segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Novo Ano

Imagem tirada daqui


No final do caminho, encruzilhada,
Há sempre mais que um sentido, uma opção.
Caminhos a seguir, sugestão,
Que pode ser, ou não, uma trapalhada.

Decidir é saber e ter coragem.
Aquele que se deixa ir pela aragem,
Pela moda ou apenas, omissão,
Corre o risco de ir contra a muralha.

P'ra direita, esquerda ou em frente,
Depende de quem é e da circunstância.
Mas, caminhar é preciso e é urgente,

Porque parar é morrer, pungentemente.
Só viver importa e é substância,
Novo Ano, para todos, é Esperança.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Natal (Aniversário)!

Para ateus, agnósticos e crentes é um facto, historicamente, incontestável que, em Belém de Judá, na Judeia, nasceu um menino a quem foi posto o nome de Jesus Cristo.
Já quanto ao dia do nascimento - 25 de Dezembro - há dúvidas sustentadas de que seja verdadeiro. Porém as convenções - e as convenções servem precisamente para isso, para dar corpo a determinado tipo de conceitos não evidentes - na circunstância, as convenções Cristãs, entenderam aproveitar as festas pagãs do Solstício de Inverno, para celebrar o nascimento do Menino Jesus no dia 25 de Dezembro de cada ano. E isso acontece em todo o Mundo Cristão, Católico, independentemente, da latitude ou longitude, desde que haja um seguidor de Cristo ou, pelos menos, alguém que professe a sua Fé nesta Personalidade histórica, para todos, e um Deus Filho, para os Cristãos Católicos.
Porém, esta efeméride, tem-se transformado numa festa, cada vez mais parecida com a festa pagã de outros tempos. Trocam-se prendas. Bebe-se, quase sempre, demasiado. Gasta-se exageradamente. Penduram-se em tudo quanto é sítio o Pai Natal - em regra, construído na China, por trabalhadores (muitas crianças) em regime de trabalho, quase, escravo - misturando as coisas, as datas e os factos. E assim fica comprometido o verdadeiro aniversário do nascimento de Jesus. Pior, faz-se uma festa em honra do aniversariante, onde participam muitas pessoas e fica sempre de fora a principal personagem, o próprio Jesus. Normalmente é esquecido este Jesus, na noite e dia de Natal.
Dir-me-ão que a tradição já não é o que era. Talvez seja isso. Mas de uma coisa tenho a certeza se, cada um de nós, recebesse de braços abertos o referido aniversariante e seguíssemos os seus ensinamentos, dia-a-dia, porventura não assistiríamos a tantos atropelos sociais, a tantas desigualdades, a tanta miséria e tanta fome, paredes meias com fortunas escandalosas, diria mesmo afrontosas, um pouco por todo o País e pelo Mundo.
Porque quero acreditar num Natal verdadeiro, autêntico, com Missa do Galo, onde faço tenção de participar, com uma passagem pelo Madeiro Beirão, que é suposto aquecer o Menino Deus. Reunir-me-ei com a minha família alargada: pais, filhos, cunhados, sobrinhos e até sobrinhos-netos, pondo a conversa em dia e com umas canções natalícias, acompanhadas à viola e com um solo de realejo, comendo as couves tronchas com o bacalhau cozido, regadas com azeite puro, fruto dos nossos próprios olivais, onde não faltará o bom vinho, a acompanhar.
Por tudo isto quero partilhar, aqui e agora, com todos os meus amigos, esta data festiva desejando que, efectivamente, todos possam passar um Natal muito, muito Feliz.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Incógnita!

Parece impossível, mas é verdade. Este Povo, que eu amo, não deixa de me surpreender, pelas melhores e piores razões. As melhores estão relacionadas com a solidariedade notória. As piores, são o espírito vigarista de alguns, que a todos mancham.
Vejamos: - Li ontem no SOL, que há gente que vai ao comércio comprar artigos, que paga com cartão de crédito. No dia seguinte regressa ao local da compra e devolve o artigo comprado, alegando que não serve para o que pretendia. Não escolhe mais nenhum artigo e o comerciante, coitado dele, reembolsa em dinheiro vivo, o cliente. Este, com o dinheiro no bolso faz dele o que entende e, já se vê, passa um mês com dinheiro sem pagar um tostão de juros.
Imaginativo! Criativo! Inovador!
Maravilha, e se estes "espertos" pusessem os neurónios a trabalhar em prol do desenvolvimento, da criação de riqueza, da distribuição, equitativa, da mesma? 
Será que somos, apenas, um povo de vigaristas?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Barragem da Meimoa


A nossa barragem é um lago de água de média dimensão que potencia os recursos de toda a Beira Interior. É um local aprazível ainda que pouco rentabilizado. Serve, quase só, para o abastecimento de água potável às populações, de todo o concelho e ainda se prolonga pelos arrabaldes do concelho, nosso vizinho, Fundão. Serve, também, para o, pomposamente designado, regadio da Cova da Beira. Poder-se-á dizer que já não é pouco e, é verdade.
Mas será que não poderia servir para mais alguma coisa?
Referimos atrás o regadio da Cova da Beira e aqui começa a frustração. Era suposto que em terras de minifúndio se fizesse um emparcelamento que pudesse por a render o pontecial agrícola desta região. Acontece que chegaram aqui técnicos - engenheiros técnicos agrários e outros - acabados de sair das respectivas escolas de formação e hoje, estão reformados ou à beira da reforma, e de emparcelamento nem sequer 5% foi efectuado. Pior, destes 5%, a esmagadora maioria, mesmo emparcelado, não está legalizado. A maior parte dos donos dos terrenos já faleceram e os seus herdeiros não podem legalizar a sua parcela. Irónico não? Seria, se não fosse trágico. Ninguém, que não conheça esta realidade, consegue perceber o alcance e a dificuldade desta tragédia.
Mas não vamos falar mais desta "portuguesinha" forma de trabalhar e olhar para a (res)pública e para os dinheiros públicos, e a forma desregrada como se delapida o património, económico, nacional.
Falemos do potencial turístico. Pela imagem acima não vos parece que seria possível um aproveitamento turístico, rural, com qualidade, e que pudesse ser alternativo ao super povoado litoral de praias, abarrotadas de gente? Não seria mais tranquilizante e repousante, não ter de passar duas horas, para cada lado, da residência para a praia, num trânsito infernal e extremamente stressante?
Se calhar até seria possível. Com pequenos investimentos, dinamizar este potencial que a Natureza nos dotou. Mas os "sábios" poderosos e endinheirados, acham que o Interior, não é necessário para a economia e o desenvolvimento, harmonioso, deste País. Eles lá saberão porquê.
Par mim tenho, que os vindouros, nos hão-de culpar a todos, por este desleixo e esta incapacidade.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A Neve, beleza e consequência.

Imagem tirada da NET

Voltando à meninice,
às primeiras letras, conhecimento,
não se olvida do pensamento,
o poema sobre a neve
do poeta da moral da criancice.

Bate leve, levemente,
está na lembrança de toda a gente.
O que referia a história.
Faz bater o coração,
lembrando a privação,
 de tantas crianças de então.

Hoje leva-se as crianças à neve,
para se divertir,
correr, saltar, sorrir.
Em tempos pouco distantes,
a neve era fria, cruel,
p'ra pés descalços e nus,
de meninos que não brincavam,
mas todos os dias trabalhavam.

Crianças que, como homens,
iam à luta semear,
o que aspiravam colher,
quando tivessem idade.
Era tal a necessidade,
Não deixava tempo p'ra admirar,
a beleza ímpar,
de um nevão espectacular.

Mas a neve é uma bênção,
p'ra a terra e a lavoura,
a brancura é mais do que isso,
é água que, qual enguiço,
se infiltra no seio da terra,
dá às pragas sumiço,
aumentando a produção.

Fica contente o lavrador,
 adivinhar que o seu labor,
há-de dar frutos sem fim.
Beleza na Primavera,
com flores brancas e cores,
que serão os seus amores,
e recursos indispensáveis,
à vida que a gente gera.

Apesar das circunstâncias,
a neve tem semelhanças
antigas e agora.
Só muda a forma d'encarar,
de sofrer ou de brincar,
mas de beleza p'ra amar.

