sábado, 19 de agosto de 2023

Comportamento social

Comportamento social! 


Num fórum, numa assembleia, numa escola, numa igreja ou em qualquer outro lugar de ajuntamento de pessoas, as primeiras cadeiras ficam sempre vazias. É assim ou não é? 

A pergunta tem interesse ou não? Vale a pena pensar sobre um assunto tão comezinho? 

Responda o que quiser, quem quiser, se quiser.

Para nós, não tendo um valor transcendente, somos de opinião que vale a pena reflectir sobre o assunto, por várias razões, principalmente porque não se fala da vida de ninguém, em particular, mas se procura analisar um comportamento de massas. 

Não vamos entrar por caminhos científicos que não são da nossa lavra nem acrescentavam valor sobre aquilo que queremos partilhar. 

Vamos então começar pelo princípio como é bom fazer em todas as coisas:

Já todos reparámos que quando nos dirigimos a um qualquer espaço, sem lugares marcados, para ouvirmos qualquer prelecção, a fila das cadeiras da frente ficam sempre vazias ou, pelo menos, são as últimas a ser ocupadas, se a lotação se esgotar e a pergunta impõe-se: por que será? 

Poderá dizer-se que se deveria retirar a fila de cadeiras da frente e o problema ficava resolvido. Mas não ficava sempre uma primeira fila? Por aqui não vamos lá com a explicação.

Exortar as pessoas a ocuparem desde o início a primeira fila e irem ocupando as restantes. Já experimentaram fazer isso? Qual foi o resultado? Uma ou outra pessoa lá cede e aproxima-se mas a esmagadora maioria fica lá atrás, no seu cantinho, não é? 

Vamos então ensaiar uma possível explicação, ainda que, dou de barato, haja muitas outras.

Quando Cristo andou pelas terras da Samaria, da Judeia, da Galileia e outros lugares a que vulgarmente chamamos Terra Santa, havia, como, infelizmente, ainda hoje há, muita vaidade, espavento, orgulho, preconceito e, sobretudo, poderosos poucos e pobres e mesmo indigentes muitos, a maioria das maiorias. 

Jesus, na Sua qualidade de Deus feito homem, catequético, mestre dos mestres,  não podia deixar de admoestar os poderosos e exaltar os humildes deixando claro para todos e em todos os tempos, que todos os seres humanos são iguais, nos seus direitos e deveres e, para que toda gente entendesse a mensagem, falava em parábolas, exemplos do dia-a-dia, vivências que todos conheciam. 

Em algumas dessas parábolas dizia: “amigo, quando fores convidado para um banquete não ocupes os lugares cimeiros, porque pode o dono da casa querer atribuí-lo a outros convidados mais importantes, ocupa os lugares de trás e, quando o anfitrião te vir lá atrás te dirá, acerca-te de mim e assim serás honrado e não envergonhado”; “quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado” (citado o conteúdo e não os textos).

Como a nossa civilização se alicerça nos ensinamentos e cultura judaico-cristã, particularmente na parte ocidental, não admira, pois, que nos arquétipos de cada um de nós, prevaleça esta ideia de deixar os lugares da frente para os outros. Muitas vezes não por convicção mas, apenas, por parecer bem.

Desta forma, temos para nós, que a educação recebida dos nossos antepassados, de geração em geração, foi fazendo o seu caminho e tal conduziu-nos a ser deferentes, atenciosos, humildes, o que nos leva a deixar passar uma senhora, um idoso, um destacado semelhante que desempenha cargos públicos relevantes, à nossa frente. Ah! Se calhar não é bem assim, desculpem. É a minha vetusta idade que me leva a dizer estas parvoíces. 


17/08/23


Zé Rainho 

segunda-feira, 31 de julho de 2023

PRIORIDADES!

 

PRIORIDADES!

Na vida, qualquer pessoa consciente e decente pondera, cada vez que tem de decidir. Porque decidir é assumir responsabilidades, arcar com consequências e isso é difícil, porque dá trabalho, porque têm de se correr riscos, porque não é possível ter “Sol na eira e água no nabal”, porque é muito mais cómodo deixar correr o tempo.

Porém, apesar de todas as dificuldades, é preciso decidir e priorizar.

Se na vida privada isso acontece e é preciso ter em conta as variáveis que contam, muito mais acuidade têm as decisões na vida pública, por causa das pessoas e por causa do património público, quer este seja monetário, cultural ou histórico.

