquecendo-se que a maioria dos pequenos proprietários fica sem nada para o seu sustento, não têm dinheiro para comer e para os medicamentos, quanto mais para limpar uma floresta que não lhes dá nada, mas que enche os bolsos a muita gente, que nada fez por ela. Enquanto isso vêem os terrenos cuja responsabilidade é dos organismos estatais sem qualquer tipo de intervenção, na boa prática de “bem prega frei Tomás, façamos os que ele diz, mas não o que ele faz”. São especialistas.

Se formas para a Educação, para a Saúde, para a Justiça, para a Segurança não acontece nada de diferente. Quem mete as mãos na massa – quem trabalha no duro, não quem se aproveita dos louros ou do dinheiro - não tem voz, mas os especialistas de gabinete, atordoam-nos com soluções mirabolantes, de sucesso indiscutível.

São modas e, tal como a moda, talvez passe depressa.

15/07/2022

Zé Rainho

segunda-feira, 11 de julho de 2022

ESTADOS DE!...

 

ESTADOS DE!...

A Democracia assenta em regras que não podem ser violadas, sob pena de se ir transformando, aos poucos, e o produto final nunca será brilhante.

Temos exemplos que nos demonstram que os sistemas democráticos ou são construídos, por todos, diariamente, ou definham, modificam-se, alteram-se e os efeitos são devastadores. Facilmente se passa de uma democracia laxista a musculada. De uma democracia musculada a uma ditadura da maioria ou, mesmo, da minoria com poder de influência e manipulação.

As coisas não são estáticas nem eternas. A vida também não. É preciso ir fazendo adaptações, ajustes, de acordo com as circunstâncias, mas tais, nunca podem ou nunca devem ser ao arrepio da Lei ou martelando a mesma. Há muitas maneiras de matar pulgas!

Na nossa Lei Fundamental há direitos que são invioláveis. Na prática, será assim?

A Pandemia do Covid-19 veio trazer alterações, a maior parte das vezes, perfeitamente dispensáveis por desnecessárias. Ainda se há-de estudar o que aconteceu no País e resto do Mundo para se perceber as atitudes dos diferentes governos e respectivas consequências. É sabido que houve países que nunca confinaram e outros que, praticamente, nunca desconfinaram, ou confinaram e desconfinaram a ritmos e por períodos diferentes.

Estas atitudes tiveram consequências graves para as respectivas populações. No nosso caso, parece-me que a Pandemia se transformou em Epidemia que se vai eternizar, pelo menos enquanto o Partido maioritário actual, o PS, estiver no Poder.

O PS tem tiques ditatoriais, desde sempre. Tem facções que não conseguem esconder o seu apetite pelo poder absoluto e a ideia de que “quem não é por nós é contra nós”. Esta afirmação não quer branquear os defeitos dos restantes partidos legais, da política nacional, apenas se refere hoje, aquele que nos governa, nesta altura e é objecto desta análise. Não podemos esquecer a frase “quem se mete com o PS leva, como não se pode olvidar a bravata do “animal feroz”,  ou do “eu não sou fragilizável”, como temos de ter em conta a rede de familiares e amigos que enxameiam o Poder e os Boys que são colocados estrategicamente em lugares de relevância que condicionam a vida de todos nós.

Quando o Presidente da República decretou o primeiro Estado de Emergência que depois foi prorrogando por mais quinze vezes deu azo a que o Governo se permitisse, a meu ver abusivamente, continuar a declarar vários estados de Calamidade, de Contingência e de Alerta.  

Deixem-me abrir aqui um parêntesis, supostamente protecção da população, mas na prática é mais o condicionamento da população. Um exemplo prático e caricato. Um doente precisa de ser socorrido, urgentemente, reside a um minuto do quartel dos bombeiros, não pode pedir ajuda directa a estes. Tem de pedir ao 112 que acciona o CODU e este solicita a ambulância aos bombeiros mais próximos. Em vez de um minuto perderam-se, nesta burocracia, pelo menos dez ou muitos mais.

Voltemos ao assunto. A Lei da Protecção Civil, Lei 27/2006, artigo 8 nº 1 alínea a) dá a esta entidade o poder de propor, desta forma simples e expedita, ao membro do Governo que a tutela, a declaração de estados de Alerta, Contingência e de Calamidade que, em alguns casos pode ser justificada e noutros ser um, manifesto, abuso de poder. A própria Lei no seu artigo 8º nº 2, refere que “as medidas devem ser adequadas e proporcionais à necessidade”, tem sido e será assim?

