terça-feira, 30 de novembro de 2010

"Sê a mudança que queres ver no Mundo"

O título desta mensagem "roubei-o" - roubar é feio - pedi-o emprestado, à minha amiga E.A. num comentário que deixou neste espaço, para poder reflectir sobre a profundidade que encerra.
Nós, os portugueses, somos, em regra, pessimistas, tristonhos, queixinhas, saudosistas, sebastianistas e outros epítetos que nos empurra para o "fado da desgraçadinha". Não sei se os outros povos são assim. Para o caso pouco importa. Interessa-nos pensar em nós, mesmo que pareça egoísmo.
Não sei se se dão conta de que quando alguém, amigo ou apenas conhecido, nos encontra e pergunta: - como estás? Ou como vais? A resposta é quase sempre: - cá vamos andando. Às vezes acrescenta-se, como Deus quer.
E a vida corre bem? A resposta habitual: - vai andando. Assim, assim. E que pensas fazer? Ah!, é complicado. Não sei bem. Tenho dúvidas. Talvez faça isto, ou aquilo.
Está aqui o retrato, sucinto, do português comum. É uma personagem do assim, assim; do talvez; do mais ou menos. Raramente se vê alguém positivo, convicto, realista e, ao mesmo tempo, optimista, construtivo. É sempre um "tento não caias". Medroso. A tentar viver o amanhã, sem desfrutar o hoje. Ou, o que também é vulgar, a viver o ontem, o que já passou, para não enfrentar as situações que se lhe deparam.
Já li em vários relatórios científicos, que nos indicam como um dos povos que mais anti-depressivos consomem, per capita.
Tudo isto me leva a pensar que algo de errado se passa no "reino português". Sim, porque se nos lembrarmos que fomos capazes de dar ao Mundo novos mundos, com pouca ciência e muita valentia, com pouco dinheiro, mas muita audácia, porque nos tornamos nesta espécie de cortejo fúnebre onde nem as carpideiras faltam, para tornar mais pesado o féretro?
Acho que é preciso mudar de atitude. Eu por mim já decidi. Quando me perguntam, como vais? Respondo convicto: - Estou bem. Estou vivo.
Cada um de nós tem de fazer a sua parte. E digo-vos que vale a pena. Tenhamos uma atitude positiva. Não esperemos por ninguém que venha resolver os nossos problemas. Sejamos forcados e vamos para os cornos do touro, sem medo e com determinação. (Há, não levem à letra esta coisa dos forcados, eu até não gosto de touradas).
Sejamos, como diz a E.A. do didascália: "a mudança que queremos ver no mundo".

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Povo infeliz...



Em atitude pensativa...



Se tudo fora como se esperava,
Não seria nada assim,
Haveria ética, seriedade, competência;
Trabalho, dedicação e experiência,
Resultados, benefícios p'ra sobrevivência,
De todo um povo em decadência.

Mas que querem os mandões
Deste País, desgraçado?
Porque, cada vez mais, se sente,
Mais desprotegido e mais gente,
Com necessidades básicas permanentes,
Postas em causa, aos trambulhões.

Enquanto o Povo não perceber,
Que é preciso intervir
Dia-a-dia e sempre,
Para dar a conhecer,
O seu descontentamento.
Mostrar que o que é de todos,
A todos há-de servir.
O que é público é comunitário
E não apenas partidário.

Haja vergonha na cara,
Decência nos procedimentos
Para que todos aceitem, melhor,
Toda a espécie de sofrimentos.

Se a política se tornar,
Forma de vida decente,
Talvez os Homens de bem
Arrisquem participar,
No trabalho mais premente.



domingo, 28 de novembro de 2010

A tradição já não é o que era!!!???