Estamos em tempo de frio,
quase chega o Natal,
a neve, qual postal,
que a todos impressiona,
mas inclemente,
p'ra pessoa sofredora.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Pontos de Vista...

Todas as situações contém, em si, várias interpretações. As diferentes verdades. Sim, porque não há uma única verdade. Não há, mas devia haver, permitam-me a ousadia. Os antónimos são isso mesmo: verdade/mentira; bonito/feio; bom/mau; magro/gordo, honesto/desonesto, etc.,etc.
Quem for isento, de espírito livre e bem formado, sob o ponto de vista ético e moral, só pode ver estes conceitos da forma que se aproxime do modelo social, padrão. O mesmo é dizer, pela visão maioritária. Por muito controversa que seja esta afirmação é, para mim, um dado adquirido que, em Democracia, a maioria vence, mesmo que não lhe assista razão. Isto é uma questão de princípio. A não ser assim, sobreleva a anarquia e o caos. E por muito que se queira fazer parte dos contestários deste princípio, qualquer cidadão consciente, sabe que não pode ir por aí. Ainda que se respeite a opinião individual, esta não se pode sobrepor à colectiva. É uma linha de pensamento como outra qualquer e vale o que vale.
Vem isto a propósito do corte dos salários na função pública - sabem do que falo, não preciso esmiuçar - e a atitude de um tal senhor César que se julga dono de uma parte do País, da Nação.
Para mim esta atitude é inaceitável e nenhum argumento, por mais erudito ou ardiloso que se apresente, cai pela base. E porquê? Simples.
Sou, por princípio e formação, contra qualquer discriminação. Não aceito, por consequência, o corte dos salários da função pública, sejam eles de 1501€ ou de 5000€, mensais. Não que deixe de achar escandalosos alguns valores de salários e outras mordomias. Não que não ache criminoso o leque escandaloso de salários existentes e a "decalage" entre os que menos ganham e os que mais recebem. Não que aceite que haja aumentos percentuais. Nunca considerei essa política uma forma justa de actualização salarial. É óbvio que um trabalhador que ganha cem, se for aumentado 10%, recebe dez. Pelo contrário se outro trabalhador ganhar mil e for aumentado os mesmos 10%, recebe cem. Esta será, porventura, a forma mais injusta de atribuição de salários. As consequências, imediatas, são o fosso salarial exponencial, em poucos anos. Mas... há sempre um mas. Qualquer trabalhador estabelece com a sua entidade patronal um contrato que é assumido por ambas as partes, quer sejam justas ou injustas. É a Lei. E,"dura lex sed lex".
Partindo deste raciocínio não consigo compreender onde é que o tal sr. César foi buscar o dinheiro, para pagar suplementos aos trabalhadores, que sejam abrangidos pelos cortes, por determinação de uma Lei da República. Será que o dinheiro nasceu? Caiu do Céu? Geriu bem? Mesmo a última hipótese, não colhe, porque todos nós lhe pagamos para gerir bem os dinheiros públicos. 
Quando a República se farta de enviar milhões para as regiões Autónomas, algumas perguntas se impõem:
Porque não se faz o mesmo para Trás-os-Montes, Minho, Beiras, Alentejo, Estremadura, Algarve. Não farão parte do País, estas regiões?
E como é possível que indivíduos, ditos de esquerda, venham aplaudir a medida de um ditador, que nem aos Órgãos máximos da República obedece?
São estas visões e apreciações distorcidas, de acordo com as conveniências eleitorais, que me repugnam. 
Sejamos claros e verdadeiros, no sentido mais rigoroso do termo. As regiões autónomas fazem parte do País e, se acham que não, então conceda-se-lhes a independência, sem hesitações ou vacilações.
Não me venham com demagogia. O senhor César disse que "mais valia dar um suplemento aos funcionários do que ampliar um campo de futebol". Concordo. Mas também deve dizer isso ao PM de Portugal para, em vez de encomendar estudos de milhões em consultorias, por ajuste directo, construir estradas, que um quilómetro custa, qualquer coisa, como 9,2 milhões de Euros, por ajuste directo, continue a apostar num TGV que não é nem deixa de ser, mas que custa milhões, poupar esse dinheiro e não cortar os salários da função pública.
É que o dinheiro, seja ele qual for, vem sempre do mesmo sítio: o bolso dos contribuintes.
Goste-se ou não da minha opinião, sobre este assunto só posso dizer: o sr. César é um populista, demagogo, comprador de votos, um político sem ética, sem valores e sem princípios. Mete-me nojo a sua atitude. Causa-me náuseas a sua falácia e a dos seus apaniguados como o Louçã, o Alegre, o Lopes e outros menores, que querem fazer de nós uma cambada de patetas.
Oxalá o Tribunal Constitucional reprove tal procedimento e, se não reprovar, ficará, para sempre, refém do poder político e deixará de ser um Tribunal, passará a ser um grupelho sem credibilidade.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Estou triste

A lei da vida cumpre-se sem que possamos fazer o que quer que seja. Hoje recebi uma notícia dolorosa. Morreu o meu amigo Zeca Romão.
Eu sei que ele estava a sofrer imenso e isso ameniza a minha dor. Mas vi-o nascer. Convivi com ele desde adolescente e ele ainda uma criança. Mas 59 anos ainda são poucos para terminar uma vida.
Não sei o que dizer. Só posso afirmar que sinto uma dor interior. Uma tristeza profunda. Perdi um amigo e tenho a sensação que perdi um pedaço de mim.
Paz à sua Alma.
Condolências, em primeiro lugar ao filho e à mulher e, depois, aos irmãos cunhados, sobrinhos e primos, porque eram, todos, muito unidos.
Quanto a mim fico-me pela profunda tristeza.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Padroeira de Portugal

De crise em crise vai, andando, Portugal.
Nação valente e imortal, muitos séculos de História.
Com conquistas, derrotas e vitórias.
Uniões de conveniência,
Para a sobrevivência da Coroa e do Reino.
Através da sucessão do primogénito varão.

Da Europa a mais antiga, Nação
Vivia obstinada, com as regras da sucessão.
A morte prematura do desejado, D. Sebastião,
Teve de ser seu substituto, o velho tio, Cardeal,
Ainda que normal, não seria a solução.
Numa hierarquia definida, qual pirâmide invertida.

O Clero, Nobreza e o Povo.
Um a abençoar, outro a mandar o último a aceitar.
Por razões invariáveis e ainda insondáveis,
Chega sempre, um dia que, obedecer
Se torna insuportável e faz aparecer,
Raivas incontroláveis.

Quando um Filipe Castelhano,
Veio a assumir como soberano,
O reino de Portugal.
Foi assim por sessenta anos,
Com esperança e desenganos,
Até que o povo se fartou.

De ver o que já se adivinhava,
E tinha de acontecer,
Enriquecia Castela,
Portugal a empobrecer.
O País deixou de o ser,
E, a governação de Castela, aliada.

Na tarefa obstinada, de uma só penada,
Explorar, vender, património e o Ultramar.
Até ao pobre Povo, sofredor, subjugar.
Ninguém aguenta por muito tempo,
Tanto e tão grande sofrimento e daí o desalento,
Que leva ao levantamento e as armas usar.

Em vésperas de Natal, lá vão os vendidos,
Como se fossem validos,
Para a Corte vencedora,
Com mordomias recebidos.
Na regência e no comando foi ficando,
A duquesa de Mântua e seu protegido.

Foi então que quarenta patriotas, fartos dos agiotas,
Resolveram de uma vez, acabar com a altivez,
De quem se julga dono e senhor,
Doutro povo que, com fervor,
Não aceitava a aleivosia, e menos a teimosia,
De quem a desfaçatez, raiava  a heresia.

O palácio assumiram, prendendo a duquesa,
Matando, o déspota, valido.
E na varanda proclamaram, no dia um de Dezembro,
De mil seiscentos e quarenta,
De novo a Independência, desse Portugal sofrido.

Tiveram de convencer um Nobre indeciso,
Seu nome D. João, descendente dos Braganças,
P'ra assumir a liderança, da Nação que se erguia,
Sobre a ruínas construía, dignidade e esperança,
De voltar a ser quem era, mesmo na sua inconstância.