Está devidamente estudado que qualquer decisão deve ter em conta algumas variáveis, a saber: O quê, para quê, com quê, para quem e com quem, entre mais algumas que poderíamos elencar, mas que nos bastam estas para agora.

Se analisarmos algumas realidades que estão à frente dos nossos olhos, pela maior parte do nosso país, vemos coisas onde é duvidosa a prioridade, senão vejamos:

Quando se morre à porta de um centro de saúde do interior, sem assistência, porque este está fechado. Quando se deixam morrer bebés porque as mães tiveram de calcorrear muitos quilómetros porque a maternidade próxima da sua residência fechou. Quando se deixam morrer, por doenças oncológicas, pessoas que não têm acesso a medicação hospitalar porque esta é cara. Quando se praticam centenas de actos médicos para mudança de sexo, gastando fortunas, porque são actos que requerem muita técnica e maior tecnologia.

Quando se deixam alunos sem aulas durante um ano lectivo por falta de professores. Quando se deixam alunos sem aulas porque, mesmo tendo professores, estes fazem greve constantes e sistemáticas, por não verem satisfeitas as suas justas reivindicações.

 Quando pessoas injustiçadas se vêem coibidas de recorrer aos tribunais porque a justiça é cara e não têm dinheiro para pagar as custas. Quando os ricos e poderosos se socorrem de advogados, altamente prestigiados, caros, para, usando os alçapões da Lei vão protelando sentenças ou mesmo a aplicação das mesmas. Quando uma pessoa não pagou uma portagem vê arrestados os seus bens, pelas Finanças, e os ricos e poderosos não pagarem impostos porque têm os seus milhões em paraísos fiscais.

 Quando a cultura, em todas as suas formas, teatro, cinema, música, museus, vê minguados os seus proventos, quando se desperdiçam milhões com artistas estrangeiros, alguns deles de duvidosa qualidade.

Quando a ciência está entregue a uma elite de duvidosa cientificidade, mas de cariz, manifesto e exposto, ideário político.

Quando os políticos decidem ordenar o território em dois ou três grande urbes e deixam o resto do país desertificado assim proporcionando a toda a população, quer das urbes quer dos territórios desertos, uma vida de cão, porque tudo falta, saúde, habitação, educação, justiça, mobilidade, miséria, empobrecimento geral.

Quando o poder central, regional e local se permite fazer obras faraónicas, eventos estapafúrdios – retiramos deste rol a Jornada Mundial da Juventude por ser um evento com especificidades e uma visibilidade do País que o justificam - promover certo tipo de empresariado, sem prestar contas e sem se submeter ao escrutínio do público. Quando muitas outras coisas “vemos, ouvimos e lemos” como dizia a Sofia, nos chocam pelo absurdo, abuso de poder, pela arbitrariedade, não podemos deixar de pensar nas prioridades de quem é detentor do poder, que foi mandatado para servir, mas, que na maioria dos casos, se serve a ele, à família, aos amigos e não resta outra solução senão estar em desacordo.

Há cá pelo burgo muitos exemplos, muitos mais por esse país fora e, particularmente, no centralismo do Terreiro do Paço.

Um pequeno, mas significativo exemplo: A maioria dos técnicos superiores da função pública não chega a ganhar três mil euros brutos, mensais, muito próximo do topo e do fim da carreira, mas o nosso Governo distribui por hipotéticos especialistas juniores, menores de 30 anos, cerca de dois milhões de euros, anuais, em boys, que coloca nos seus gabinetes, todos a ganhar mais de quatro e alguns, cinco mil euros mensais.

Prioridades.

28/07/2023

Zé Rainho

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Bota cardada!

 

BOTA CARDADA!

Provavelmente os mais novos não saberão o que significa a expressão “bota cardada” e, por isso, impõe-se uma breve e sucinta explicação.

Noutros tempos, mais ou menos recuados, de penúria e miséria das sociedades, em geral, até os militares eram calçados com botas, em cuja sola eram pregadas cardas ou tachas metálicas, para aumentar o seu período de duração. Logo, quando um conjunto de militares marchava nas ruas ou praças de cidades, vilas ou aldeias, o ruído característico da marcha era, simultaneamente, atractivo e aterrador. Até porque o militar, em regra, marcha armado.

Os políticos, de todas as épocas, uns mais do que outros, como é bom de ver, sempre procuraram ter os militares sob o seu controlo e, muitas vezes, procuraram manipulá-los para atingirem objectivos, muitas vezes reprováveis. Nas ditaduras antigas foi assim. Nas ditaduras actuais é assim. Basta olharmos para alguns países da Ásia, da América Latina, até da Eurásia para constatarmos esta realidade.