O canto, ao canto da lareira na aldeia, era coisa habitual. Nesta época, em dias de frio e, com Advento à porta, lá se cantava: Oh! Meu Menino Jesus/ Oh! Meu Menino tão belo/ Logo vieste a nascer/ Na noite do caramelo...
Contavam-se histórias e estórias, em tempos de antanho, sempre com um fundo de ética e moral. Os avós, pais e netos, quando não se juntavam tios, sobrinhos e até vizinhos, numa roda familiar de grande tamanho, participavam, ora cantando, ora ouvindo, em silêncio memorizando, saberes e conhecimentos, que se relacionavam com a vida, em família, e em comunidade.
Hoje, só raramente, se sente que esta tradição ainda vive. A família, alargada, deixou de existir. Até a nuclear se encontra dispersa, em função da empregabilidade, ou da falta dela. Mas que era bonito era.
A estória da "manta" por demais conhecida, que aqui se reproduz para os mais novos, era uma delas: "conta-se que numa casa de pobreza extrema, um velhinho "inútil" para contribuir para o sustento da casa, viu-se levado, pelo filho, para o cume de uma montanha onde foi deixado, com apenas uma manta, à espera da morte. O filho, ainda que, com o coração dilacerado, deixou o pai e iniciou a descida. Quando se distanciara alguns passos ouviu a voz sumida do pai, dizer-lhe: - Filho vem cá e rasga a manta ao meio. O filho perguntou, por que razão? O pai respondeu: -  é que podes vir a precisar da metade da manta quando o teu filho te vier depositar aqui. O filho ficou sem palavras, mas agiu. Pegou no pai às costas e levou-o de novo para casa".
Com estórias deste tipo procurava-se incutir nos mais novos o sentimento da solidariedade, do dever para com os mais frágeis, da partilha do pouco que havia.
Parece que a geração que nos governa nunca teve a dita de partilhar o canto da lareira, ou então o seu egoísmo sobrepõe-se aos sentimentos. No dia 18/Maio/2010, o Diário da República nº 96, II Série, traz 13 (treze) nomeações de motoristas para o Gabinete do Senhor Primeiro Ministro.
Não sei se são necessários, ou mesmo imprescindíveis, tantos motoristas. Mas em altura de pobreza extrema, em que as diferentes Religiões e demais Organizações não Governamentais, apelam à Sociedade, para serem generosos, já que não têm como dar resposta a tanta solicitação para obtenção de alimentos, não seria um exemplo digno, alguma contenção neste tipo de esbanjamento?
A tradição já não é o que era!!!???

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Alforreca



Queria a gente entender 
As voltas que a vida dá.
Impossível compreender
Só o que em Deus conhecerá.

Num viver tão azedo,
Agitado, competitivo.
Como pode o verdadeiro
Irmanar-se com o inimigo.

Não será pedir de mais,
A quem de si exige tanto?
Que ao inimigo perdoe,
As horas de tanto pranto.

Vamos lá ver se nos entendemos,
Nesta vida atribulada.
Vemos crescer a cambada,
Que à nossa volta medra,
Enquanto que quem trabalha
Vive inerte como a pedra. 

Manhã de Inverno.

Todas as Estações do ano têm a sua beleza, intrínseca. Ainda que, no calendário, estejamos no Outono, no Portugalprofundo é pleno Inverno. Uma geada, daquelas, que até arrepia. Um friozinho que penetra os ossos. Mas o dia está esplendoroso. Sol radiante. Céu azul, sem uma nuvem, a toldar a paisagem.

As pessoas, em geral, ainda que poucas, porque estamos a falar de uma terra de velhos - com carinho, respeito e muito afecto - andam numa roda viva, a colher a azeitona que virá a dar um dos azeites melhores do País e, quiçá, do Mundo. Tudo Extra-Virgem, de uma qualidade insuperável. É um trabalho difícil, como difícil é todo o trabalho do campo. Mas, paradoxo, é, ao mesmo tempo, muito alegre. Os mais velhos relembram, cantando com vozes sumidas e, em geral, desafinadas, as melodias de outros tempos e, que trazem à memória a sua juventude, de força e de despique, para ver quem, ao fim do dia tinha mais "sacas" - assim se fala cá na terra - cheias do precioso fruto.

Os de meia-idade - qualquer que seja a designação que se lhe queira dar - ficam surpresos com as proezas e os sacrifícios que seus maiores passaram, quando tinham a idade que eles agora têm. Alguns, mais descrentes, até julgam que se trata de prosápia. Como estão enganados. É a verdade nua e crua. Porque no tempo dos mais velhos não havia maquinaria, de género nenhum e, muito menos, para a agricultura que, fora sempre, cá por estes lados, de pura sobrevivência, e o parente pobre, deste País paupérrimo.

Isto tudo para dizer que, apesar da manhã ser de Inverno, no silêncio dos campos, entrecortado pelas gargalhadas de alguns e pelo canto de outros, se vive num paraíso de ar puro, saudável e, muito, muito aprazível. Com os contras semelhantes aos demais modos de vida das pessoas que vivem nos Centros Urbanos, mas com as compensações de poder ouvir o chilrear dos passarinhos e admirar os autênticos cachos de azeitona que, devido à quantidade, faz mergulhar os ramos das oliveiras mais carregadas. 