Esclareçamos: - Se um sismo destruir parte do território faz todo o sentido a declaração de estado de calamidade para a zona afectada. Já me parece excessiva a declaração de estado de alerta, por sete dias – até ao dia 15 de Julho - ontem decretada pelo ministro da administração interna, para todo o País, por causa da previsão de uma vaga de calor, de cerca de 40 graus, de cinco dias, no máximo.

Não nos podemos esquecer que este estado condiciona liberdades individuais, porque qualquer percepção de desobediência dá direito a crime, e colectivas, nomeadamente, aos meios de comunicação social, principalmente, rádios, televisões e Redes de Comunicação. Não sabiam? Pois é verdade. Já viram a dimensão da medida? Já se aperceberam dos pezinhos de lã que se podem transformar em botas cardadas?

Gosto de regras bem definidas. Gosto de conhecer os meus direitos e os meus deveres de cidadão. Gosto de cumprir os deveres e usufruir dos direitos, sem restrições. Causa-me urticária qualquer abuso de poder.

Cabe-nos a nós, todos sem excepção, denunciar todos os abusos de que tivermos conhecimento para continuarmos a construir, dia-a-dia, a Democracia em que queremos viver.

9/07/2022

Zé Rainho

quarta-feira, 6 de julho de 2022

NEVOEIRO!

 

NEVOEIRO!

O nevoeiro é um perigo para a navegação. Esconde perigos vários. Oculta a presença de obstáculos. Por isso, quando há nevoeiro torna-se necessária maior atenção, mais discernimento, maior prudência.

Quando o nevoeiro é muito intenso a nossa visão não alcança a distância que nos separa do abismo.

Vivemos um momento desses no nosso país. O abismo está aí à nossa frente e não o conseguimos ver, porque há forças poderosas que lançam compacto nevoeiro aos nossos olhos, para que não vislumbremos o desastre.

O caos no serviço nacional de saúde é indesmentível. Quem necessita de recorrer a um qualquer serviço sabe, à partida que, no mínimo, tem de esperar. Esperar horas, meses, ou anos, dependo da necessidade de cada um.

Não vale a pena vir dizer-se que a culpa é dos médicos, dos enfermeiros, do pessoal auxiliar porque, sabendo-se que em todas as profissões há maus profissionais e aqui não é excepção, há muita gente a fazer das tripas coração para que os Serviços funcionem. Mas também não vale dizer-se que a culpa não é de ninguém porque, afinal, somos um país pobre. Há culpa e há culpados e esta e estes estão sentados na cúpula da organização.

Quando um qualquer profissional se sente menorizado nas suas funções, desprotegido pela sua hierarquia, desmotivado pelas más condições de trabalho, de remunerações inadequadas, sem perspectivas de futuro, uma de duas acontece: ou sai, vai embora, procurar lugar onde reconheçam o seu mérito e empenho profissional ou, encosta-se à sombra da bananeira, deixando passar o tempo porque, assim como assim, tanto ganham os cumpridores como os relapsos.

Se na Saúde é assim há muitas semelhanças nos demais sectores da nossa vida colectiva. A Educação, a Justiça, a Segurança, o Serviço Aeroportuário, a Economia, a Agricultura, entre muitos outros. Se isto é verdade e a mim parece-me que é, porque é o povo, que sofre na pele, todas as agruras resultantes desta inoperacionalidade, não se manifesta, não diz nada?

Certamente haverá muitas respostas para a pergunta anterior, tantas quantas as opiniões individuais, mas a minha é a de que o nevoeiro, propositadamente, lançado aos olhos do povo, não o deixam ver o caminho alternativo e a prudência atribuída ao Velho do Restelo, característica do nosso povo, manda-o estar quieto. Não arrisca. Não tem a fibra dos Navegadores de outrora.

A semana passada houve uma crise governamental gravíssima, parece ninguém ter dúvidas disso, pois os factos demonstram-na à saciedade, mas fica tudo na mesma porque é melhor não fazer ondas.