O novo Rei democrata, resolve naquela data,
Pedir aos súbditos opinião, sobre os desígnios da Nação,
Perguntando coisas simples: Se queriam ser portugueses,
E à Senhora da Conceição adorada,
Prestar desde ai a vassalagem,
À mãe de Jesus, Deus, que em Vila Viçosa, morava.

E em mil seiscentos e quarenta e seis
Obedecendo aos resultados,
Do plesbicito efectuado,
Ali foi depositar a sua coroa real.
E, doravante, em Portugal,
Jamais, rei algum, teve o símbolo usual.
Ficou para sempre, a coroa,
Na cabeça imaculada,
Da Rainha imortal.
Nossa Senhora da Conceição,
De Vila Viçosa "caleada",
Padroeira de Portugal.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Esplendor


O azul que se confunde
Seja da água ou do céu.
Leva-nos à plenitude,
Da beleza natural,
Que só a sensibilidade,
De um olhar sereno,
Consegue achar normal.
Este olhar, ainda que belo,
Remete-nos p'ra pequenez
Do humano Ser,
Perante a grandeza
Do mar imenso,
Do Céu pleno de incenso.

Cores várias,
Arco-Íris incendiado,
No negrume das nuvens,
De gotícolas de água,
Em Céu carregado,
Que se transforma em chuva,
Que rega os campos,
Floresce a Primavera,
De um coração atribulado.

Depende do ângulo de visão
E dos olhos de quem vê.
Pode ser de mansidão
Ou, quem sabe?
De olhares perdidos,
P'ra lá do horizonte,
Sem esperança e com revolta,
P'la triste vida, que de fronte,
Lhe aparece pela frente.

É, talvez, pela injustiça
Que sente no coração.
P'la vaidade, luxo, devassidão,
Paredes meias co'a pobreza,
A fome, a miséria, a falta de pão.

Só olhos limpos e claros,
Livres de todos os apegos,
Poderão sentir prazer,
Neste olhar de mar e céu,
Onde consegue vislumbrar
Obra magnífica de Deus.

Quem assim consegue olhar,
Ver, apreciar, beleza, enfim.
Talvez possa dar ao Mundo,
A ideia de que é possível
Viver em harmonia,
Criador e criaturas,
Natureza e seus elementos,
Floresta, arbustos e capim.


sábado, 4 de dezembro de 2010

Dia Fatídico

Faz hoje 30 anos que, de forma macabra, desapareceu Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa e outros companheiros, num Cesna bi-motor, que se despenhou, sem razão aparente, numa rua do Bairro de Camarate, arredores do Aeroporto da Portela, Lisboa.
Fizeram-se juras de que se apuraria toda a verdade. Se fora acidente ou atentado. À boa maneira portuguesa, este é um segredo que nem a História poderá desvendar.
Lembro-me como se fosse hoje. Viviam-se, à altura, dias conturbados, sob o ponto de vista social e político. A Democracia era criança com pouco mais de 5 anos. As emoções estavam, sempre, ao rubro e discutia-se política como se fosse o futebol do Estado Novo. A revolução de Abril - é melhor chamar-lhe Golpe de Estado. A revolução pressupõe outros requisitos - ainda se viviam dias de euforia e de confrontos, mais ou menos, acirrados por todas as partes em confronto. Por um lado, os Partidos Políticos, por outro as Forças Armadas, que ainda não estavam remetidas ao seu reduto natural, o quartel, com os simpatizantes de uns e de outros a tecerem armas (palavras) pelos que apoiavam.
A música, a literatura, as artes o espectáculo estavam no seu apogeu e, cada qual procurava afirmar-se, numa sociedade que se queria democrática, mas que desconhecia o sentido e o valor da Democracia. Um povo com índices de analfabetismo a rondarem os 30%, pouco poderia ajudar a consolidar um regime que desconheciam na sua totalidade.
Havia, por outro lado, uns grupos extremistas de extrema-esquerda e de extrema-direita que, pela via mais violenta, ia fazendo umas vítimas, por esse País fora.
Sá Carneiro  era um homem de roturas e conseguia congregar, com igual intensidade, amores e ódios. Apesar de uma doença que o retirou da ribalta, durante mais de um ano, para receber tratamento em Londres, regressou com forças e vontade de romper com interesses instalados. Consegue mesmo uma debandada de muitos notáveis do seu Partido. Mas nem isso fez com que a sua determinação o deixasse de ganhar as eleições legislativas com a Coligação Partidária AD, composta pelo PPD; CDS e PPM.
Estava, na altura, uma grande disputa para as presidenciais entre Eanes e Soares Carneiro. Eanes que fora eleito contra a Esquerda no primeiro mandato, foi depois apoiado por esta no segundo. Eram apenas visões de um povo pouco politizado.
À época todas as posições eram vividas com paixão. O então Primeiro Ministro e o Ministro da Defesa faziam parte de uma plêiade de políticos de alto gabarito e que viviam a política com sentido de serviço público e nunca servir-se do que era público para o partidário ou para o amiguismo.
Passados 30 anos fica a interrogação: - Como seria o Portugal de Hoje se não tivesse havido este dia fatídico de 4 de Dezembro de 1980? Respostas não há. Seria certamente diferente. Para melhor, para pior, só Deus o saberá.

O Altar

Altar da Sé do Porto


O Altar,
Símbolo de imolação e sofrimento,
De oração e de lamento,
De muito pedido, pouco agradecimento,
Lugar de repouso e de tormento.

Num mar, ora revolto ora chão,
Em ondas de chamamento,
Onde repousa o olhar,
E se espraia o sentimento.

Na cidade de correria, multidão,
Com pressa a correr ao empurrão,
Desconhecendo o destino
Ou o caminho, que nos leve à Estação.

E para quê tudo isso, se um dia,
Sem conhecer a hora ou o momento,
Se vai de nós todo o alento,
Ficando apenas pó e melancolia.

É nestes instantes de dor,
Que nos lembramos do Senhor,
Que nasceu p'ra nos Salvar,
Em tempo de Advento.

Fora a vida vivida em rectidão,
De apoio e respeito ao irmão.
Talvez o dia do chamamento
Fosse de menos tristeza e lamento.

 A consciência do dever cumprido,
Que o nascer teve sentido.
E nos fez Homens de verdade
Sem medo da Eternidade.
  






quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Os Conjurados

Ontem, dia 1 de Dezembro, não foi possível escrever, sabe-se lá porquê? Tinha vontade. Mais, senti necessidade, mas não consegui. Falta de inspiração, preocupações domésticas, ou sei lá o quê. De facto aconteceu. Não escrevi nada. No entanto, era importante. Comemorou-se um dia determinante para a Pátria portuguesa. Eu disse Pátria, não disse País. Cá tenho as minhas razões, que não são, por agora, para escalpelizar.
Vamos lá ao título da "crónica". Em 1 de Dezembro de 1640, o Povo liderado pelos Conjurados, tomou nas próprias mãos o seu destino. A incerteza, a aventura, foram mais fortes que os medos que durante sessenta anos sofreram e, tudo o que viesse a seguir, seria sempre preferível à falta de liberdade e à prepotência dos estrangeiros (Os Filipes de Espanha).
Quem acompanha, com algum discernimento, a crise que se viveu à época, conclui com facilidade, como os Governantes delapidavam, constante e sistematicamente, o património Nacional e destruíam, a pouco e pouco, a Pátria Portuguesa. E cá estou outra vez a falar de Pátria e não de País. Outro dia, vou dizer a todos os meus amigo(a)s qual a diferença que existe entre Pátria e País. Hoje falamos, apenas de Pátria.
A saudosa Natália Correia, poetisa e escritora de alto gabarito, até lhe chamava Mátria, dando-lhe um sentido feminino e maternal, próprio de quem apreciava a sensibilidade e o amor a uma Terra, a uma Nação.
Nos dias que vivemos precisávamos de outros conjurados, para derrubar um regime podre, um País de inaptos, de delapidadores do património comum, de insensatos, de incompetentes, de oportunistas e de abusadores, inqualificáveis,  da (res)pública.
Necessitamos, como pão para a boca, de  uma mudança total e absoluta. De, em linguagem corrente, uma nova revolução, antes que surja a revolta, o caos, a anarquia. A fome não é boa conselheira e o que está a acontecer à nossa sociedade é que, cada vez mais, há fome no País. Crianças que só comem refeições, quentes, na escola. Pais desempregados e com encargos que não podem cumprir. Desespero de vidas que já o foram e, de repente, deixaram de o ser.
Ninguém atento, poderá ser insensível a estes aspectos, que minam qualquer regime. Que trazem para as consciências inquietações adormecidas.
Ninguém de bom senso pode aceitar que o Partido do Governo e os outros Partidos da área governativa, chumbem uma proposta do PCP, na Assembleia da República, que faria arrecadar, em impostos, alguns milhões de Euros, pagos por especuladores endinheirados, com vidas faustosas. Ao contrário não tiveram pejo em aceitar cortes em salários dos funcionários públicos, congelamento de pensões de, mais ou menos, trezentos Euros mensais, de retirar abonos de família, de sacrifícios a todos os portugueses, com o aumento de IVA, e outros. 
Já viram como são imprescindíveis conjurados para mudar toda esta porcaria que emporcalha e destrói uma Pátria?
Vamos continuar a apreciar e a criticar o que vivemos. Hoje ficamos por aqui. 