Apesar, dos pesares, viva o autêntico mundo Rural.

domingo, 21 de novembro de 2010

Como é possível!!!???

Hoje, pelas dez horas da manhã, tive conhecimento pelos intervenientes de uma facto deprimente.
Aqui vai, resumidamente.
Uma pessoa trabalhadora e lutadora, mas simples e honesta, candidato às últimas eleições autárquicas na freguesia viu-se a braços com uma inspecção da ASAE num bar que explora, apenas nos três meses do Verão, numa zona de lazer que, venha-se lá a saber porquê, o multou numa quantia, perto dos sete mil euros.
O local é esplendoroso, muito agradável e anima a pacata povoação bastante visitada por forasteiros.
O Bom Homem entendeu por bem, socorrer-se do vice-presidente da Câmara pedindo-lhe ajuda para que lhe fizesse, por escrito, uma exposição para tentar amainar os corações dos responsáveis daquele Organismo Inspectivo. Até por ser desproporcionado e ser, manifestamente, um excesso de zelo que não beneficia a imagem do Organismo.
Resumindo: trata-se de um ser humano com dificuldades argumentativas que se socorre de um outro concidadão, mais habilitado e mais capacitado para o fazer. Até aqui nada de anormal. A mim parece-me até salutar pelas duas partes: o que precisa de auxílio e o que tem capacidade para ajudar, ainda que estando em barricadas diferentes, sobre o ponto de vista político-partidário. Honra os dois.
Enquanto o auxiliador estava a gizar os argumentos recebe um telefonema do Presidente da Câmara. Sobre a razão do telefonema nada se sabe. Apenas se conhece que o Vice-Presidente lhe disse que na altura estava ocupado a ajudar o adversário político. E o que é que acontece: - o mentecapto do Presidente desanca o seu vice-presidente por este estar a ajudar um adversário político, como se este fosse um inimigo.
Ora pensem comigo. Então não seria normal que um Presidente de uma Câmara, após eleito, tratasse todos os seus munícipes de igual forma? Não será ele o Presidente de todos os seus conterrâneos e eleitores? Não é pago com os impostos dos seus amigos mas, igualmente dos seus adversários?
Como se pode ser tão mesquinho? Tão invejoso? Tão crápula? Tão desumano? Tão rancoroso? Tão néscio? Tão vingativo? Tão verme?
Só vejo aqui uma tímida justificação. É um ser mal formado. Lida mal com a Democracia. Não merece desempenhar o lugar de tão alta responsabilidade.
Quero acreditar que os políticos não sejam todos assim. Mas estas ovelhas ranhosas colam à classe política uma imagem do mais puro negativismo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Tristeza

Aperta-se o coração. Choram os olhos. Revolve-se o estômago, quando se conhece alguém de, apenas, 15 anos - uma criança - a lutar pela vida e ela a escoar-se, como grãos de areia, quando se aperta a mão.
Assim interpretei as palavras da amiga Ibel, num dos comentários do seu Blog. E, sem querer - odeio sofrer - coloquei-me no lugar de pai daquela menina e sofri e sofro. Quero acreditar que Deus tudo faz bem feito mas, porque sou Humano, acho injusto e, de novo, sem querer, revolto-me.
Resta-me uma oração pequenina e simples que Jesus Cristo nos ensinou: PAI NOSSO, para que ajude a salvar esta vida, que muito pode ainda dar à vida, própria e dos outros.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Necessidade de Escrever

Tenho necessidade de escrever
E não sei como começar.
Bem ou mal aqui vai o que consegui,
P'ra o papel debitar.



Na penumbra do Sol-pôr
Apodera-se de mim a tristeza
De mais um dia que passou
Sem que eu fosse mais Eu.

Talvez seja das notícias, da crise,
Ou é mesmo natural.
Numa pessoa que descrê,
Da governança actual.

Estou inquieto e preciso de intervir,
De fazer alguma coisa.
Para que mude a nossa vida
Mas, também, todo o porvir.

Não sei se sou capaz
E se tenho imaginação.
Talvez esquecer a razão
E viver da emoção!

Sei que assim não estou bem,
E que preciso de mudar.
Vá-se lá saber por onde,
No meio desta confusão.

Duma coisa estou certo,
Assim não posso viver.
Preciso de fazer qualquer coisa
P’ra poder sobreviver.