Os militares regem-se por regras de disciplina muito rígidas, dentro daquela lógica: manda quem pode, obedece quem deve, e esse factor facilita a vida a governantes que, da democracia, têm uma ideia distorcida. quando não ultrapassam as linhas e os limites ditatoriais. Foi toda a vida assim. Hoje é assim em muitas latitudes.

O pretor romano era dono e senhor dos destinos dos seus súbditos e deixou em muita gente os tiques pretorianos, do poder absoluto, mesmo quando se vive em democracia. Há pessoas que têm, no seu íntimo, estes tiques. Há governantes que não fogem a essa tentação e confundem, deliberadamente, maioria absoluta com poder absoluto, próprio da idade média e, por isso, não se preocupam com a ética republicana, nem com a transparência das atitudes e mostram os seus tiques pretorianos de utilização da bota cardada para impor a sua desmedida vontade.

Nos últimos dias temos assistido a tiques de bota cardada nas nossas paragens e, também, pelo mundo fora.

Quando a comunicação social procura explicações e clarificações de atitudes menos próprias, em vez de explicações recebe desprezo. Quando alguns órgãos são silenciados ou condicionados a, apenas, noticiar o que convém ao poder instituído. Quando no parlamento, os deputados questionam os governantes e estes recusam dar explicações fica patente a imagem nítida, da bota cardada. Quando, no parlamento, o partido maioritário impede que os deputados das restantes bancadas peçam explicações a ministros e isso aconteça mais de meia centena de vezes num ano legislativo, isso configura bota cardada e essas atitudes não podem deixar de nos remeter para memórias não muito distantes de outros tempos e as recordações não são de modo a deixarem-nos sossegados.

Todas as atitudes de bota cardada, não no sentido literal, mas no sentido intuitivo, são preocupantes esperemos que não passem disso.

24/06/2023

 Zé Rainho

 

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Degradação!

 

DEGRADAÇÃO!

 

Nos últimos dias temos assistido a factos que não cabem nem no imaginário mais criativo.

O Governo, através das suas ministras da Presidência e dos Assuntos parlamentares, respectivamente Mariana Vieira da Silva e Ana Catarina Mendes afirma, oralmente e por escrito, que o governo não entrega, à CPI (Comissão Permanente de Inquérito), o parecer que fundamenta o despedimento da CEO da TAP e do Presidente da mesma empresa, porque a sua divulgação pode prejudicar o interesse público. Por sua vez, o ministro das Finanças, Fernando Medina, afirma perante os deputados no Parlamento, que não há parecer nenhum e é essa a razão de não o poder apresentar.

Em que é que ficamos? Há ou não há parecer? Se há, o ministro das finanças mentiu aos representantes do povo, logo mentiu ao povo e a um servidor do povo não lhe é permitido que minta.  Se não há parecer o ministro diz a verdade e cumpre assim o seu dever, mas, então, as ministras mentiram. E, se mentiram, têm de ser penalizadas, porque não estão a cumprir com os deveres de lealdade para com o povo português.

Na conjuntura actual em que a pobreza extrema apresenta números muito preocupantes o Estado, todos nós contribuintes, não se pode dar ao luxo de desperdiçar dinheiro com, eventuais, condenações em tribunal que, ao que tudo indica, é o que vai acontecer e que vai fazer ver à populaça, que a indemnização à administradora que foi despedia da TAP, Alexandra Reis, são trocos, comparados com os milhões que vão ter que pagar à CEO despedida na televisão por dois ministros com pouco sentido de Estado, para dizer o mínimo.

O actual governo demonstra-nos, à evidência, que confunde e mistura os interesses do Partido com os interesses do país e, na maioria das vezes, em favor daquele e em detrimento deste.

Já vivemos situação similar em épocas recuadas e o resultado nunca foi bom. Lembremo-nos de Afonso Costa, o homem do chicote de nove rabos, de Salazar, entre outros. Temos exemplos de outras latitudes e doutros tempos em que o rei dizia que o estado sou eu – Luis XIV, L’ Etat c’est moi – numa demonstração de poder absoluto e as coisas também não correram bem.

Numa altura em que celebramos mais tempo de liberdade, conquistada com o 25 de Abril de 1974, do que durou a ditadura do Estado Novo assistimos, com muita desilusão, a esta degradação governativa e presenciamos, cada vez maior, autoritarismo, a todos os títulos reprovável. Vemos um silêncio ensurdecedor do PM. Sentimos um poder musculado para com os contestatários, que são muitos, desde professores a médicos, de agricultores a inquilinos e senhorios, de empresários a trabalhadores dos mais diversos sectores de actividade.