terça-feira, 30 de novembro de 2010

"Sê a mudança que queres ver no Mundo"

O título desta mensagem "roubei-o" - roubar é feio - pedi-o emprestado, à minha amiga E.A. num comentário que deixou neste espaço, para poder reflectir sobre a profundidade que encerra.
Nós, os portugueses, somos, em regra, pessimistas, tristonhos, queixinhas, saudosistas, sebastianistas e outros epítetos que nos empurra para o "fado da desgraçadinha". Não sei se os outros povos são assim. Para o caso pouco importa. Interessa-nos pensar em nós, mesmo que pareça egoísmo.
Não sei se se dão conta de que quando alguém, amigo ou apenas conhecido, nos encontra e pergunta: - como estás? Ou como vais? A resposta é quase sempre: - cá vamos andando. Às vezes acrescenta-se, como Deus quer.
E a vida corre bem? A resposta habitual: - vai andando. Assim, assim. E que pensas fazer? Ah!, é complicado. Não sei bem. Tenho dúvidas. Talvez faça isto, ou aquilo.
Está aqui o retrato, sucinto, do português comum. É uma personagem do assim, assim; do talvez; do mais ou menos. Raramente se vê alguém positivo, convicto, realista e, ao mesmo tempo, optimista, construtivo. É sempre um "tento não caias". Medroso. A tentar viver o amanhã, sem desfrutar o hoje. Ou, o que também é vulgar, a viver o ontem, o que já passou, para não enfrentar as situações que se lhe deparam.
Já li em vários relatórios científicos, que nos indicam como um dos povos que mais anti-depressivos consomem, per capita.
Tudo isto me leva a pensar que algo de errado se passa no "reino português". Sim, porque se nos lembrarmos que fomos capazes de dar ao Mundo novos mundos, com pouca ciência e muita valentia, com pouco dinheiro, mas muita audácia, porque nos tornamos nesta espécie de cortejo fúnebre onde nem as carpideiras faltam, para tornar mais pesado o féretro?
Acho que é preciso mudar de atitude. Eu por mim já decidi. Quando me perguntam, como vais? Respondo convicto: - Estou bem. Estou vivo.
Cada um de nós tem de fazer a sua parte. E digo-vos que vale a pena. Tenhamos uma atitude positiva. Não esperemos por ninguém que venha resolver os nossos problemas. Sejamos forcados e vamos para os cornos do touro, sem medo e com determinação. (Há, não levem à letra esta coisa dos forcados, eu até não gosto de touradas).
Sejamos, como diz a E.A. do didascália: "a mudança que queremos ver no mundo".

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Povo infeliz...



Em atitude pensativa...



Se tudo fora como se esperava,
Não seria nada assim,
Haveria ética, seriedade, competência;
Trabalho, dedicação e experiência,
Resultados, benefícios p'ra sobrevivência,
De todo um povo em decadência.

Mas que querem os mandões
Deste País, desgraçado?
Porque, cada vez mais, se sente,
Mais desprotegido e mais gente,
Com necessidades básicas permanentes,
Postas em causa, aos trambulhões.

Enquanto o Povo não perceber,
Que é preciso intervir
Dia-a-dia e sempre,
Para dar a conhecer,
O seu descontentamento.
Mostrar que o que é de todos,
A todos há-de servir.
O que é público é comunitário
E não apenas partidário.

Haja vergonha na cara,
Decência nos procedimentos
Para que todos aceitem, melhor,
Toda a espécie de sofrimentos.

Se a política se tornar,
Forma de vida decente,
Talvez os Homens de bem
Arrisquem participar,
No trabalho mais premente.



domingo, 28 de novembro de 2010

A tradição já não é o que era!!!???

O canto, ao canto da lareira na aldeia, era coisa habitual. Nesta época, em dias de frio e, com Advento à porta, lá se cantava: Oh! Meu Menino Jesus/ Oh! Meu Menino tão belo/ Logo vieste a nascer/ Na noite do caramelo...
Contavam-se histórias e estórias, em tempos de antanho, sempre com um fundo de ética e moral. Os avós, pais e netos, quando não se juntavam tios, sobrinhos e até vizinhos, numa roda familiar de grande tamanho, participavam, ora cantando, ora ouvindo, em silêncio memorizando, saberes e conhecimentos, que se relacionavam com a vida, em família, e em comunidade.
Hoje, só raramente, se sente que esta tradição ainda vive. A família, alargada, deixou de existir. Até a nuclear se encontra dispersa, em função da empregabilidade, ou da falta dela. Mas que era bonito era.
A estória da "manta" por demais conhecida, que aqui se reproduz para os mais novos, era uma delas: "conta-se que numa casa de pobreza extrema, um velhinho "inútil" para contribuir para o sustento da casa, viu-se levado, pelo filho, para o cume de uma montanha onde foi deixado, com apenas uma manta, à espera da morte. O filho, ainda que, com o coração dilacerado, deixou o pai e iniciou a descida. Quando se distanciara alguns passos ouviu a voz sumida do pai, dizer-lhe: - Filho vem cá e rasga a manta ao meio. O filho perguntou, por que razão? O pai respondeu: -  é que podes vir a precisar da metade da manta quando o teu filho te vier depositar aqui. O filho ficou sem palavras, mas agiu. Pegou no pai às costas e levou-o de novo para casa".
Com estórias deste tipo procurava-se incutir nos mais novos o sentimento da solidariedade, do dever para com os mais frágeis, da partilha do pouco que havia.
Parece que a geração que nos governa nunca teve a dita de partilhar o canto da lareira, ou então o seu egoísmo sobrepõe-se aos sentimentos. No dia 18/Maio/2010, o Diário da República nº 96, II Série, traz 13 (treze) nomeações de motoristas para o Gabinete do Senhor Primeiro Ministro.
Não sei se são necessários, ou mesmo imprescindíveis, tantos motoristas. Mas em altura de pobreza extrema, em que as diferentes Religiões e demais Organizações não Governamentais, apelam à Sociedade, para serem generosos, já que não têm como dar resposta a tanta solicitação para obtenção de alimentos, não seria um exemplo digno, alguma contenção neste tipo de esbanjamento?
A tradição já não é o que era!!!???

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Alforreca



Queria a gente entender 
As voltas que a vida dá.
Impossível compreender
Só o que em Deus conhecerá.

Num viver tão azedo,
Agitado, competitivo.
Como pode o verdadeiro
Irmanar-se com o inimigo.

Não será pedir de mais,
A quem de si exige tanto?
Que ao inimigo perdoe,
As horas de tanto pranto.

Vamos lá ver se nos entendemos,
Nesta vida atribulada.
Vemos crescer a cambada,
Que à nossa volta medra,
Enquanto que quem trabalha
Vive inerte como a pedra. 

Manhã de Inverno.