Se sinto necessidade
De espevitar o meu Ego.
Só pode ser a saudade
Do que fui e já não sou!

A modorra e a descrença
Nunca construiu nada exigente.
É preciso outra atitude
Minha, tua e de mais gente.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

sábado, 13 de novembro de 2010

Por do Sol


As surpresas da vida, são muitas e inusitadas. Desaparecem jovens na força da vida, continuam(sobre) viver, velhos agonizantes. Aconteceu ontem, pode acontecer hoje ou amnhã, aqui e além.

Será sempre assim:

Mas que é triste é. Para os dois. Para o que se foi e para o que fica. Ainda que o que foi não sinta, deixa saudades, em nós. O que fica, mal sentindo, deixa amargura em todos os que com ele convivem.

Tal como o Sol que nasce timidamente.  Fazendo luz na escuridão. Clareia o dia e traz calor. Segue a elíptica, em esplendor e morre ardentemente, num percurso permanente.

Assim é a vida  que vivemos. Cheia de altos e baixos. Ora tristes ora eufóricos, conforme o nosso interior
e o olhar atento ou distraído sobre o Mundo que temos.

Não vale apenas lamúrias, nem tristeza ou solidão. Vale muito ter esperança, porque uns dias vêm outros vão.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Porquê no te callas???

A novela rocabolesca dos juros da "dívida pública soberana" - palavrão - já viram, não deixam de aumentar desde há cerca de 15 dias a esta parte. Dizem uns que, por razões de mercado. Outros, devido a razões de política interna.
Seja lá por que for e, tendo em conta que o que importa aos portugueses são os resultados, a verdade é que os juros não param de aumentar, diariamente.
Ontem, e pela enésima vez, o Senhor Ministro das Finanças veio botar faladura sobre os resultados de um novo leilão da Dívida, que "correu muito bem" segundo ele.
Esta gente não pode ver um microfone e uma câmara de TV, que não se ajeite para dizer umas coisas, e o Senhor Ministro não escapa à regra. Lá veio ele de novo a falar de responsabilidades e de rigor e capacidade de resolvermos os problemas por nós próprios. Resultado: hoje, logo pela manhã, os juros aumentaram cerca de meio ponto percentual, situando-se nos 7,5%.
Lembram-se que este Senhor disse, salvo erro, na aprovação, na generalidade, do Orçamento de Estado, que caso os juros atingissem 7% era caso para a entrada do FMI (Fundo Monetário Internacional)?
Lembram-se de que cada vez que este Senhor fala sobem os juros? Eu não sei se ele tem ou não razão. Só sei uma coisa: ele abre a boca e nós pagamos o pato.
Por isso faço meu o apelo que o Rei de Espanha fez há uns tempos atrás, dirigindo-se ao Presidente da Venezuela Hugo Chavez, mas neste caso dirigindo-me ao nosso Ministro: "Porquê no te callas?" 

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Agruras de Outono!



















 
Imagem retirada da Net



Lá fora o vento ruge e o mar se enfurece.
Caiem as folhas e o coração estremece,
De um medo inconsciente, que parece
Sentir que é imprescindível, uma prece.

Ao Deus que tudo pode e tudo merece,
Para que acabe com as nuvens e fizesse, 
Voltar o Sol que a todos aquece,
Tanto o corpo como a alma, que padece.

É que neste turbilhão que nos acontece,
Só mesmo um poder Supremo, que decesse
P'ra nos salvar da tempestade que não esmorece,
P'ra torturar o pobre e a criança, que não cresce.

Mas para que tudo não passe de um momento,
De extrema aflição e enorme tormento.
Talvez erguer os olhos p'ra o Céu, em sentimento,

A suplicar a benevolência e temperança do tempo, 
Para que a vida seja mais leve, em pensamento, 
Num grito de esperança, mesmo que, de lamento.


sábado, 6 de novembro de 2010

"Amor e pena"

Peço desculpa pelo atrevimento. Este é o resultado de quem não tem noção nem o saber do que é fazer poesia. É, talvez, a vontade de aprender. Por isso espero os comentários, críticas sinceras e contundentes.



Imagem retirada da NET


AMOR E PENA




Ao correr da pena e do pensamento,

Lá se vai criando uma ideia, um sentimento,

Para transmitir ao Outro, desatento,

Que necessito de atenção e de alimento.



Volto à terra e o sofrimento,

Já não deixa espaço nem lamento,

Que possa calar o desalento,

D'uma alma inquieta, um corpo em tormento.