O Presidente da República sofre uma humilhação de um chefe de estado estrangeiro que, no mínimo, é um bacoco e o Governo fica-se. Os Serviços diplomáticos não acautelam todos os percalços para que o País não saia menorizado e todos assobiam para o ar.

A Comunicação Social cala-se. Terá as suas razões. Não lhe deram dinheiro por causa da pandemia? Não tiveram e têm comentadores amestrados? Não têm jornalistas que não podem ser independentes, porque se o forem, correm o risco de não ganhar o pão nosso de cada dia? E os lugares de assessoria, de comissões várias, não contam?

O Nevoeiro é muito perigoso é preciso sete olhos para o desvendar, mas não podemos ficar quietos no nosso canto, quando vemos que o abismo está à nossa frente e já vemos toda a gente com o pé no ar para avançar. É preciso dizer: parem! Vejam por onde vão e para onde caminham. É o que tento fazer.

6/07/2022

Zé Rainho

quarta-feira, 22 de junho de 2022

PENSAMENTO!

 

Pensamento!

 

Em minha opinião, os velhos deviam eximir-se de pensar, porque lhes faz mal, irrita-os.

Porque são velhos, já viram muita coisa e os factos vividos e ou presenciados, fazem deles seres um tanto objectivos que colidem, facilmente, com a narrativa em moda e do pensamento veiculado pela opinião publicada e isso torna-os taciturnos, cépticos e desapontados.

A História, particularmente a História moderna, é a narrativa de factos, sem julgamentos, nem opiniões, sem coloridos diferenciados, consoante os auto-intitulados historiadores da nossa praça.

A História há muito que passou a ser uma ciência, que se baseia em evidências científicas irrefutáveis e não se coadunam com opiniões, por mais abalizadas que elas sejam, nem se compadece com voluntarismos, mais ou menos insensatos, de investigadores proletários que, por força da sua precariedade laboral, se vêem forçados a alinhar no modismo vigente de quem paga os seus serviços.

Se atentarmos no nosso país, fácil será intuir que, em pleno século XX era constituído por um povo, maioritariamente, ruralizado, analfabeto, numa enormíssima dimensão. Que tomou uma posição neutral na segunda guerra mundial e por isso não beneficiou do Plano Marshall, continuando pobre e subdesenvolvido. Que tinha uma polícia política, que era um estado dentro do Estado, que não podia ter umas forças armadas capazes, da mesma maneira que não tinha uma indústria, um comércio e uma agricultura capaz.

O País foi sempre pobre e sem possibilidades de proporcionar ao seu povo as necessidades básicas preconizadas por Maxwell.  Houve, porém, nesse período temporal, um facto importante. A escola passou a ser obrigatória em meados do século e as escolas Normais foram reactivadas para formar docentes mais capacitados.

Vem tudo isto a propósito do Golpe de Estado do 25 de Abril de 1974.

Vejamos: -

No século XV foram os descobrimentos que ajudaram na subsistência da população. Seguiu-se o povoamento de territórios descobertos o que aliviava a pressão no recanto europeu, à beira-mar plantado. Depois uma emigração diversificada, ainda que de reduzida dimensão, para o Brasil e América Latina.

As colónias, nomeadamente Angola, servia para receber os condenados pela justiça que eram designados por degredados. Para os restantes que quisessem demandar aquele território necessitava de obter uma carta de chamada, assinada por um residente com capacidade financeira para assegurar a sobrevivência de quem chamava e, caso fosse necessário, proceder ao seu repatriamento, documento reconhecido notarialmente. Daí a dificuldade da emigração para as colónias ultramarinas, mais tarde designadas por Províncias Ultramarinas.

No final da década de cinquenta e princípio da década de sessenta iniciou-se uma emigração clandestina, mas em massa, para a França, seguindo-se, mais tarde, outros destinos, Alemanha, Luxemburgo, Suíça, entre outros. Também Angola recebeu alguns emigrantes autorizados pelo Governo e dirigidos a colonatos implantados pelo Estado e, a seu reboque, mais alguns que tinham conhecimento com alguém já instalado no território. Porém, o rácio português indígena era bastante baixo para um território tão extenso.