Todas as Estações do ano têm a sua beleza, intrínseca. Ainda que, no calendário, estejamos no Outono, no Portugalprofundo é pleno Inverno. Uma geada, daquelas, que até arrepia. Um friozinho que penetra os ossos. Mas o dia está esplendoroso. Sol radiante. Céu azul, sem uma nuvem, a toldar a paisagem.

As pessoas, em geral, ainda que poucas, porque estamos a falar de uma terra de velhos - com carinho, respeito e muito afecto - andam numa roda viva, a colher a azeitona que virá a dar um dos azeites melhores do País e, quiçá, do Mundo. Tudo Extra-Virgem, de uma qualidade insuperável. É um trabalho difícil, como difícil é todo o trabalho do campo. Mas, paradoxo, é, ao mesmo tempo, muito alegre. Os mais velhos relembram, cantando com vozes sumidas e, em geral, desafinadas, as melodias de outros tempos e, que trazem à memória a sua juventude, de força e de despique, para ver quem, ao fim do dia tinha mais "sacas" - assim se fala cá na terra - cheias do precioso fruto.

Os de meia-idade - qualquer que seja a designação que se lhe queira dar - ficam surpresos com as proezas e os sacrifícios que seus maiores passaram, quando tinham a idade que eles agora têm. Alguns, mais descrentes, até julgam que se trata de prosápia. Como estão enganados. É a verdade nua e crua. Porque no tempo dos mais velhos não havia maquinaria, de género nenhum e, muito menos, para a agricultura que, fora sempre, cá por estes lados, de pura sobrevivência, e o parente pobre, deste País paupérrimo.

Isto tudo para dizer que, apesar da manhã ser de Inverno, no silêncio dos campos, entrecortado pelas gargalhadas de alguns e pelo canto de outros, se vive num paraíso de ar puro, saudável e, muito, muito aprazível. Com os contras semelhantes aos demais modos de vida das pessoas que vivem nos Centros Urbanos, mas com as compensações de poder ouvir o chilrear dos passarinhos e admirar os autênticos cachos de azeitona que, devido à quantidade, faz mergulhar os ramos das oliveiras mais carregadas. 

Apesar, dos pesares, viva o autêntico mundo Rural.

domingo, 21 de novembro de 2010

Como é possível!!!???

Hoje, pelas dez horas da manhã, tive conhecimento pelos intervenientes de uma facto deprimente.
Aqui vai, resumidamente.
Uma pessoa trabalhadora e lutadora, mas simples e honesta, candidato às últimas eleições autárquicas na freguesia viu-se a braços com uma inspecção da ASAE num bar que explora, apenas nos três meses do Verão, numa zona de lazer que, venha-se lá a saber porquê, o multou numa quantia, perto dos sete mil euros.
O local é esplendoroso, muito agradável e anima a pacata povoação bastante visitada por forasteiros.
O Bom Homem entendeu por bem, socorrer-se do vice-presidente da Câmara pedindo-lhe ajuda para que lhe fizesse, por escrito, uma exposição para tentar amainar os corações dos responsáveis daquele Organismo Inspectivo. Até por ser desproporcionado e ser, manifestamente, um excesso de zelo que não beneficia a imagem do Organismo.
Resumindo: trata-se de um ser humano com dificuldades argumentativas que se socorre de um outro concidadão, mais habilitado e mais capacitado para o fazer. Até aqui nada de anormal. A mim parece-me até salutar pelas duas partes: o que precisa de auxílio e o que tem capacidade para ajudar, ainda que estando em barricadas diferentes, sobre o ponto de vista político-partidário. Honra os dois.
Enquanto o auxiliador estava a gizar os argumentos recebe um telefonema do Presidente da Câmara. Sobre a razão do telefonema nada se sabe. Apenas se conhece que o Vice-Presidente lhe disse que na altura estava ocupado a ajudar o adversário político. E o que é que acontece: - o mentecapto do Presidente desanca o seu vice-presidente por este estar a ajudar um adversário político, como se este fosse um inimigo.
Ora pensem comigo. Então não seria normal que um Presidente de uma Câmara, após eleito, tratasse todos os seus munícipes de igual forma? Não será ele o Presidente de todos os seus conterrâneos e eleitores? Não é pago com os impostos dos seus amigos mas, igualmente dos seus adversários?
Como se pode ser tão mesquinho? Tão invejoso? Tão crápula? Tão desumano? Tão rancoroso? Tão néscio? Tão vingativo? Tão verme?
Só vejo aqui uma tímida justificação. É um ser mal formado. Lida mal com a Democracia. Não merece desempenhar o lugar de tão alta responsabilidade.
Quero acreditar que os políticos não sejam todos assim. Mas estas ovelhas ranhosas colam à classe política uma imagem do mais puro negativismo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Tristeza

Aperta-se o coração. Choram os olhos. Revolve-se o estômago, quando se conhece alguém de, apenas, 15 anos - uma criança - a lutar pela vida e ela a escoar-se, como grãos de areia, quando se aperta a mão.
Assim interpretei as palavras da amiga Ibel, num dos comentários do seu Blog. E, sem querer - odeio sofrer - coloquei-me no lugar de pai daquela menina e sofri e sofro. Quero acreditar que Deus tudo faz bem feito mas, porque sou Humano, acho injusto e, de novo, sem querer, revolto-me.
Resta-me uma oração pequenina e simples que Jesus Cristo nos ensinou: PAI NOSSO, para que ajude a salvar esta vida, que muito pode ainda dar à vida, própria e dos outros.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Necessidade de Escrever

Tenho necessidade de escrever
E não sei como começar.
Bem ou mal aqui vai o que consegui,
P'ra o papel debitar.



Na penumbra do Sol-pôr
Apodera-se de mim a tristeza
De mais um dia que passou
Sem que eu fosse mais Eu.

Talvez seja das notícias, da crise,
Ou é mesmo natural.
Numa pessoa que descrê,
Da governança actual.

Estou inquieto e preciso de intervir,
De fazer alguma coisa.
Para que mude a nossa vida
Mas, também, todo o porvir.

Não sei se sou capaz
E se tenho imaginação.
Talvez esquecer a razão
E viver da emoção!

Sei que assim não estou bem,
E que preciso de mudar.
Vá-se lá saber por onde,
No meio desta confusão.

Duma coisa estou certo,
Assim não posso viver.
Preciso de fazer qualquer coisa
P’ra poder sobreviver.

Se sinto necessidade
De espevitar o meu Ego.
Só pode ser a saudade
Do que fui e já não sou!

A modorra e a descrença
Nunca construiu nada exigente.
É preciso outra atitude
Minha, tua e de mais gente.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

sábado, 13 de novembro de 2010

Por do Sol


As surpresas da vida, são muitas e inusitadas. Desaparecem jovens na força da vida, continuam(sobre) viver, velhos agonizantes. Aconteceu ontem, pode acontecer hoje ou amnhã, aqui e além.

Será sempre assim:

Mas que é triste é. Para os dois. Para o que se foi e para o que fica. Ainda que o que foi não sinta, deixa saudades, em nós. O que fica, mal sentindo, deixa amargura em todos os que com ele convivem.

Tal como o Sol que nasce timidamente.  Fazendo luz na escuridão. Clareia o dia e traz calor. Segue a elíptica, em esplendor e morre ardentemente, num percurso permanente.

Assim é a vida  que vivemos. Cheia de altos e baixos. Ora tristes ora eufóricos, conforme o nosso interior
e o olhar atento ou distraído sobre o Mundo que temos.

Não vale apenas lamúrias, nem tristeza ou solidão. Vale muito ter esperança, porque uns dias vêm outros vão.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Porquê no te callas???

