sábado, 25 de abril de 2026

COISAS DA VIDA!

 Coisas da vida!

As coisas da vida, pelo menos para mim, não se reduzem a preto e branco, nem nunca se ficaram por aí. Gosto de matizes, de arco-íris rompendo as nuvens.
Os acontecimentos seguem o mesmo pragmatismo. Gosto de os ver coloridos, nem que seja para lhes descobrir o contraste.
Hoje celebra-se um Dia que, como é óbvio, é repleto de cores. Para uns o vermelho dos cravos muitas vezes numa mistura indelével com o vermelho da bandeira da foice e do martelo importada da União Soviética. Para outros o Rosa de um socialismo nem carne nem peixe, onde cabem todos e onde ninguém se sente, verdadeiramente integrado e representado. Para outros um laranja cada vez mais desmaiado, por querer ter um pé nas duas margens do rio que conduz ao Poder. Não é de esquerda, nem de direita, antes pelo contrário. O amarelo de uma Democracia Cristã, sempre muito minoritária, cuja postura lhe permite estar de bem com Deus e com o diabo e lá vai, num jogo de cintura complexo, equilibrando-se e matizando ora o rosa, ora o laranja. Não ganha tudo mas apara umas migalhas que caem do prato profundo que é o Orçamento.
Há outras cores que, não merecem referência, pela insignificância da luz que transmitem.
Tudo isto para falar do 25 de Abril de 1974. Teve coisas boas, menos boas e muito, muito más.
Não nos detendo em muitas delas porque a História se encarregará de as escalpelizar, importa reflectir sobre aquilo que consideramos mais importante recordarmos hoje, quarenta anos depois. Reparem que é um número redondo, o que não é despiciendo, para este tipo de análise. Quarenta anos é, simultaneamente, muito e pouco tempo. É muito tempo para quem sofre com o poder instalado, cheio de vícios, de desperdícios, mordomias de uns, poucos, e a desgraça, a dor e o sofrimento de muitos que acreditaram que o 25 de Abril era para todos e não só para alguns.
É pouco tempo para se fazerem todas as mudanças que são necessárias à transformação de uma sociedade, anquilosada durante outras tantas décadas.
Celebramos hoje a restauração da Democracia no 25 de Abril de 1974. Para muitos esta afirmação faz pouco sentido, porque pensam que o País viveu sempre em ditadura, é um erro.
Democracia, vocábulo que deriva do Grego, que significa, grosso modo, o governo do povo. Ora o que nós temos assistido nestes quarenta anos é que o povo nunca governou, senão tê-lo-ia feito em seu proveito mas foram uns privilegiados burgueses que se auto-intitularam representantes do povo e têm-se governado a si e aos seus apaniguados esquecendo-se do povo e da soberania que lhe pertence por direito e por justiça, num regime democrático.
Os militares que, com um Golpe de Estado Corporativo, derrubaram o anterior regime político tinham, no seu programa, três objectivos muito concretos. "Democratizar, Descolonizar e Desenvolver". Todos este objectivos ainda hoje estão por concretizar.
Vivemos numa democracia plena? Não. Um País que é considerado o 3º mais corrupto da Europa a que pertencemos e onde não há corruptos encarcerados, não é um País Democrático; Um País onde se privilegia o individual, o privado, em detrimento do colectivo, não é uma Democracia.
Descolonizar. Sim descolonizou-se da forma mais aberrante, não só pelo que aconteceu às pessoas que representavam o poder colonial mas, e principalmente, pelas ditaduras que deixaram instalar nos países descolonizados, com as consequências de miséria, fome, doença, insalubridade, injustiças para a maioria dos povos, incluindo nestes os ex-combatentes contra o poder colonial e promoveu uma oligarquia de ladrões que se tornaram, em muitos casos, colonizadores do anterior País colonial.
Desenvolver nem vale a pena falar. Temos auto-estradas para quê? Para enriquecer mais os mais ricos e desertificar o País. Temos Escolas Públicas que não conseguem concorrer com as privadas porque estas são subsidiadas pelo Estado e pelos pais das crianças e jovens e aquelas apenas são, mal, subsidiadas pelo Estado.
Vale a pena referir mais dois sectores. Destruíram a agricultura nacional, as pescas, a indústria. Não somos auto-suficientes em nada. Logo, não há desenvolvimento.
Apostou-se na prestação de serviços que não produz valor acrescentado, na maior parte das situações, e penalizou-se tudo aquilo que poderia ser uma mais-valia do Povo.
Para culminar e para não maçar, porque muito mais haveria para dizer, entretém-se o mesmo povo com festas, foguetório, fanfarras e comes e bebes à custa do Erário Público, para que este esqueça os problemas com que se debate no dia a dia e não se lembre de que muitos dos sacrifícios porque passa são causados por este tipo de desperdícios e outros similares. No anterior regime dizia-se que "com papas e bolos se enganam os tolos" e apostava-se na trilogia "futebol, fado e Fátima" hoje aposta-se nas papazanas para manter o povo na ignorância de que, bem no fim das contas, é ele que paga aquilo que julga comer de borla.
Tenho pena que seja assim. Mas com esta visão das coisas que ou são pretas ou são brancas, ou são por nós ou contra nós, não iremos longe e não conseguiremos assistir a um País verdadeiramente Democrático, verdadeiramente Desenvolvido e quanto à descolonização corremos o risco inverso. Hoje, dia 25 de Abril de 2014 estamos sob resgate de credores usurários que não nos deixam respirar a nós e, com certeza, não deixarão nascer novos portugueses de raça.
Zé Rainho

Sem comentários:

Enviar um comentário