Se, por uma vez eu quisesse e pudesse,

Cantar, dançar, sem descanso, com alento.

Leve solto, desperto, e por fim tivesse



O resultado da criação de embrião d'um poema,

Sem estética, nem métrica, nem conhecimento,

Apenas um desabafo de amor e de pena.

José Rainho Caldeira

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Aprovação do OE

Não sei se os meus/minhas amigo(a)s estão recordado(a)s de que no passado dia 15 de Outubro escrevi aqui algumas coisas sobre o Orçamento de Estado para 2011? Naquele dia e, naquela hora, ainda não tinha sido apresentado na Assembleia da República, como manda a Lei e como a competência deveria exigir. Foi entregue perto da meia-noite, com falta de relatório o que, na prática, bem se pode dizer, que a Lei não foi cumprida, foi manipulada.
Hoje encerrou-se o debate na generalidade e o O.E. foi aprovado com os votos do PS, a abstenção do PSD e o voto contra das restantes bancadas.
Estejam descansados que não vou falar das trapalhadas, do circo, do deixa passar, chumba, crise política, com demissão do Governo a que temos assistido desde há, pelo menos, dois meses e meio. Isso já toda a gente sabe e, tenho a certeza que, "viram, ouviram  e leram, por isso não podem ignorar", como eu, que O.E. é péssimo, como tinha previsto.
O que talvez importe referir hoje e aqui é, que para além do espectáculo vergonhoso a que temos assistido, em dia de votação final do O.E. deu entrada na Assembleia da República uma "errata" com uma derrapagem de 850 milhões de Euros que acresce aos 500 milhões que resultou da negociata com o PSD. Diz o Senhor Ministro que é uma questão contabilística!? Será? 
Vamos dar de barato que é verdade - o que não é líquido - cabe questionar: O que andaram a fazer os Técnicos, os Assessores, os Directores Gerais, os Secretários de Estado, o próprio Ministro desde Junho passado, altura em que, através dos dados de execução orçamental do presente ano, estavam habilitados a elaborar um novo Orçamento para o ano seguinte. É que, não sei se sabem, os Orçamentos são elaborados sobre os de anos anteriores e nomeadamente, do último ano. Não há muito por onde fugir. Não é preciso inventar a roda. Qualquer TOC (Técnico Oficial de Contas), com um mínimo de conhecimentos e experiência faria isso com uma perna às costas. Até porque um Orçamento de Estado é uma previsão que pode, em qualquer altura, ser rectificado de acordo com a execução trimestre a trimestre.
Dirão que não é assim tão simples! Eu, estou convicto de que simplicissimo. É como um Orçamento da nossa casa. Sabemos quanto ganhamos, planeamos as despesas em função da receita e, caso haja alguma imprevisibilidade, faremos os ajustes que se justifiquem. Isto para dizer o quê? Para dizer que vivemos num País de incompetentes ou talvez não. Mas, se não são a primeira hipótese só há mais uma provável: são vigaristas, trafulhas, aldrabões.
Para terminar quero dizer mais duas coisas do Além! a PT diz que vai distribuir os dividendos sobre os lucros de cerca de 3 mil milhões de Euros, aos accionistas já este ano (2010), antes de encerrar as contas que só se efectuam no início do ano seguinte (2011), depois de apurados os resultados em 31 de Dezembro, como é da Lei e da praxe costumeira para, como é óbvio, permitir a fuga ao Fisco em Milhões de Euros, já que em 2011 estas mais-valias são tributadas as 23%, mais ou menos. E o que diz o Ministro: "Se a PT fizer isso desacredita-se já que permite que os seus accionistas escapem aos sacrifícios dos restantes portugueses". Lembram-se que a PT tem uma "Golden Share" detida pelo accionista Estado e que este nomeia, os Presidentes da Administração (consultivo e executivo) da PT? E que usou essa premissa para congelar a venda da VIVO do Brasil?
Então como é? E, já agora, mais uma coisinha. A EDP, monopolista da distribuição da energia eléctrica, através do seu Administrador (Mexia, o tal do milhão e tal Euros de bónus) vem dizer hoje, que a Empresa teve lucros de 3% nos três primeiros trimestres deste ano. Que proeza? Será que alguém pode escolher outro fornecedor? Será que não aumentou a electricidade na percentagem que quis?
Dá que pensar, não dá? Como diz a minha amiga Ibel: "O meu País agoniza".