A novela rocabolesca dos juros da "dívida pública soberana" - palavrão - já viram, não deixam de aumentar desde há cerca de 15 dias a esta parte. Dizem uns que, por razões de mercado. Outros, devido a razões de política interna.
Seja lá por que for e, tendo em conta que o que importa aos portugueses são os resultados, a verdade é que os juros não param de aumentar, diariamente.
Ontem, e pela enésima vez, o Senhor Ministro das Finanças veio botar faladura sobre os resultados de um novo leilão da Dívida, que "correu muito bem" segundo ele.
Esta gente não pode ver um microfone e uma câmara de TV, que não se ajeite para dizer umas coisas, e o Senhor Ministro não escapa à regra. Lá veio ele de novo a falar de responsabilidades e de rigor e capacidade de resolvermos os problemas por nós próprios. Resultado: hoje, logo pela manhã, os juros aumentaram cerca de meio ponto percentual, situando-se nos 7,5%.
Lembram-se que este Senhor disse, salvo erro, na aprovação, na generalidade, do Orçamento de Estado, que caso os juros atingissem 7% era caso para a entrada do FMI (Fundo Monetário Internacional)?
Lembram-se de que cada vez que este Senhor fala sobem os juros? Eu não sei se ele tem ou não razão. Só sei uma coisa: ele abre a boca e nós pagamos o pato.
Por isso faço meu o apelo que o Rei de Espanha fez há uns tempos atrás, dirigindo-se ao Presidente da Venezuela Hugo Chavez, mas neste caso dirigindo-me ao nosso Ministro: "Porquê no te callas?" 

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Agruras de Outono!



















 
Imagem retirada da Net



Lá fora o vento ruge e o mar se enfurece.
Caiem as folhas e o coração estremece,
De um medo inconsciente, que parece
Sentir que é imprescindível, uma prece.

Ao Deus que tudo pode e tudo merece,
Para que acabe com as nuvens e fizesse, 
Voltar o Sol que a todos aquece,
Tanto o corpo como a alma, que padece.

É que neste turbilhão que nos acontece,
Só mesmo um poder Supremo, que decesse
P'ra nos salvar da tempestade que não esmorece,
P'ra torturar o pobre e a criança, que não cresce.

Mas para que tudo não passe de um momento,
De extrema aflição e enorme tormento.
Talvez erguer os olhos p'ra o Céu, em sentimento,

A suplicar a benevolência e temperança do tempo, 
Para que a vida seja mais leve, em pensamento, 
Num grito de esperança, mesmo que, de lamento.


sábado, 6 de novembro de 2010

"Amor e pena"

Peço desculpa pelo atrevimento. Este é o resultado de quem não tem noção nem o saber do que é fazer poesia. É, talvez, a vontade de aprender. Por isso espero os comentários, críticas sinceras e contundentes.



Imagem retirada da NET


AMOR E PENA




Ao correr da pena e do pensamento,

Lá se vai criando uma ideia, um sentimento,

Para transmitir ao Outro, desatento,

Que necessito de atenção e de alimento.



Volto à terra e o sofrimento,

Já não deixa espaço nem lamento,

Que possa calar o desalento,

D'uma alma inquieta, um corpo em tormento.



Se, por uma vez eu quisesse e pudesse,

Cantar, dançar, sem descanso, com alento.

Leve solto, desperto, e por fim tivesse



O resultado da criação de embrião d'um poema,

Sem estética, nem métrica, nem conhecimento,

Apenas um desabafo de amor e de pena.

José Rainho Caldeira

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Aprovação do OE

Não sei se os meus/minhas amigo(a)s estão recordado(a)s de que no passado dia 15 de Outubro escrevi aqui algumas coisas sobre o Orçamento de Estado para 2011? Naquele dia e, naquela hora, ainda não tinha sido apresentado na Assembleia da República, como manda a Lei e como a competência deveria exigir. Foi entregue perto da meia-noite, com falta de relatório o que, na prática, bem se pode dizer, que a Lei não foi cumprida, foi manipulada.
Hoje encerrou-se o debate na generalidade e o O.E. foi aprovado com os votos do PS, a abstenção do PSD e o voto contra das restantes bancadas.
Estejam descansados que não vou falar das trapalhadas, do circo, do deixa passar, chumba, crise política, com demissão do Governo a que temos assistido desde há, pelo menos, dois meses e meio. Isso já toda a gente sabe e, tenho a certeza que, "viram, ouviram  e leram, por isso não podem ignorar", como eu, que O.E. é péssimo, como tinha previsto.
O que talvez importe referir hoje e aqui é, que para além do espectáculo vergonhoso a que temos assistido, em dia de votação final do O.E. deu entrada na Assembleia da República uma "errata" com uma derrapagem de 850 milhões de Euros que acresce aos 500 milhões que resultou da negociata com o PSD. Diz o Senhor Ministro que é uma questão contabilística!? Será? 
Vamos dar de barato que é verdade - o que não é líquido - cabe questionar: O que andaram a fazer os Técnicos, os Assessores, os Directores Gerais, os Secretários de Estado, o próprio Ministro desde Junho passado, altura em que, através dos dados de execução orçamental do presente ano, estavam habilitados a elaborar um novo Orçamento para o ano seguinte. É que, não sei se sabem, os Orçamentos são elaborados sobre os de anos anteriores e nomeadamente, do último ano. Não há muito por onde fugir. Não é preciso inventar a roda. Qualquer TOC (Técnico Oficial de Contas), com um mínimo de conhecimentos e experiência faria isso com uma perna às costas. Até porque um Orçamento de Estado é uma previsão que pode, em qualquer altura, ser rectificado de acordo com a execução trimestre a trimestre.
Dirão que não é assim tão simples! Eu, estou convicto de que simplicissimo. É como um Orçamento da nossa casa. Sabemos quanto ganhamos, planeamos as despesas em função da receita e, caso haja alguma imprevisibilidade, faremos os ajustes que se justifiquem. Isto para dizer o quê? Para dizer que vivemos num País de incompetentes ou talvez não. Mas, se não são a primeira hipótese só há mais uma provável: são vigaristas, trafulhas, aldrabões.
Para terminar quero dizer mais duas coisas do Além! a PT diz que vai distribuir os dividendos sobre os lucros de cerca de 3 mil milhões de Euros, aos accionistas já este ano (2010), antes de encerrar as contas que só se efectuam no início do ano seguinte (2011), depois de apurados os resultados em 31 de Dezembro, como é da Lei e da praxe costumeira para, como é óbvio, permitir a fuga ao Fisco em Milhões de Euros, já que em 2011 estas mais-valias são tributadas as 23%, mais ou menos. E o que diz o Ministro: "Se a PT fizer isso desacredita-se já que permite que os seus accionistas escapem aos sacrifícios dos restantes portugueses". Lembram-se que a PT tem uma "Golden Share" detida pelo accionista Estado e que este nomeia, os Presidentes da Administração (consultivo e executivo) da PT? E que usou essa premissa para congelar a venda da VIVO do Brasil?
Então como é? E, já agora, mais uma coisinha. A EDP, monopolista da distribuição da energia eléctrica, através do seu Administrador (Mexia, o tal do milhão e tal Euros de bónus) vem dizer hoje, que a Empresa teve lucros de 3% nos três primeiros trimestres deste ano. Que proeza? Será que alguém pode escolher outro fornecedor? Será que não aumentou a electricidade na percentagem que quis?
Dá que pensar, não dá? Como diz a minha amiga Ibel: "O meu País agoniza". 

domingo, 31 de outubro de 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Nãooooooooooo.

"Quando mais nenhuma ave cantar no azul do Céu, certamente nos teremos transformado em robots"  (François De La Grange) 
Li, algures esta frase e fez-me pensar: Será que um dia, por acção ou omissão, nos transformaremos em robots? Depois continuei a pensar... cabeça pensa! Será que não deixámos já de ser Mulheres e Homens para sermos, no mínimo, marionetas, cujos cordelinhos são manobrados por outros, mesmo contra a nossa vontade? Será que temos vontade própria?
O que vemos e assistimos leva-nos a crer que a indiferença e a anestesia da vontade, individual e colectiva, nos transformou já em reles robots. Cuidado com as generalizações. Há excepções. Lá isso há. Mas a maioria não se estará nas tintas para tudo o que se passa ao seu redor não se importando de legar aos seus filhos e netos um País pior, em todos os aspectos, do que aquele que recebeu?
Corre na NET uma espécie de apelo ao voto em branco como forma de protesto? Mas será que esta gente pensa?
Neste momento só me ocorre o poema do Alegre, cantado primorosamente pelo Adriano: "pergunto ao vento que passa, notícias do meu País. E vento cala a desgraça, o vento nada me diz... Mas há sempre uma candeia. Em noites de escuridão. Há sempre alguém que resiste. Há sempre alguém que diz não!"
Aqui, modestamente, está uma voz que grita alto e bom som:  Nãooooooooooooooooo.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Viva o Ministério da Caça!!!???

