terça-feira, 16 de junho de 2026

Cogitando!

 

COGITANDO!

Como é nosso hábito, quando viajamos nos fins de semana, procuramos saber o horário das missas nas localidades onde nos alojamos, no país ou no estrangeiro. No passado fim-de-semana porque saímos da nossa residência não foi diferente.

Verificámos que havia Eucaristia vespertina no sábado na Sé Catedral, pelas 17h30.

Dirigimo-nos à Sé e verificamos que havia obras financiadas pelo PRR e, entre um tapume e a entrada principal, havia uma porta lateral aberta, por volta das 17 horas.

Entrámos e vimos meia dúzia de pessoas sentadas em oração e outra meia dúzia a visitar. Visita que vale a pena pois a Sé é monumental.

Como era cedo para o início da Eucaristia sentámo-nos em oração silenciosa à espera da entrada do sacerdote.

Foram distribuídas umas pagelas de anúncio da visita pastoral do prelado, a determinadas localidades e, como continuasse a Sé, praticamente, vazia perguntámos à pessoa que estava a distribuir as pagelas se, efectivamente, havia ou não a Eucaristia tendo-nos sido confirmado que havia.

Pelas 17h30 entra o sacerdote paramentado e dá início à missa, sem qualquer cântico de entrada e com menos de uma trintena de pessoas a assistir.

Participámos, como é nosso costume, na celebração que durou cerca de 45 minutos.

O Sacerdote percorreu todo o ritual, os leitores fizeram as leituras do XI Domingo do tempo comum, e finalizou com alguns avisos e a bênção final, retirando-se de seguida para a Sacristia.

Preparámo-nos para sair e quando nos virámos para a saída ficámos espantados, porque a entrada monumental e principal da Sé estava aberta de par em par, por onde saímos.

Vários aspectos nos surgiram no pensamento, em forma de perguntas. Desde logo, como é que uma cidade média/grande, sede episcopal, celebra uma Eucaristia Dominical vespertina, com tão reduzido número de participantes? Como é que não há um pequeno coro para dar mais dignidade à celebração? Como é que uma cidade com tantos milhares de habitantes tem menos assistentes à missa dominical do que a minha aldeia? Por que é que a Porta principal se abre para a saída e não para a entrada? Por que é que os homens de hoje estão tão afastados das celebrações da amizade e louvor para com o nosso Deus?

Intuímos algumas possíveis respostas. Auto-suficiência do Homem? Tempos conturbados? Egoísmo e egocentrismo? Vida corrida, sem tempo para a paragem, para o silencio, para a reflexão? Mas, também, modelo pouco apelativo da celebração, na era da tecnologia da comunicação?

Não sei nada. Só sei que saí da Sé acabrunhado, triste, meditativo. Os desígnios de Deus são insondáveis e quem sou é para os tentar entender, sem nem o Doutor da Igreja, Santo Agostino, o conseguiu. Que Deus me ajude.

16/06/2026

Zé Rainho

 

Sem comentários:

Enviar um comentário