Os europeus, na sua maior parte, tinham colónias em África e, nalguns casos, a exploração do indígena era, deveras chocante, com apartheid, com discriminação, com abusos de poder. Não era o caso de Angola, salvaguardando sempre a possibilidade da existência de alguns casos como os referidos, mas sem a dimensão e a crueldade de outros territórios. Por exemplo, o Congo Belga funcionava como uma coutada do Príncipe Leopoldo II da Bélgica.

A evolução natural é a autodeterminação dos povos. Quanto mais atropelos há em relação aos direitos humanos, mais se acende a fogueira da insatisfação e o incêndio no seio da sociedade pela independência é uma realidade num curto espaço de tempo.

Assim, em 1960 a Bélgica viu-se obrigada a dar a Independência ao Congo Belga, no meio de refregas e terror junto da etnia branca. A França faz o mesmo com a Argélia.

Estes factos aliados ao, cada vez maior número de jovens angolanos e portugueses, mais politizados que viviam em Angola fez despertar uma consciência que começou a tomar corpo. Entre essa juventude até se dizia jocosamente: “Angola é uma vaca que tem as tetas na Metrópole e os cornos cá. É preciso alterarmos a situação trazendo as tetas para cá e deixando os cornos lá”. Consequentemente organizaram-se Movimentos pró-independência fora do território que, desde logo tiveram apoio das diferentes potências mundiais e o combate aceso das Nações Unidas a Portugal por se recusar a dar a dita independência.

Para abreviar, vamos a mais uns factos. Em 4 de Fevereiro de 1961 um grupo mal-organizado, mas apoiado por alguma cúpula da Igreja Católica e de outras religiões, decidiu atacar a Casa da Reclusão de Luanda e a sétima Esquadra da Polícia de Segurança Pública, na tentativa de obrigar o regime político português a ceder aos interesses dos independentistas e, principalmente, das potências estrangeiras interessadas nas fontes de riqueza existente no território. Houve algumas mortes e alguma barbárie pondo em confronto raças até aí conviventes em alguma harmonia.

Seguiu-se a revolta dos trabalhadores da Baixa do Cassanje onde a barbárie foi mais acentuada, com várias mortes e laivos selváticos praticados pelos dois lados da barricada.

Nessa época Angola tinha, apenas, um simulacro de Forças Armadas e um corpo policial reduzido, sendo que a ordem pública era assegurada por Administradores Distritais e Chefes de Posto Concelhios, com o seu quadro diminuto de sipaios.

A Metrópole não estava muito melhor em termos de Forças Armadas já que não tendo entrado na Guerra e fazendo parte da NATO apenas precisava de algumas forças que não deixassem o país mal na fotografia.

Quando aconteceu o fenómeno apelidado de terrorismo em Angola, que. pouco mais tarde alastrou aos restantes territórios, Salazar teve a tirada junto da Brigada do Reumático (Generais velhos de mente e de corpo) “para Angola, rapidamente e em força”. De facto, foram enviadas alguns, poucos, militares de avião, no início da rebelião e pouco a pouco maiores contingentes de navio, a partir de Maio de 1961. Em qualquer dos casos tratou-se de tropas mal preparadas e muito mal apetrechadas de armamento. A maior parte do armamento era constituído por espingardas Mauser e pistolas Walter. O Comando era, maioritariamente, das patentes menores, Alferes e Furriéis, milicianos, que interromperam os seus estudos em níveis mínimos, respectivamente com o 7º ano do Liceu ou cursos superiores interrompidos, 2º ou 5º anos liceais e as praças com a 4ª classe. Os capitães comandavam companhias que, em geral, estavam ou ficavam aquarteladas em aglomerados populacionais e não entravam em combate.

O, dito, terrorismo, nunca teve grande expressão nas cidades capitais de Distrito e, a partir de 1963 foi reduzido a bolsas pouco significativas em todo o território porque, entretanto, o efectivo militar tinha sido substancialmente aumentado e o armamento muito melhorado, para além dum número significativo de tropas especiais, comandos, paraquedistas, fuzileiros e os reforços dos três ramos das Forças Armadas, exército, armada e força aérea.

Por outro lado, a economia de todo o território teve um desenvolvimento exponencial que mitigava algumas injustiças e trazia mais bem-estar a toda a população, independentemente da raça ou cor da pele.

A guerra colonial, para além de alastrar territorialmente, alastrou no tempo de duração e também foi fazendo estragos na motivação da juventude que via a sua vida condicionada, na maior parte das vezes, por mais de três anos de vida militar obrigatória.