"Quem não tem que fazer, faz bonecos." Este é um ditado popular cá do meu burgo. Ora, eu tenho muito que fazer, mas não me apetece. Birra de velho.
Tenho azeitona para colher mas, feitas as contas, para a apanhar tenho que por "linhas do bolso" e, já se vê, não estou disposto. Fica para os passarinhos, que também precisam, e assim se cumpre uma das profecias da Sagrada Escritura: "olhai as aves do céu que não semeiam, mas nem por isso lhes falta o alimento - não é ipsis verbis - mas é a ideia". 
Neste compasso, decidi que deveria pesquisar o que faz o Ministério da Agricultura para que possa haver produção em Portugal e assim, tornar menos dependente do Exterior a nossa população e, vai daí, escrevi "DRE" no motor de busca e apareceu-me o Diário da República Electrónico. Então comecei a pesquisa e fui vendo o que andava a fazer o Ministério da Agricultura e Pescas. Comecei por ver tanta referência a zonas de caça, que resolvi fazer uma tabela com quatro colunas, para colocar na primeira o nº do D. R., na circunstância foi o 173/2010, na segunda a data, no caso o dia 6/09/2010, na terceira o diploma legislativo, agora foi a Portaria nº 843 de 2010 e na última uma síntese do Diploma que, era mais ou menos isto: "Renova a concessão da zona de caça de Almeirim".
Fui pesquisando e quando dou por mim estava no D.R. 206 de 22/10/2010  e a Portaria 1099 e, ao fim e ao resto conclui, não sei se certo ou errado que, afinal, não necessitamos de um Ministério da Agricultura e  Pescas mas sim, de um Ministério da Caça. É que, nos 167 Diplomas contidos nesta série de Diários da República apenas vi  as referências: "alteração ao montante do crédito às explorações; um reconhecimento de denominação de origem de vinhos verdes; a aplicação das energias renováveis à frota de pesca; a isenção da taxa de audiovisual para as explorações agrícolas; regulamento da pesca da pescada e do tipo de armadilha para a pesca, em geral e, por fim, o regulamento dos destiladores".
Se interpretei bem, dos tais 167 Diplomas, apenas 9, foge ao âmbito da caça, todos os demais dizem respeito a esta.
Nuns casos concessiona, noutros renova a concessão, noutros exclui terrenos, noutros anexa terrenos, sempre e mais, a zonas de caça. Umas particulares, outras associativas; umas por 6 anos; outras por doze anos, etc. etc. etc.
Se fui capaz de descodificar esta obra-prima da capacidade legislativa. Se entendi bem, numa altura em que, ainda, não estão contabilizados os milhares de hectares de floresta ardidos neste Verão, nem os prejuízos por intempéries, fora de época, que destruiu vinhedos, produtos hortícolas e frutículas, e não há uma leve referência a estes aspectos que, em minha modesta opinião, fazem parte da riqueza nacional, então para que é que precisamos de um Ministério da Agricultura. Não seria melhor termos uma Direcção-geral da caça  e, assim, pouparmos, pelo menos, num Ministro, dois Secretários de Estado, uma caterva de assessores, motoristas, viaturas, telefones, fixos e móveis, rendas de instalações, etc.? 
Olhem, pelo sim pelo não, viva o ministério da caça!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Alegoria!!!???

Depois de tantas notícias sobre a crise. O Orçamento do Estado. Aprova/chumba. Reduz aqui, poupa ali. Sofre isto e mais aquilo. confesso que estou a ficar enjoado de tantas notícias, ainda por cima, desencontradas. Todo o bicho careta opina e, consequentemente, aparece pressuroso o Jornalista que quer, legítima e profissionalmente, dar a notícia em primeira mão.
Eis que ontem, a meio de um telejornal de uma qualquer televisão, nem sei bem qual, enquanto lia um livro no qual estava mais interessado, "mas sempre com um olho no burro e outro no cigano", e o que é que ouço? "os portugueses, por causa da crise, poupam até no sexo". Olhei com mais atenção e aparece uma Senhora Dra. Sexóloga a explicar as razões que levam a esta poupança. Fiquei espantado, o que não é difícil, diga-se em abono da verdade. Parece que, ultimamente, é o meu estado natural.
Como diz o meu amigo Henrique, este é um Povo que começou mal, não admira que acabe pior. Por tudo isto, eu que não sei nada de poesia mas da qual gosto muito, não me perguntem como é que isto pode ser porque não saberia explicar, lembrei-me de estabelecer um certo paralelismo, abusivo já se vê, entre um Poema de Florbela Espanca e o País. Pois aqui vai, com a devida vénia:

ÓDIO?

Ódio por ele? Não... Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto ...

Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar, marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Como um soturno e enorme Campo Santo!

Ah! Nunca mais amá-lo é já bastante!
Quero senti-lo doutra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!

Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não ... não vale a pena ...

Florbela Espanca


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Orçamento de Estado

Hoje não se fala de outra coisa a não ser do Orçamento de Estado para 2011, que será entregue dentro de algumas horas na Assembleia da República, isto se não acontecerem imprevistos, como já houve, que a PEN entregue estava vazia. Já sabemos uma verdade incontornável: é mau. É muito mau. É péssimo. Para todos mas, principalmente, para os mais desfavorecidos, os sem voz, os marginalizados, os deserdados da sorte ou do juízo (que também os há).
No debate que houve de manhã apareceu, como de costume, o playboy, o menino filho de papá, que nunca fez nada de útil na vida e, o pouco que fez, foi à custa da cunha do pai, com aquela cara de pau que o caracteriza, como se fosse o Salvador da Pátria quando, na verdade e sem rodeios, é um dos seus coveiros. Não é o único mas foi dos que mais cavou a sepultura. Este país está a caminho da insolvência. Por causa da classe política? Não. Por causa da classe partidária, porque políticos somos nós todos. O conjunto de Boys que é preciso colocar em empresas que dão prejuízos de milhões, mas que os seus administradores ganham balúrdios.
Não é ficção basta ouvir as declarações do Vítor Baptista, ex-Presidente da Federação do PS de Coimbra, sobre a oferta que lhe fizeram para não se candidatar à presidência daquela Federação. Havia outro mais Jovem que precisava de tirar o tirocínio naquela estrutura e, conquentemente, a ele era-lhe oferecido um chorudo tacho, pago por todos nós, por serviços prestado ao seu partido.
Como se confundem as estruturas. O Estado e o partido que Governa. Melhor, o Estado e os partidos da área da governação.
Ainda hoje me dei ao trabalho de ver os Institutos e serviços Públicos dependentes da Administração Central e sabem que detectei 863. Muitos deles ninguém sabe para que servem mas, toda a gente sente, que são um sorvedouro do dinheiro público. Mas nestes eles não têm coragem de cortar. Precisam deles para colocar os Boys. Aos funcionários públicos reduzem os salários, aumentam os impostos. Enquanto isto decorria era apresentada uma proposta de aumento para o Administrador da CP de 50% e do Porto de Lisboa, de 30%. Isto não é apenas um escândalo é falta de vergonha, falta de carácter. É roubalheira.
Cada Povo tem o governo que merece. Pelos vistos esta penúria também é responsabilidade de todos, mas será que é em igual proporção? Será que quem nos governa há uma década não é responsável?
Este demente deixou que a Nação perdesse soberania e entregasse a Bruxelas os desígnios que o nosso povo há-de ter.
Nem tudo é mau, dirão uns. É verdade. O facto de sermos repescados, à terceira volta, para membro não permanente da ONU é um orgulho nacional, que deve ser creditado ao MNE. Mas não nos esqueçamos que fomos eleitos com os votos de ditadores da mais alta estirpe: Cuba, Líbia, Venezuela, Angola, etc.
Convido-vos, meus amigos e amigas, se tiverem tempo e curiosidade, a ver o perfil dos governantes no Portal do Governo. Tenho a certeza de que ficarão estupefactos.
Enfim, preparemo-nos para o pior e o pior não se sabe quando terminará.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cidadania

 A evolução é natureza da condição humana. É claro e evidente, que nem sempre, evolução pressupõe desenvolvimento. Muitas vezes é até, retrocesso.