Damos conta do desmantelamento do serviço nacional de saúde, da destruição da escola pública, do desprestigio da justiça, das forças armadas, das forças de segurança, de tudo aquilo que é o alicerce de uma verdadeira e autêntica democracia e não podemos assobiar para o lado.

Quando o 25 de Abril de 1974 faz 49 anos não podemos deixar de questionar a classe dirigente sobre o que é que andam a fazer? O que esperam que aconteça para arrepiarem caminho? E, sobretudo, pedir-lhe que não façam de nós otários. Que não nos mintam. Que respeitem a confiança que depositamos neles quando votamos.

24/04/2023

Zé Rainho

 

domingo, 23 de abril de 2023

DEMOCRATA?

 DEMOCRATA???

Não se atura esta gente. Não há pachorra que aguente. Não há indulgência possível, por mais cristão que se seja.
Já o disse e repito, que a História, um dia, há-de provar que o 25 de Abril de 1974 foi um golpe de estado corporativo e não uma revolução. Aliás, já há documentação científica suficiente, que sustenta esta tese.
A Democracia veio por arrasto do dito golpe de Estado, porque o povo, cansado de um regime caduco, aderiu em força ao seu derrube transformando, deste modo, um Golpe de Estado numa mudança de regime.
Os militares que fizeram o 25 de Abril não tinham experiência política, nem de vida e, muito menos, conhecimentos de governação, pelo que lhes deu jeito encostarem-se aos civis com essa experiência e esse conhecimento. Foi o que fizeram e ainda bem que o fizeram, caso contrário, poder-se-ia ter saído de uma ditadura civil e caído noutra ditadura militar, mas mesmo assim, não abdicaram, alguns deles, de querer manter um estatuto privilegiado no novo regime, arvorando-se em donos. Conseguiram-no durante os primeiros anos a seguir ao 25 de Abril, particularmente até ao 25 de Novembro de 1975. Uns, compreenderam a mudança e retiraram-se. Outros alaparam-se deixando de ser militares passando a ser políticos.
Enquanto militares de garra, honestidade e valentia, de que o Salgueiro Maia é um bom exemplo, se retiraram para o seu quartel e para a sua vida militar outros, menos capazes e mais oportunistas, agarraram-se ao 25 de Abril como lapas, assenhorando-se para si e para o seu pequeno grupo, de um feito que foi muito mais colectivo e muito mais abrangente do que do grupo restrito do sector militar e, ainda, muito menos do sector da esquerda política nacional.
O 25 de Abril, depois do 25 de Novembro de 1975 passou a ser património do povo português e não de grupos e personalidades.
Mas, o camarada Vasco não entende assim, porque não quer perder prebendas a que, rigorosamente, não tem direito, por vários motivos, mas principalmente, porque não deu o corpo ao manifesto e ficando na retaguarda, protegida das possíveis e eventuais balas. Deu-lhe jeito ser preso e mandado para os Açores, porque vale mais preso do que morto. Sim, porque se o Golpe não tivesse a adesão popular, de muitos militares e forças policiais, poderia ter sido um mar de sangue. Ninguém tenha dúvidas que o anterior regime não reagiu porque não quis. Tinha meios e gente capaz de o fazer.
Desta feita vem agora e, desde sempre, tentar colar o 25 de Abril ao PCP, ao PS e ao BE como donos exclusivos desta efeméride. Ele é que diz quem vai ou não vai desfilar no próximo dia 25, como se fosse dono todo-poderoso, de um evento que teve o contributo da esmagadora maioria do povo português. E, como virgem ofendida, vem para a comunicação social com a arrogância de que a ele ninguém pode pôr em causa. Que não se pode questionar o seu sentido democrático. Não é só arrogante é néscio.
Está há mais tempo nos corpos gerentes da Associação 25 de Abril do que Salazar esteve no Poder.
Por mim pode fazer o desfile que quiser e com quem quiser, mas não lhe admito que se arrogue o direito de ser dono de um património que é colectivo, de que ele também faz parte, mas não é o único.
A Democracia é o direito à diferença, pelo que, mesmo os não democratas têm lugar no regime. O Camarada devia saber isso, mas pelos vistos, não sabe.
22/04/2021
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terça-feira, 21 de março de 2023

Disciplina

 

Disciplina!