Independentemente da consciencialização política o mal-estar foi fazendo o seu percurso ao longo dos anos, o descontentamento populacional português e angolano foi terreno fértil para a actividade subversiva, que era desenvolvida interna e externamente. No exterior era ainda fomentada pelas grandes potências internacionais e apoiada pelos povos vizinhos dos territórios sob administração portuguesa.

Outro facto foi o afastamento, por doença, incapacitante, de Salazar do lugar de 1º Ministro, sendo substituído no cargo pelo Professor Marcelo Caetano que, sabe-se hoje, nunca conseguiu impor uma política pessoal e foi sendo arrastado para um pântano onde a PIDE, por um lado e as altas patentes das Forças Armadas por outro, o enredaram, frustrando uma expectativa muito promissora que apareceu em 1968.

Ainda outro facto foi o envolvimento de cerca de um milhão de militares em todo o teatro de guerra que estava completa e totalmente ganha, em todos os territórios, com alguma dúvida na Guiné, mas que necessitava de uma cadeia de comando de mais elevada patente, nomeadamente a nível de capitão, e na impossibilidade de uma formação adequada, por Despacho Ministerial foi decidido que os tenentes milicianos poderiam aceder ao posto de capitão, desde que frequentassem um curso intensivo de um ano. Comparando com os cinco de Academia Militar que os Capitães do Quadro tinham que fazer e mais, pelo menos sete anos para chegar ao posto de capitão concluía-se que havia aqui alguma, muita, dose de injustiça.

A guerra que iniciou com milicianos passou também a ser feita por militares dos Quadros logo, uma maior rotatividade e, devido à falta de recursos humanos os capitães foram obrigados a maior número de mobilizações para comissões, com poucos anos, ou mesmo meses, de intervalo, o que gerou muito descontentamento.

A sucessão de factos elencados conduziu ao golpe de Estado corporativo levado a cabo pelos capitães no dia 25 de Abril de 1974.  A adesão popular a este evento transformou o golpe em revolução que, de facto não o foi, por várias razões.

As pessoas estavam sedentas de liberdade o que era deveras compreensível, dado o silenciamento de mais de quatro décadas. Mas, logo a seguir, surgiram os donos da liberdade e do próprio golpe de estado. Na circunstância, tentaram apropriar-se da hipotética revolução o Partido Comunista Português e toda a extrema-esquerda radical existente no país, ainda que rotulada, pelo antigo regime, de comunistas.

Os militares do Conselho da Revolução, mais uns tantos radicais existentes nos quartéis, muito ligados ao PCP, tentaram definir quem eram os portugueses com direito à liberdade e quem eram os que deviam ser presos sem culpa formada e sem qualquer tipo de julgamento.

Álvaro Cunhal, ministro sem pasta, para poder ter as pastas todas, mandou instrumentalizar os trabalhadores, operários, trabalhadores rurais e dos serviços, para que o poder caísse na rua e assim poder avançar para uma nova ditadura, desta vez, comunista de ideologia soviética, com intervenção directa, ainda que sub-reptícia da Rússia que então, ainda era a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Valeram os militares moderados, povo moderado do Norte e do Centro do País e Mário Soares, que frustraram tal ambição.

O 25 de Novembro foi o golpe de misericórdia nas pretensões do PCP que, com a conivência de Otelo Saraiva de Carvalho passou para a luta armada com as, tristemente célebres FP 25, que causou morte e dor muito superior à que foi causada pelo Golpe Militar de 25 de Abril.

Hoje, passados 48 anos, vemos uns rapazinhos e umas rapariguinhas, que não têm noção, nem conhecimento e muito menos experiência, querer ditar quem são os donos do 25 de Abril. Tudo gente captada no alfobre socialista que é o ISCTE.

Não deixaremos que tal aconteça e, nestes quatro anos que agora se iniciam, de comemorações do cinquentenário do 25 de Abril, não deixaremos de levantar a nossa voz contra estes projectos de ditadores e dizer com toda a pujança que o 25 de Abril não tem donos específicos. O 25 de Abril é de todos nós, os portugueses.

21/04/2022

Zé Rainho

 

sábado, 11 de junho de 2022

OEMBUSTE!