Se não vejamos: - na antiguidade clássica - Helénica e Espartana - o termo e o conceito de cidadão era aplicado, com rigor, àqueles a quem era reconhecido esse estatuto social, compreendendo nele, todos os direitos e deveres inerentes. Se havia favorecimento no tratamento e nas tarefas cometidas, este comportava a responsabilidade de obedecer a regras, valores e a formalismos correspondentes.

Durante séculos, porque a democracia fora outro sentimento e prática perdidos, o termo e, mais do que o termo o conceito, foram perdendo sentido, significado e importância e, rapidamente entraram em desuso, no quotidiano social.

O ciclo da vida traz destas coisas. Nasce-se, cresce-se e morre-se. O mesmo se passa com as palavras seus significados e significantes. Não admira pois, que também a cidadania tenha sido interpretada, ao longo dos tempos, de acordo com conveniências pessoais ou de grupo. Em sintonia com o Poder dominante, conforme as diferentes épocas.

É politicamente correcta, quando serve os interesses do Poder instalado. É detestável, quando discorda ou se opõe a uma certa visão de cidadania submissa e bajuladora.

Isto tem a ver com a cultura dos povos e com o exercício responsável de cada cidadão. Infelizmente para nós, o Povo dos “brandos costumes” da “serenidade”, sempre foi um entrave ao exercício, pleno, da cidadania. Pelo que é frequente assistirmos às injustiças mais clamorosas, quase sempre tendo como protagonistas os mais desfavorecidos, material e culturalmente. Sim, porque os poderosos, é nesta espécie de Limbo, que mais facilmente se apropriam das fragilidades democráticas e coarctam o direito do outro a rebelar-se e a usar o seu direito de cidadão.

Normalmente, esta atitude traz consequências muito graves que, apesar disso, caiem no esquecimento ou na indiferença. E se os ditos poderosos pensam que isso é bom porque não os afecta a eles, como estão enganados! Há sempre um momento de desespero dos oprimidos, que os faz recorrer aos seus instintos mais primários e a partir daí não há muros que segurem a fúria da intempérie que se avizinha.

É por isso que vamos conhecendo a prisão e por vezes a morte dos abusadores da violência. Da retaliação dos gangues dos guetos sobre as autoridades. Da afronta directa ou camuflada à democracia.

Também é no desrespeito pela Natureza que a cidadania se compromete. E como pode ser cruel a sua revolta. São os tufões, as derrocadas, os sismos, os incêndios e tantas outras catástrofes a que assistimos diariamente. O Homem, em vez de respeitar o Ambiente e a Biodiversidade, olha para o seu umbigo e o que lhe importa sãos os seus interesses individuais imediatos, não conseguindo discernir, que tudo o que destruir hoje, alguém pagará a factura amanhã, podendo ser o próprio ou seus descendentes. Serão, com toda a certeza, os seus semelhantes num qualquer lugar ou parte do Mundo.

Por tudo o que se referiu e pelo muito que se omitiu não há nada melhor que, cada um de nós aprofunde, em conhecimento e atitude, este Valor inestimável que é a Cidadania. Hoje não reduzida à dimensão geográfica Nacional mas a um nível mais alargado, que é o Direito e o Dever da Cidadania Europeia.

Se queremos uma Justiça mais célere e mais Justa; uma Educação mais eficaz e mais exigente; uma Cultura mais democrática; uma Saúde mais global e sempre pronta; uma Democracia plena; uma Segurança mais presente e mais próxima; uma Segurança Social mais rigorosa e mais selectiva; uma Fiscalidade mais equitativa; não podemos alijar para os outros a responsabilidade individual que nos cabe a todos e a cada um.

Junho de 2010

José Rainho Caldeira


Publicado na Revista da Academia Sénior da Covilhã nº 8 - 2010 - ISSN 1645-7978


sábado, 9 de outubro de 2010

Férias

Passo o ano inteiro a cuidar dos meus "velhotes" com prazer e dedicação. Com desgaste permanente. Hoje por uma pequena maleita, amanhã por outra de maior gravidade, Tudo por causa do "caruncho" dos noventa anos e de uma vida difícil, cansativa, de trabalho intenso e de muita, muita aventura.
Este ano, já no fim do Verão, resolvi que eu e, principalmente a minha mulher - as mulheres são sempre as mais castigadas pela vida - estávamos a precisar de descansar. Os "velhotes" estavam bem, dentro da normalidade possível e decidi. De um dia para o outro. Telefonei à minha filha mais velha e disse-lhe: - Filha marca uma viagem para a Madeira para mim e para a mãe. Escolhe um bom Hotel e o mais próximo do centro do Funchal, possível. Diz quanto é que te tenho que transferir.
Esta minha filha é expert em viagens. Faz, pelo menos, duas por ano para o estrangeiro. Tratou tudo com muito carinho, apoiou a ideia e guardou o segredo que lhe pedi. "Não digas nada à mãe, é surpresa".
No dia 25 de Setembro disse à minha mulher: Vamos até Lisboa, descansar uns dias. E os teus pais, perguntou ela? Não te preocupes. Eles ficam bem.
Prepara lá roupa para uns dez dias mas não exageres eu quero andar à vontade e não faz frio. É preciso pouca roupa.
No Sábado, pelas 10 horas metemo-nos no nosso carro grande - ah! é preciso dizer, no dia a dia andamos com um renault tuwingo que é dela e com o qual ela se atreve a andar, no grande nem pensar, então o outro está na garagem de um cunhado meu aqui perto e só o utilizamos em viagens maiores - e rumámos a Lisboa. Há uma da tarde estávamos junto das nossas filhas e fomos almoçar. Depois lá confessei à Teresa - Teresa é minha mulher - vamos embarcar 2ª Feira às 9H00 para o Funchal. Ficou estupefacta mas senti que, também, contente.
Depois de uma viagem de pouco mais do que uma hora chegámos ao Funchal onde nos esperava a agência de viagens que nos conduziu ao Hotel.
Conhecia, julgava eu, razoavelmente o Funchal, pois parei lá umas quatro vezes  e a última foi em 1973. Como estava enganado. As estradas em esses que eu conhecia só esporadicamente apareciam. Agora tudo é via rápida, tipo autoestrada, com túneis por todo o lado. Disseram-me que são 253. Como já eram horas de almoço deixámos as malas e dirigimo-nos à parte velha da cidade. Porque era a parte que eu conhecia melhor e porque, em regra, as partes velhas das cidades é que têm os melhores restaurantes.
A Teresa não conhecia aquilo, porque sempre fez viagens de avião, para e de Angola e ficou admirada com as flores, com o verde, com a simpatia das pessoas madeirenses. Tenho que confessar que também eu fiquei surpreso, por razões triviais. Não vi um papel no chão, tudo esmeradamente limpo, muita polícia estrategicamente colocada nos passeios e nos locais mais frequentados, enfim, um lugar aprazível.
Demos umas voltas começando por visitar a Igreja do Colégio - assim designada agora, mas que fora a Igreja dos Jesuítas - linda por fora e especialmente por dentro. Depois um Museu de Arte Sacra onde vimos as melhores peças que já tínhamos observado. Um pouco cansados, fomos jantar e escolhemos outro restaurante para conhecermos. Chegados ao Hotel estava à nossa espera uma representante da agência de viagens para nos propor um pacote de visitas. Aliás, pacote que eu já tinha visto num desdobrável de publicidade.
Questionei a minha mulher sobre o seu interesse, ainda que eu já tivesse decidido interiormente. Aceitámos o pacote. Pagámos e no dia seguinte lá fomos para os diferentes pontos do Arquipélago. Porto Santo, num navio espectacular de conforto e rapidez. Em carrinhas com um máximo de 14 pessoas, para outros locais típicos da Madeira, que por serem sempre as mesmas, até nos permitiu fazer amizades.
Foram 8 dias de uma verdadeira Lua de Mel. A minha mulher adorou e eu fiquei feliz por lhe ter proporcionado esta alegria.