Todas as sociedades têm regras que os cidadãos devem cumprir para que as relações sociais sejam cordiais, mesmo, afectuosas. A estas regras convencionou-se chamar disciplina e, quanto mais afinada esteja esta regra geral mais coesão existe entre todos os membros da sociedade. Não é plausível imaginar uma qualquer sociedade, associação, instituição ou mesmo família sem esta regra de ouro.

Talvez por isso se ouça falar, frequentemente, em disciplina orçamental porque, como é óbvio, ninguém pode gastar, mas do que o que tem, sem que a sua vida económica se torne num caos.

Também no desporto se fala muito em disciplina para a equipa funcionar como um todo, rumando ao mesmo objectivo que é, em última instância, vencer.

Na escola a disciplina é da maior relevância, não só para o ensino-aprendizagem, mas também para o normal funcionamento da instituição e, particularmente, para a harmonia entre todos os que dela fazem parte. Ninguém imagina uma escola sem disciplina porque isso seria o desrespeito total por todos os intervenientes e o conflito inerente.

Nos governos a disciplina é regra fundamental como se comprova sempre que a mesma falta. A indisciplina leva a conflitos entre os ministros, a demissões, a remodelações. Esta consequência é mais notória do que a da incompetência. Basta reavivar a memória para se concluir desta evidência.

É fácil intuir que, quanto mais responsabilidade social tem a instituição, mais disciplina e coesão terá de haver. Parece-me inequívoca esta ideia. Não se vislumbra o sucesso de um governo, de uma escola, de uma equipa desportiva sem disciplina. Acontecem casos de indisciplina em todas estas instituições, mas as consequências são sempre devastadoras. Quando um aluno não respeita um professor ou vice-versa os resultados pretendidos ficam comprometidos. Quando os alunos não se respeitam entre si o conflito extravasa da escola para as famílias e a inquietação na escola sobrepõe-se à sua intrínseca função, desviando o foco e o consequente resultado.

O que vale para a escola é válido para qualquer outro tipo de instituição, associação ou organismo.

No momento os noticiários não deixam de nos trazer preocupações acrescidas. Por um lado, é a indisciplina dos sistema bancário nos Estados Unidos e na Suíça, pelo perigo de contágio ao restante mundo financeiro. Mas também a indisciplina de um pequeno grupo de militares da Armada Portuguesa que se recusou a cumprir uma missão de vigilância, a um navio russo, que navegava próximo da zona marítima exclusiva nacional.

Ambos são motivos de muita preocupação. O primeiro porque qualquer descalabro bancário afecta toda a sociedade contribuinte e principalmente os mais desfavorecidos. Ainda está fresca a memória do último resgate financeiro que tivemos e continuamos a ter de pagar aos nossos credores, fruto de desvarios e indisciplina financeira do governo socrático. O segundo, porque, tratando-se das forças armadas, instituição onde ninguém se salva sozinho mas todos se salvam salvando-se, o risco de colapso e de morte é extremamente elevado.

Nesta última instituição prevalece sempre o companheirismo e a entreajuda sem os quais todas as “guerras” serão perdidas. Não se compreendem, pois, por mais legítimas que sejam as razões, actos de insubordinação, de recusa de missões. Esperemos que tenha sido um caso isolado e que não passe daí, mas nós que já andamos cá há muitos anos, não nos esquecemos do descalabro que foram os SUV (soldados unidos venceremos) e das suas consequências paras as Forças Armadas e para todo o País e seu povo em 1974/75.

A Disciplina não existe só porque sim. Existe por necessidade social para a convivialidade fraterna. A falta dela traz sempre consequências nefastas. Veja-se o que acontece no trânsito automóvel e no número de mortes que a indisciplina acarreta.

Disciplina precisa-se e exige-se em todos os sectores da sociedade.

18/03/2023

Zé Rainho

 

terça-feira, 7 de março de 2023

80 Anos do Elvas

 

Homenagem ao meu caríssimo compadre, colega e grande amigo, Professor FERNANDO ELVAS.

 

80 anos!

 

A bicicleta que me transporta,

Na minha vida, para lá da porta

Traz as dores dos oitenta anos,

De caminho, sucesso, desenganos.

 

Um percurso de lisura e honradez,

De trabalho, dedicação, sensatez,

Trouxe, também, alguns escolhos,

Que fizeram chorar meus olhos.

 

Mas no balanço final, necessário,

Aparece o saldo mais generoso,

Sentimento de dever cumprido,

 

Por ter sido demais perdulário,

Com a graça do Deus poderoso,

Fazer o bem, mesmo ao inimigo.

 

28/02/2023

Zé Rainho