 

O EMBUSTE!

Em contacto com pessoas muito respeitáveis, pelos valores éticos e morais que defendem e praticam, vim a saber de viva-voz, que o descontentamento dos trabalhadores da saúde, que prestam serviço no SNS, é total e cada vez mais gritante.

É a falta de condições de trabalho. É a falta de recursos humanos e materiais. É a falta de perspectivas de vida e de carreira. É a miserável remuneração do pessoal mais qualificado, médicos, enfermeiros, técnicos superiores.

A situação é tão grave que um médico a caminho da exaustão total, por exemplo, se vê na necessidade de pedir desculpa aos doentes, pelas horas de espera que se viram obrigados a ter, porque o médico, especialista, é o único da sua especialidade e tem de dar resposta a cirurgias, internamentos, consultas externas de diagnóstico e de manutenção. Para cúmulo esse médico tem uma remuneração de 2.300€, por mês, com um horário de 40 horas semanais.

Alguns virão já dizer que, em contrapartida, há outros médicos que não fazem nada no SNS, para depois poderem ganhar muito dinheiro na medicina privada, particular ou em Clínicas ou Hospitais privados, onde aí dão o litro para cumprir objectivos. Até podem ter razão, mas, enquanto houver situações como as que acima referi o que é que querem? Então a motivação não é meio caminho para a eficiência? Então a remuneração não faz parte dessa motivação? Então o descanso não é fundamental para repor energias para um desempenho mais eficaz?

Se as respostas às perguntas for sim, e parece-me que ninguém de boa-fé possa dar outra, o que é que fazem os dirigentes a montante das organizações? O que é que tem a dizer o primeiro-ministro, a ministra da saúde, a Ordem dos médicos?

Não será altura de rever os critérios de acesso ao curso de medicina onde, paralelamente, ou complementarmente às notas do ensino secundário estejam testes vocacionais, valores éticos e morais, disponibilidade total e sensibilidade fraternal para com quem sofre? Não será altura de acabar com limitações à entrada nos cursos de medicina e esperar que a concorrência faça a selecção natural de quem é competente e esforçado por oposição ao baldas?

Não será tempo de rever o estatuto remuneratório deste pessoal, indispensável ao bem-estar da população e da qualidade de vida até ao términus inevitável?

Francamente estou cada vez mais farto de ouvir demagogos, populistas, a prometer-nos o céu e dar-nos o inferno. Já não posso ouvir os coveiros do SNS, com suas propostas inexequíveis, armados nos seus mais acérrimos defensores e, aqui incluo o Governo e o partido que o suporta, o Bloco de Esquerda, o PCP, o Livre, o PAN e depois não se olha para o caos que está instalado há anos e que só sobrevive à custa do esforço denodado dos seus trabalhadores.

Ninguém vê que não é admissível que Hospitais não possam aceitar doentes urgentes por doença ou acidente e fechem urgências de diferentes especialidades? Como é que um doente com um AVC ou um ataque cardíaco não pode ser atendido na Urgência de Leiria e tenha de ir para Coimbra, ou do Seixal tenha de ir para Lisboa porque o Garcia de Orta não tem médicos especialistas nas urgências?

E se desviamos o olhar para a periferia o problema é muito mais grave e muito mais agudo. O que acontece no Hospital da Guarda que, tantas vezes, tem de mandar doentes, que já se deslocaram de Almeida ou Pinhel, para o Hospital de Viseu. Se descermos no mapa do país podemos ir até ao Algarve e assistirmos a deslocação de doentes para Lisboa, porque Faro e Portimão não têm resposta para casos de gravidade extrema.

E perante este verdadeiro cenário de terror a ministra da saúde não bate com a porta quando o ministro das finanças não lhe dá os recursos mínimos para que estas situações não acontecessem?

E o primeiro-ministro não tem vergonha de vir papaguear para as câmaras de televisão com atoardas de aumentos de 20% nos salários nos próximos quatro anos e na semana de trabalho de quatro dias?

Francamente, um país assim, não passa de uma caricatura se comparado com países, verdadeiramente, evoluídos.

Na véspera do Dia de Portugal gostaria de escrever algo de mais positivo, de mais motivador, mas a realidade sobrepõe-se aos desejos.

9/06/2022

Zé Rainho