COGITANDO!
Como é nosso hábito, quando viajamos nos fins de semana,
procuramos saber o horário das missas nas localidades onde nos alojamos, no
país ou no estrangeiro. No passado fim-de-semana porque saímos da nossa residência
não foi diferente.
Verificámos que havia Eucaristia vespertina no sábado na Sé Catedral,
pelas 17h30.
Dirigimo-nos à Sé e verificamos que havia obras financiadas
pelo PRR e, entre um tapume e a entrada principal, havia uma porta lateral
aberta, por volta das 17 horas.
Entrámos e vimos meia dúzia de pessoas sentadas em oração e
outra meia dúzia a visitar. Visita que vale a pena pois a Sé é monumental.
Como era cedo para o início da Eucaristia sentámo-nos em
oração silenciosa à espera da entrada do sacerdote.
Foram distribuídas umas pagelas de anúncio da visita pastoral
do prelado, a determinadas localidades e, como continuasse a Sé, praticamente,
vazia perguntámos à pessoa que estava a distribuir as pagelas se,
efectivamente, havia ou não a Eucaristia tendo-nos sido confirmado que havia.
Pelas 17h30 entra o sacerdote paramentado e dá início à missa,
sem qualquer cântico de entrada e com menos de uma trintena de pessoas a
assistir.
Participámos, como é nosso costume, na celebração que durou
cerca de 45 minutos.
O Sacerdote percorreu todo o ritual, os leitores fizeram as
leituras do XI Domingo do tempo comum, e finalizou com alguns avisos e a bênção
final, retirando-se de seguida para a Sacristia.
Preparámo-nos para sair e quando nos virámos para a saída
ficámos espantados, porque a entrada monumental e principal da Sé estava aberta
de par em par, por onde saímos.
Vários aspectos nos surgiram no pensamento, em forma de
perguntas. Desde logo, como é que uma cidade média/grande, sede episcopal,
celebra uma Eucaristia Dominical vespertina, com tão reduzido número de
participantes? Como é que não há um pequeno coro para dar mais dignidade à
celebração? Como é que uma cidade com tantos milhares de habitantes tem menos
assistentes à missa dominical do que a minha aldeia? Por que é que a Porta
principal se abre para a saída e não para a entrada? Por que é que os homens de
hoje estão tão afastados das celebrações da amizade e louvor para com o nosso
Deus?
Intuímos algumas possíveis respostas. Auto-suficiência do
Homem? Tempos conturbados? Egoísmo e egocentrismo? Vida corrida, sem tempo para
a paragem, para o silencio, para a reflexão? Mas, também, modelo pouco
apelativo da celebração, na era da tecnologia da comunicação?
Não sei nada. Só sei que saí da Sé acabrunhado, triste, meditativo.
Os desígnios de Deus são insondáveis e quem sou é para os tentar entender, sem
nem o Doutor da Igreja, Santo Agostino, o conseguiu. Que Deus me ajude.
16/06/2026
Zé Rainho